Sábado, 24 de fevereiro de 2018
:
EDITORIAS
Agência UDOP | Açúcar | Biodiesel | Cana-de-Açúcar | Combustíveis Fósseis | Diversas | Economia | Energia | Espaço Datagro
Etanol | Fórum de Articulistas | Investing.com | Investing.com Internacionais | Opinião | TV UDOP | Últimas Notícias
Fórum de Articulistas Aumentar a letra    Diminuir a letra
Uma outra eletrificação para a mobilidade  

05/10/2017 - Desde o final do século XIX, foi adotado o motor de combustão interna como solução ambiental e energética para a mobilidade. Quando se popularizou na virada do século, foi saudado como uma grande solução ambiental. Em 1880, mais de 100 mil cavalos supriam as necessidades de transporte na cidade de Nova York, mas geravam, também, graves problemas sanitários e de logística. O mesmo ocorria com as grandes cidades europeias. Era necessária uma grande infraestrutura de transporte e armazenagem para alimentar os animais com feno e grãos. Era gerada uma quantidade enorme de esterco, que atraía moscas e outros insetos, além dos animais mortos nas ruas, retirados ocasionalmente dos logradouros. Em 1880, carcaças de mais de 15 mil cavalos mortos foram retiradas das ruas de Nova York. Mas, não eram apenas equinos: uma grande quantidade de caprinos, suínos e outros animais convivia com os habitantes das cidades.

Passados mais de 120 anos, chegamos à conclusão de que a eficiência termodinâmica do motor de combustão interna é muito baixa - entre 26% e 28%, no caso dos motores do ciclo Otto, e entre 28% e 32%, no caso dos motores do ciclo diesel. O restante da energia é dissipado na forma de calor, daí a necessidade do radiador, da água para refrigeração e do uso de materiais mais resistentes e pesados como o ferro fundido usado nos motores. O tamanho das frotas e a emissão de poluentes, sejam aqueles que são objeto de controle nas zonas urbanas - como o monóxido de carbono, os compostos orgânicos voláteis, os óxidos de nitrogênio, os aldeídos, o chumbo tetraetila e outros - ou aqueles classificados como gases causadores do efeito estufa (GEEs), passaram a vilões da poluição local e do aquecimento global.

Há pouca controvérsia em relação à visão de que caminhamos na direção da eletrificação da frota, visto que esta solução proporciona menor consumo energético, geralmente avaliado em megajoules por quilômetro (MJ/km). Nesse contexto, a eletrificação está geralmente associada ao conceito do carro elétrico a bateria. Esta solução, entretanto, não é simples. As baterias são fabricadas com íons de lítio e com cobalto. Já existe preocupação com a disponibilidade de lítio e cobalto suficientes para suprir toda a demanda que deverá advir da adoção desta tecnologia. O cobalto, atualmente, é extraído apenas no Congo, e alega-se que o é com o uso de trabalho infantil, o que traz preocupações de cunho ético. Depois de fabricadas e utilizadas, as baterias têm uma vida útil limitada a poucos anos e requerem substituição a cada quatro ou cinco anos, a um custo considerável. Quando isso ocorre, existe o efeito ambiental negativo do descarte das baterias.

Além disso, de nada adianta o carro elétrico a bateria se a eletricidade vier de uma fonte fóssil que emite carbono na atmosfera. O carro pode ter zero emissão na cidade, mas, quando considerado o ciclo de vida completo do produto, se a fonte da energia tiver origem fóssil, o problema do aquecimento global não é resolvido. Há, ainda, o problema da infraestrutura de distribuição. É necessário criar uma infraestrutura para a recarga ou a troca de baterias, com soluções que levem em conta a cobrança da energia a quem a utiliza efetivamente. Num país onde um percentual elevado da eletricidade consumida é realizado de forma clandestina, é difícil imaginar como irá funcionar o controle de abastecimento de uma frota elétrica equipada com baterias.

No entanto, existe uma outra eletrificação possível para a mobilidade, realizada por meio do uso de combustíveis líquidos e com a qual objetivos de controle ambiental são atingidos com aqueles de baixa pegada de carbono. Exemplos dessa solução são os veículos híbridos e os equipados com células a combustível, desde que utilizem combustíveis de baixa pegada de carbono, isto é, os biocombustíveis. Estes veículos já existem e representam uma rota tecnológica superior à eletrificação a bateria.

No caso do Brasil, em particular, já existe, inclusive, uma rede com mais de 41.600 postos de revenda capazes de distribuir etanol de cana, considerado avançado por substituir até 89% das emissões de GEEs geradas por um veículo a gasolina. Etanol é energia solar capturada, armazenada e distribuída de forma eficiente, econômica e segura; é, na verdade, equivalente a hidrogênio capturado, armazenado e distribuído de forma eficiente, econômica e segura.

Ademais, é uma rota tecnológica que gera emprego e renda de forma distribuída. Além de baixo consumo energético e baixa emissão de GEEs, a eletrificação baseada em combustível líquido de baixa pegada de carbono promove desenvolvimento econômico e emprego, o que mais vai faltar no futuro com a automação e a modernização dos processos industriais.

Quando avaliado pelo critério do ciclo de vida, no conceito do poço à roda, e não do tanque à roda, o carro flex utilizando etanol no Brasil é menos poluente do que o carro elétrico à bateria projetado para a União Europeia em 2030 e 2040. A otimização dos motores a combustão interna movidos a etanol - com o uso de tecnologias como a biela variável e a introdução do híbrido flex e da célula a combustível movida a etanol - poderá colocar o Brasil na dianteira global em termos de estratégia integrada nas áreas energética, de desenvolvimento e valorização do setor agroindustrial, atendendo objetivos da política ambiental.

A opção por essa rota tecnológica é uma oportunidade enorme pela vocação agroindustrial e o patrimônio tecnológico que o Brasil desenvolveu nessa área. É a possibilidade de convergirem objetivos das políticas energética, ambiental, industrial e de desenvolvimento econômico em torno de um único projeto.

O programa de revitalização do setor de biocombustíveis, RenovaBio, e o novo Inovar-Auto, batizado de Rota 2030, são irmãos siameses que podem levar o Brasil a um grande protagonismo internacional ao eleger uma solução que atende simultaneamente objetivos nas áreas de energia, meio ambiente e desenvolvimento econômico.


*Texto enviado pela assessoria de Comunicação da Datagro e originalmente publicado na edição de hoje (5) do jornal Valor Econômico.

Plinio Nastari
Presidente da Datagro e representante da sociedade civil no Conselho Nacional de Política Energética
Os artigos assinados são de responsabilidade de seus autores, não representando,
necessariamente, a opinião e os valores defendidos pela UDOP.
Enviar por e-mail Imprimir
Clipping de Notícias UDOP
Inscreva-se e receba as novidades do setor.
    
Notícias Relacionadas
23/02/18 - Safra do Centro-Sul segue com produção mais alcooleira; moagem da 1ª quinzena de fevereiro foi menor
  - Açúcar tem forte alta impulsionado pelo mix brasileiro mais alcooleiro
  - Consumo de energia cai 5% em fevereiro, informa CCEE
  - Ministro de Minas e Energia anuncia que vai deixar cargo para disputar eleição
  - Energia elétrica contribuiu para impacto negativo no IPCA-15 de fevereiro
  - Reservatórios do Nordeste operam com 23,7% da capacidade
  - Unica: Venda de hidratado cresce 33% na primeira quinzena de fevereiro, para 614,3 mi de litros
  - Centro-Sul processa 574,05 mil t na 1ª quinzena de fevereiro (-37,04% ante 2016/17)
  - Início de safra será um pouco mais alcooleiro com preços razoáveis
  - Grupo Nova Aralco organiza encontro com fornecedores de cana
  - Como o volume de produção pode impactar os preços do açúcar no mercado asiático?
  - Desalento entre trabalhadores no Brasil bate recorde no final de 2017, mostra IBGE
  - Trump convoca reunião sobre política de biocombustíveis após crise em refinaria
  - MME cria comitê de governança digital
  - País tem 2,786 milhões de pessoas buscando trabalho há 2 anos ou mais, diz IBGE
  - Dólar segue exterior e recua ante real
  - Conheça o perfil do agronegócio brasileiro
22/02/18 - Sobram razões para manter taxa no etanol dos EUA, diz Feplana no Mapa
  - Etanol/DOU: ANP altera resolução e aplica regra de estocagem de produtor a importador
  - Análise Datagro: Importação de etanol no Brasil deve encerrar primeiro trimestre em queda
  - Nova York: preços do açúcar fecham em alta na maioria dos contratos da bolsa
  - Associadas UDOP firmam acordo do PAM para controle e combate de incêndios
  - Energias renováveis; em prol de um futuro sustentável
Para enviar a notícia, basta preencher o formulário abaixo.
Todos os campos são de preenchimento obrigatório!
 
Uma outra eletrificação para a mobilidade
 
Seu nome:
Seu e-mail:
Destinatário:
E-mail destinatário:
(separe mais de um e-mail por ,)
Comentário:
 
 
A UDOP

• Associadas
• Associe-se
• Estrutura Administrativa
• Nossa História
• Missão, Visão e Objetivos
• Troféu da Agroenergia
• Serviços Prestados
• Vídeo Institucional
• Apoio Cultural
• Contatos
Institucional

• Comitês de Gestão
• Convênios e Parcerias
• Legislação
• Sustentabilidade
UniUDOP

• A UniUDOP
• Agenda
• Aulas/Palestras
• Comitês de Gestão
• Congresso Nacional da Bioenergia
• Pós-Graduação
• Qualifica
• Seminário/Workshop
• Apoio Cultural
Imprensa

• Agência UDOP de Notícias
• Últimas Notícias
• Fórum de Articulistas
• Galerias de Fotos
• Mídias Sociais
• RSS
• TV UDOP
• Apoio Cultural
• Contatos
Dados de Mercado

• Boletins
• Comércio Exterior
• Consecana
• Cotações
• Indicador - Açúcar
• Indicador - Etanol
• Produção Brasileira
Serviços

• Biblioteca Virtual
• Bolsa de Empregos
• Bolsa de Negócios
• Calendário de Eventos
• Guia de Empresas
• Índice Pluviométrico
• Pesquisas UDOP
• Previsão do Tempo
• Usinas/Destilarias
Mapas

• Usinas/Destilarias
• Bacias Hidrográficas
UDOP - União dos Produtores de Bioenergia
Praça João Pessoa, 26 - Centro - 16.010-450 - Araçatuba/SP - tel/fax: +55 (18) 2103-0528

2012 - Todos os direitos reservados
Desenvolvimento:
/