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O que esperar da Cana em 2018  

15/12/2017 - De acordo com a Unica, a moagem acumulada desta safra até o dia 01 de novembro foi de 568,2 milhões de toneladas, 2,33% menor que no mesmo período anterior. Já foram produzidos 35,09 milhões de toneladas de açúcar (1,1% a mais), e de etanol 24,46 bilhões de litros (+0,21%). O hidratado caiu 0,57%, para 13,96 bilhões de litros e o anidro subiu 1,27%, para 10,5 bilhões de litros. O mix na safra é de 52,89% para açúcar e na quinzena seguiu bem mais alcooleiro, alcançando 63,17%, derrubando a produção de açúcar em 35% quando comparado com a mesma quinzena da safra passada. Pena que isto não começou antes na safra. Moeu-se 34% menos na quinzena graças ao período chuvoso.

Lembremos que 1% de diminuição no mix de açúcar reduz a produção de açúcar em 750 mil toneladas. Se o que eu disse aqui nesta coluna reiteradas vezes tivesse sido feito, poderíamos alocar uns 4 a 5% a mais de mix para os combustíveis, ter volume suficiente para boas vendas agora na entressafra, com os bons preços atuais, garantir estoques e provavelmente teríamos faturado a mesma coisa no açúcar, vendendo um pouco menos a um preço provavelmente um pouco maior.

No ATR houve boa melhoria, chegando a 137,57 kg/ton, contra 134 na safra anterior (2,7% melhor). O rendimento de etanol e açúcar por tonelada de cana processada nesta safra está em 42,61 litros (1,98% acima) e 61,76kg (3,52% acima), respectivamente. Em 1 de dezembro, 147 usinas já haviam encerrado as atividades, contra 167 na anterior. Até novembro de 2017 contando 12 meses, o Brasil exportou 29,4 milhões de toneladas de açúcar.

Em relação à notícias sobre as empresas, a Biosev continua com seu forte processo de reestruturação, e entre as novas medidas estão a otimização do uso da vinhaça e na alteração do calendário de plantio, concentrando a atividade entre dezembro a março, mantendo uma taxa de renovação de 13% em seus 346 mil hectares de canaviais, levando a idade média das plantas para 4 anos. A empresa também deixou de fazer alguns produtos que estavam contribuindo pouco, tais como açúcar branco em três unidades, ração animal e melaço e busca fontes alternativas de financiamento para lidar com seu elevado endividamento.

A Tereos também apresentou bons resultados, principalmente na produtividade de seus canaviais, que cresceu 6% (84 toneladas/ha) e 4% no ATR (141,5 quilos por tonelada de cana), aumentando o volume moído em 2%, para 20,2 milhões de toneladas. Espera 20,7 milhões em 2018/19. A unidade brasileira representa cerca de 20% do total do grupo e fecha esta safra produzindo 1,8 milhão de toneladas de açúcar (12,5% a mais) e 649 milhões de litros de etanol, 2% a mais. Seu CAPEX na agrícola na próxima safra será de R$ 600 milhões. Finalmente, a BP e a Copersucar anunciaram uma joint-venture na logística de etanol, compartilhando o uso do terminal de Paulínia (Terminal Copersucar de Etanol) e ampliando com isto a presença comercial da BP.

Segundo levantamento da RPA consultoria, das 444 usinas existentes no Brasil cerca de 79 não operarão na próxima safra, contra 76 nesta. São empresas com pouco caixa, e teremos menos cana, cerca de 560 milhões de toneladas e que pode ser processada num menor número de usinas. São duas da Raizen e a da Biosev em Maracaju. O triste deste quadro é que se perdem 750 empregos.

Para a próxima safra temos as seguintes projeções levantadas pela Reuters: Agroconsult 612 milhões de toneladas, Archer Consulting 585, Biosev 586, Datagro 580, FCStone 587, Sucden 588 ficando a média ao redor de 590. Se for este o número, ficará pouco maior que o da atual safra, a depender ainda de cana bisada que ficará para o ano que vem. O mercado acredita numa virada para o etanol, produzindo 6% a mais e o açúcar caindo ao redor de 6%, então no total teríamos 33 milhões de toneladas de açúcar e 26 bilhões de litros de etanol. Eu aposto que o número será igual ao deste ano.

Sigo também com minha aposta de mais crescimento econômico e aumento de consumo de combustíveis, se os preços do Petróleo se mantiverem ao redor de US$ 55, e o etanol de milho dos EUA não invadir nosso mercado, alocaremos mais cana para etanol, contribuindo para recuperar os preços do açúcar e hoje analisando o conjunto de fatos na mesa, aposto que a safra 2018/19 terá um valor de ATR igual ou maior que esta. Minha previsão que o valor médio chegaria a R$ 0,62/kg nesta safra está difícil de acontecer pois não teve a explosão de consumo de etanol que eu esperava à partir de setembro/outubro, em parte devido à política de precificação da distribuição e dos postos, que fixaram o etanol a 70% do preço da gasolina, praticamente independente do preço que está sendo vendido na Usina. Com isto o consumo cresce, mas não explode.

No açúcar, em novembro o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal subiu 0,3%, atingindo R$ 69,34 por saca. Segundo a Archer, o açúcar já vendido da safra 2018/19 teve um preço de R$ 1.187/ton FOB Santos.

Espera-se grande produção da União Europeia neste ciclo 2018/19, chegando a 20,1 milhões de toneladas, 3,5 milhões a mais que na safra anterior. A desregulamentação começou neste outubro, e agora não se tem mais limites de produção e exportação. Só a França deve crescer 25%. A UE deve colocar no mercado 3 milhões de toneladas, o dobro do limite até então vigente. Pelo Rabobank a produção vai a 19 milhões de toneladas e pode alcançar 22 milhões de toneladas em pouco tempo. Porém, alertam que a UE pode proibir os subsídios dados a parte de seus produtores, o que entraria em pratica no ano de 2020, desestimulando a produção. A UE deixa de comprar do Brasil e ainda compete com o nosso refinado em mercados do Oriente Médio e África. Os prêmios menores também podem estimular agricultores a plantarem alternativas.

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) acredita que na safra 2017/18 a produção supera o consumo em incríveis 10 milhões de toneladas, com uma oferta total de 184,949 milhões de toneladas (13,5 milhões de toneladas superior a 2016/2017, que teve 171,472 milhões). Sua última estimativa era de 179,636 milhões de toneladas. Teremos crescimento no Brasil para 40,2 milhões de toneladas gerando uma exportação de 29,6 milhões, pois o Brasil consome cerca de 10,6 milhões, a Índia teria 27,7 milhões e Tailândia 11,2 milhões, além do já comentado avanço da União Europeia e produção maior na China. O consumo mundial deve crescer de 171,559 milhões alcançando 174,223 milhões de toneladas. Entre os maiores importadores os destaques são para a China, que fica em segundo lugar comprando 4,2 milhões (400 mil toneladas a menos) para seu consumo estimado de 15,8 milhões de toneladas, sendo superada pela Indonésia, que deve comprar 4,55 milhões de toneladas.

A Organização Internacional do Açúcar (OIA) acredita em produção mundial de 179,45 milhões de toneladas, 6,58% acima da safra 2016/17. O consumo deve ficar em 174,41 milhões de toneladas (1,71% acima). Devem ser comercializadas internacionalmente 61,09 milhões de toneladas, e os estoques crescerem 1,6%, para 89,62 milhões de toneladas, dando uma relação estoque/consumo de 51,38%. O superávit será de 5,03 milhões de toneladas contra o déficit observado de 3,1 milhões em 2016/17. Também prevê outros 3 milhões de superávit em 2018/19.

Apesar das duas projeções divergirem um pouco nos números, a tendência é a mesma: estamos... inundados de açúcar.

No etanol, segundo a Unica em novembro as usinas do Centro Sul venderam 2,33 bilhões de litros (apenas 90 milhões na exportação). De hidratado foram 1,46 bilhão de litros, 40% a mais que o mesmo mês do ano passado. Foi competitivo em outubro abastecer com etanol em SP, MG, GO e MT. Ponto negativo aqui é o Paraná, que é grande produtor, precisaria ajudar mais no consumo. Tarefa de casa para a cadeia produtiva paranaense. Em muitas regiões do país, principalmente nas regiões distantes da cana, já não se tem mais etanol. De acordo com a ANP (Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, em novembro tínhamos 42.171 postos no Brasil 8.249 não tem bombas de hidratado (19,56%).

Pela mesma ANP em outubro se consumiu 15% a mais de etanol, derrubando o consumo de gasolina A em quase 60 milhões de litros na comparação entre os períodos. Porém, no ano a conta é negativa para o setor de cana: de janeiro a outubro consumimos de gasolina A 26,906 bilhões de litros (5% a mais) e o hidratado apenas 10,8 bilhões de litros, quase 15% a menos. O consumo de combustíveis em outubro foi 1,7% maior que setembro e neste ano estamos com 0,2% acima de 2016, mesmo com sensível aumento de preços. Acumulado no ano, o diesel estar 0,4% acima, a gasolina 5% acima e o etanol 13% abaixo.

Seguem firmes as importações de etanol, mesmo após a tributação acima do que exceder 150 milhões de litros por trimestre, pagando-se 20% de imposto. Já em outubro 51 milhões de litros pagaram a cota, pois em setembro foram importados 110 milhões e em outubro, 91 milhões. De janeiro a outubro já importamos 1,7 bilhão de litros.

Além de trazer etanol de fora, importamos em outubro 60% a mais de petróleo que o mesmo mês de 2016. Foram 21,4 milhões de barris, ante 13,4 milhões um ano atrás. Desde janeiro crescemos 25%, trazendo já 193 milhões de barris. Nossa produção desse ano atingiu o menor volume desde 2010. Dobramos a importação de diesel também no mês de outubro e desde janeiro estamos 61% acima, com 65 milhões de barris. Tombo também na gasolina, que teve suas importações crescendo 56% neste ano, em parte pela queda na produção de derivados do petróleo no Brasil em quase 6%.

A Anfavea acredita que 15% da frota nacional ainda seja a gasolina, um total de 15 milhões de carros. Estima-se que nossa frota deve crescer em 3% por ano até 2030 e o consumo de combustíveis chegará a 170 bilhões de litros, quase 60% a mais do atual.

Para tentar ajudar neste tombo, entre outros objetivos, foi aprovado na Câmara o no Senado o projeto RenovaBio. Todo o programa se baseia em metas de descarbonização e estima-se que gerará 1,4 milhão de empregos diretos e 4,2 milhões de empregos indiretos, investimentos de 1,4 trilhão de reais e substituição de importações na casa de 300 bilhões de litros de gasolina e diesel, necessários como se verá mais a frente.

No fechamento da leitura o hidratado base Paulínia estava R$ 1,90 e o anidro R$ 2,00/litro. Acertei meu viés de alta para os preços que coloquei aqui há 4 meses, quem seguiu e estocou ganhou bastante e mantenho ainda que devem subir mais. Para quem ganhou, pode me mandar um vinho no Natal, que aceitarei.

Termino compartilhando com os leitores a alegria de agora em dezembro concluir dois trabalhos de 4 anos. O primeiro foi um dos projetos de extensão mais bonitos e gostosos que fiz e que terminou ontem, o "Caminhos da Cana" após 4 anos, 80 eventos, 30 cidades, 8 Estados percorridos. Muitos dos Srs. participaram. Foram eventos de muito aprendizado, novos amigos, reflexões, pesquisas, publicações nacionais e internacionais, teses, dissertações e... muitas transformações na cana. Terminamos em alto astral e com aquele... queria mais... mas penso que projetos tem inicio meio e fim, e como dizia Phil Collins (Genesis)... "That´s all". Adeus Caminhos da Cana!

O segundo foi meu trabalho na Orplana, Organização dos Produtores de Cana do Centro Sul, que congrega 32 associações. Em meados de 2013 Manoel Ortolan, então presidente da Orplana, pediu que fizesse um plano estratégico para a organização. Após terminar meu ano na Universidade de Purdue, Comecei em janeiro de 2014 este trabalho e em seis meses tínhamos um plano pronto, e a contratação de um executivo para implementá-lo, Celso Albano de Carvalho, que montou uma brilhante equipe de jovens entusiastas na Orplana. A Orplana, com o esforço de todos se transformou, vindo de Piracicaba para Ribeirão Preto e tendo em andamento hoje um robusto processo de gestão estratégica. Considero um dos melhores projetos que fiz em 25 anos de carreira profissional, pela mudança promovida. Tive o privilégio de ser Conselheiro Externo da Orplana nos anos de 2014, 2015, 2016 e 2017, ajudando nas reuniões mensais a implementar este plano e pensar em novas coisas. Hoje foi a última reunião, depois de 4 anos acho salutar sair e entrar nova pessoa, afinal temos os momentos adequados de entrar e de sair. Muita emoção nestes 4 anos, aprendizado e lutas. Agradeço à Orplana pela oportunidade concedida, fiz muitos amigos.

A todos boas festas, um feliz natal, boas férias e um 2018 cheio de trabalho e saúde.


*Leitura do Prof. Dr. Marcos Fava Neves sobre os Fatos da Cana em Dezembro de 2017.

Marcos Fava Neves
Professor Titular da FEA/USP, Campus de Ribeirão Preto
Os artigos assinados são de responsabilidade de seus autores, não representando,
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