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Veja 5 efeitos econômicos da inflação baixa no seu bolso  

10/01/2018 - A inflação encerrou 2017 em 2,95%, divulgou o IBGE nesta quarta-feira (10), abaixo do piso da meta do governo (4,5%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo).

A desaceleração da escalada de preços ao longo do ano passado foi um dos impulsos da recuperação gradual que a economia vem demonstrando.


Veja abaixo os principais efeitos da inflação baixa:

1. Folga no bolso


Quando a inflação está em alta, ela corrói o poder de compra do consumidor.

Em outras palavras, ela faz com que o dinheiro perca seu valor rapidamente: algo que era possível comprar com R$ 10 em um mês já não é possível no mês seguinte, porque seu preço subiu para R$ 13, por exemplo.

Isso prejudica especialmente trabalhadores do mercado informal, cujos rendimentos não são reajustados pelos índices oficiais, perdendo poder de compra mais rápido.

Já a inflação em baixa faz com que o valor do dinheiro leve mais tempo para ser corroído, dando uma folga no bolso do consumidor, cujo poder de compra fica preservado.

Assim, a desaceleração da subida de preços, aliada à liberação de saque de contas inativas do FGTS, impulsionou as pessoas a voltarem a consumir.


2. Reajustes salariais


A inflação é o parâmetro comumente adotado nas negociações de reajuste salarial entre sindicatos e empresas. O índice adotado é o INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), também coletado pelo IBGE.

Mas, quando a inflação disparou entre 2015 e 2016, paralelamente à retração do PIB, muitas categorias não conseguiram negociar reajustes que pelo menos corrigissem a inflação —menos ainda, que a superassem.

Segundo levantamento do Dieese, em 2016 houve recuo no valor real dos salários (-0,52%) pela primeira vez desde 2013.

Assim, na média, os trabalhadores do setor formal passaram a ganhar menos, ainda que nominalmente seu salário continuasse igual.

Já em 2017, com a queda da inflação, os reajustes voltaram a superar a alta de preços, e os trabalhadores recuperaram ao menos parte do poder de compra perdido no período anterior.

Assim, a proporção de reajustes abaixo da inflação, que ficou em 30% em dezembro de 2016, despencou para 5,3% em novembro de 2017, segundo o boletim Salariômetro, da Fipe.

Considerando o período de janeiro a novembro de 2017, 79,6% dos reajustes ficaram acima da inflação, representando ganhos reais para os trabalhadores.


3. Redução da taxa de juros


Um dos principais objetivos da taxa básica de juros (a Selic), definida pelo Banco Central, é o controle da inflação.

De acordo com a teoria econômica, quando os juros estão elevados, as famílias optam por poupar em vez de gastar. Já quando estão baixos, as pessoas são estimuladas a gastar e a tomar crédito.

Quando a inflação disparou, o BC elevou a Selic até o patamar de 14,25% para desestimular o consumo e a tomada de crédito, o que derrubou a demanda.

Com a inflação em queda neste ano e a necessidade de retomada do consumo para reaquecer a economia, o BC reduziu a taxa de juros para 7% —menor patamar histórico da Selic. A instituição já sinalizou que novos cortes podem ocorrer neste ano.

Com a taxa de juros reduzida, fica mais barato tomar crédito —para financiar uma casa, por exemplo— o que estimula a demanda da economia. Também fica mais barato para as empresas investirem, gerando empregos.

Na prática, as coisas não acontecem tão rápido assim: a queda da Selic não está se traduzindo em queda do juros cobrados pelos bancos das pessoas físicas na mesma velocidade e proporção.


4. Alimentos mais baratos


Os alimentos são a categoria de produtos com maior peso no orçamento da população mais pobre. Antes vilões da inflação, durante o período de disparada, os preços da categoria não só desaceleraram como caíram em 2017 (a chamada deflação).

Essa redução compensou o aumento de outros itens, como energia elétrica e combustíveis, segurando uma nova alta da inflação.

Uma das razões para a queda foi a super safra no primeiro semestre. Agricultores tiveram um bom início de ano, com produções recordes, o que ajudou a reduzir preços de alguns produtos.

Essa queda liberou espaço no orçamento dos mais pobres, permitindo que sobrasse dinheiro para pagar dívidas ou ampliar o consumo de outros produtos, por exemplo.

"De fato, a significativa desaceleração no preço dos alimentos ao longo do ano se constitui no principal foco de alívio inflacionário em 2017, especialmente para as classes de menor poder aquisitivo", diz, em nota, Maria Andreia Parente Lameiras, pesquisadora do Grupo de Conjuntura do Ipea.


5. Aluguel em queda


A queda na inflação também chegou ao IGP-M (Índice Geral de Preços-Mercado), índice usado como referência para o reajuste do preço dos alugueis.

O indicador fechou dezembro com queda acumulada de 0,52% no ano. É a primeira deflação anual do índice desde 2009, quando recuou 1,72%.

A redução do preço dos alimentos e o efeito da recessão, que corroeu a renda da população, estão entre as razões para a queda do IGP-M, segundo o economista do Ibre-FGV André Braz, responsável pelo índice.

A queda do IGP-M também influencia a negociação dos contratos: o locatário que quiser manter um bom inquilino, por exemplo, pode baixar um pouco o valor do aluguel para evitar perder o locador para um imóvel mais em conta.

Fernanda Perrin
Fonte: Folha de S. Paulo
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