Domingo, 27 de maio de 2018
:
EDITORIAS
Agência UDOP | Açúcar | Biodiesel | Cana-de-Açúcar | Combustíveis Fósseis | Diversas | Economia
Energia | Espaço Datagro | Etanol | Fórum de Articulistas | Opinião | TV UDOP | Últimas Notícias
Fórum de Articulistas Aumentar a letra    Diminuir a letra
Oportunidade com o Rota2030  

16/01/2018 - Está em avaliação pelo governo proposta de redução da alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) sobre carros elétricos a bateria de 25% para 7%. Este incentivo se somaria à já aplicada isenção do Imposto de Importação de 35%. A única justificativa possível é o modismo ou desejo de copiar o que é feito em outros países sem avaliar o impacto na economia e no meio ambiente. A proposta é um dos elementos do Rota2030, programa que deve substituir o Inovar-Auto, condenado na Organização Mundial do Comércio (OMC) por criar benefícios à indústria local. Se o critério for técnico deve-se reconhecer que o veículo atual utilizando combustível renovável é mais limpo do que o carro elétrico a bateria. Segundo a Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA), considerando a avaliação de ciclo de vida, um veículo leve convencional movido a etanol emite apenas 45 gramas (g) de CO2 por km, e quando usa gasolina emite 166 g. Considerando o mix de combustíveis no Brasil, a emissão média é de 129 g. O carro elétrico a bateria produzido na Europa emite 139 g. Portanto, o que o Brasil faz hoje com motores a combustão interna já é superior ao que a Europa e os EUA almejam alcançar com os carros elétricos a bateria. De outro lado, há ganhos consideráveis ainda a serem implementados nos atuais veículos a combustão interna, e há a opção de incentivar os híbridos flex e os carros movidos a células combustível, que também são considerados elétricos e tem um consumo energético igualmente baixo. O híbrido flex usando etanol emite apenas 23 g, e a célula a combustível emite incríveis 11 g.

Fica claro que é preciso definir qual tipo de eletrificação o País almeja. Podemos eleger a eletrificação através do híbrido flex a etanol, criando um padrão mundial capaz de ser exportado para vários países.

O carro elétrico a bateria depende de baterias fabricadas com lítio e cobalto, minerais escassos e de preços crescentes. O lítio é encontrado basicamente na China e no Chile, e já se discute limites de disponibilidade e a dependência sobre essas origens. O preço do cobalto mais do que dobrou em 2017 para 75 mil US$ por tonelada, e se projeta que deva dobrar novamente nos próximos dois anos. Dois terços do cobalto são extraídos no Congo, onde a Anistia Internacional indica que milhares de crianças, algumas com 7 anos de idade, o extraem em condição de trabalho escravo e de risco.

A bateria é cara, o seu descarte é poluente e sua vida útil é limitada, o que leva a um custo elevado de reposição, sendo por isso tecnologia a que poucos consumidores têm acesso. Além disso depende de infraestrutura que não existe e precisa ser criada a alto custo. É exatamente para compensar esse custo que a redução do IPI é cogitada e a isenção do Imposto de Importação aplicada. Mas esses são incentivos na direção errada. O recurso será muito melhor gasto se for oferecido para reduzir o consumo energético dos veículos que usam combustíveis renováveis, para a promoção dos híbridos flex e, no futuro, da célula a combustível utilizando etanol, biodiesel e biometano. Já está instalada no Brasil a distribuição de etanol em quase 42 mil postos de revenda, que equivalem a uma rede de energia solar disponibilizada na forma de líquido de alta densidade energética.

O Congresso aprovou e o presidente Temer sancionou o RenovaBio, que tem como objetivo induzir ganhos de eficiência, e reconhecer a capacidade dos biocombustíveis reduzirem emissões de carbono. O Rota2030 é irmão siamês do RenovaBio, e pode criar um modelo de desenvolvimento que valorize a engenharia nacional. A indústria automotiva e a de combustíveis precisam de previsibilidade e estabilidade para realizar investimentos. A definição de uma visão integrada que valorize nossa capacitação nestes setores representa uma oportunidade histórica para o Brasil se consolidar como liderança ambiental e energética.


*Artigo originalmente publicado no jornal O Estado de S. Paulo.

Plinio Nastari
Ex-presidente do Conselho da Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA), é representante da Sociedade Civil no Conselho Nacional de Política Energética
Os artigos assinados são de responsabilidade de seus autores, não representando,
necessariamente, a opinião e os valores defendidos pela UDOP.
Enviar por e-mail Imprimir
Clipping de Notícias UDOP
Inscreva-se e receba as novidades do setor.
    
Notícias Relacionadas
25/05/18 - Anfavea anuncia que montadoras estão paradas
  - Níveis caem no Norte e reservatórios operam com 70,3%
  - Governo e caminhoneiros fecham acordo; protesto é suspenso por 15 dias
  - Mesmo com acordo, caminhoneiros mantêm protestos nas rodovias federais
  - Senado promete a caminhoneiros votar projeto do preço mínimo do frete
  - Greve dos caminhoneiros já prejudica exportações brasileiras
  - Greve prejudica segmento sucroalcooleiro
  - Interessados têm até 10 de julho para apresentarem proposta de compra da antiga Usina Decasa
  - Conheça métodos para aumentar o rendimento fermentativo através de leveduras especiais
  - Índia pode começar a produzir etanol de milho
  - A crise dos combustíveis
  - Carga de energia do sistema elétrico deve crescer 1,8% em junho, estima ONS
  - Empresas adquiriram 465 TWh de energia renovável em 2017, aponta Irena
  - Engie fecha acordo com cooperativa para instalação de usina solar
  - Parques eólicos da Echoenergia comprovam eficiência em fator de capacidade
23/05/18 - Ônibus elétricos crescerão mais rápido do que VEs, aponta relatório da BNEF
22/05/18 - Fatec Araçatuba recebe inscrições para duas graduações gratuitas
  - Em maio, volume de hidratado negociado mais que dobra
21/05/18 - Estudo mostra onde a indústria automobilística está preparada para transição para veículos elétricos
  - RenovaBio ainda enfrenta divergência quanto a metas
  - RenovaBio: MME debate propostas das metas compulsórias de redução de emissões na matriz de
  combustíveis
18/05/18 - Hamburgo instala placas e deve ser 1ª grande cidade alemã a banir carros a diesel
17/05/18 - El sector de los Biocombustibles un aliado estratégico para la Sostenibilidad
14/05/18 - Furnas apresenta ônibus movido a etanol e eletricidade
11/05/18 - O que é uberAIR Skyport? Conheça o ´heliporto´ do táxi voador da Uber
Para enviar a notícia, basta preencher o formulário abaixo.
Todos os campos são de preenchimento obrigatório!
 
Oportunidade com o Rota2030
 
Seu nome:
Seu e-mail:
Destinatário:
E-mail destinatário:
(separe mais de um e-mail por ,)
Comentário:
 
 
A UDOP

• Associadas
• Associe-se
• Estrutura Administrativa
• Nossa História
• Missão, Visão e Objetivos
• Troféu da Agroenergia
• Serviços Prestados
• Vídeo Institucional
• Apoio Cultural
• Contatos
Institucional

• Comitês de Gestão
• Convênios e Parcerias
• Legislação
• Sustentabilidade
UniUDOP

• A UniUDOP
• Agenda
• Aulas/Palestras
• Comitês de Gestão
• Congresso Nacional da Bioenergia
• Pós-Graduação
• Qualifica
• Seminário/Workshop
• Apoio Cultural
Imprensa

• Agência UDOP de Notícias
• Últimas Notícias
• Fórum de Articulistas
• Galerias de Fotos
• Mídias Sociais
• RSS
• TV UDOP
• Apoio Cultural
• Contatos
Dados de Mercado

• Boletins
• Comércio Exterior
• Consecana
• Cotações
• Indicador - Açúcar
• Indicador - Etanol
• Produção Brasileira
Serviços

• Biblioteca Virtual
• Bolsa de Empregos
• Bolsa de Negócios
• Calendário de Eventos
• Guia de Empresas
• Índice Pluviométrico
• Pesquisas UDOP
• Previsão do Tempo
• Usinas/Destilarias
Mapas

• Usinas/Destilarias
• Bacias Hidrográficas
UDOP - União dos Produtores de Bioenergia
Praça João Pessoa, 26 - Centro - 16.010-450 - Araçatuba/SP - tel/fax: +55 (18) 2103-0528

2012 - Todos os direitos reservados
Desenvolvimento:
/