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O consumo de recursos naturais na produção agrícola Janeiro de 2018  

22/01/2018 - Uma realidade cada vez mais presente nas avaliações de fluxos de comércio é o fato de que, por trás de cada tonelada transacionada, está embutido um determinado conteúdo de recursos naturais. No caso das commodities agrícolas, há um elevado conteúdo de água e de emissões de gases do efeito estufa por trás de cada tonelada exportada. A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) e a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) estimam que 40% do aumento da demanda mundial de alimentos até 2050 deverão ser supridos pelo Brasil. É, portanto, relevante a discussão de estratégias para valorizar cada vez mais as exportações agrícolas brasileiras, tornando-as, também, crescentemente sustentáveis.

Nos primeiros sete meses de 2017 (janeiro a julho), segundo dados da alfândega local, a China importou 54,89 milhões de toneladas de soja, um aumento de 16,8% sobre o mesmo período do ano anterior. Mas, por que a China importa tanta soja, e não milho, sendo, ao contrário, o segundo maior produtor do grão atrás apenas dos Estados Unidos? Tendo como referência a produção agrícola da última safra nos Estados Unidos, a produção de milho foi de 370,3 milhões de toneladas e a de soja, de 120,4 milhões de toneladas, uma relação de 3,07. Na China, a produção de milho foi de 215,0 milhões de toneladas e a de soja, de 14,2 milhões de toneladas, uma relação de 15,1. No Brasil, a produção de milho foi de 97,4 milhões de toneladas e a de soja, de 108,0 milhões de toneladas, uma relação de 0,9. A China produz tanto milho que os seus estoques ultrapassam a sua produção anual, e, por estes estarem armazenados há tanto tempo, parte está apodrecendo. Nessa circunstância, por que importar tanta soja? A resposta não é conhecida, mas a pista pode estar relacionada ao uso relativo de água, recurso natural abundante no Brasil.

A produção de 1 tonelada de milho requer aproximadamente 917 metros cúbicos de água, enquanto 1 tonelada de soja requer 2.200 metros cúbicos. Água é um dos recursos mais escassos na China. Apesar do seu extenso território de 9,6 milhões de quilômetros quadrados e uma população de 1,4 bilhão de almas, dispõe de apenas 6% da água doce do Planeta. O Brasil tem um território de 8,51 milhões de quilômetros quadrados, uma população de 206 milhões de almas e 12% da água doce do Planeta. A importação anualizada de soja da China em 2017 equivale a 207 bilhões de metros cúbicos de água.

O rio Amarelo, também conhecido como Huang He, é o segundo mais extenso da China e o sexto maior rio do mundo, medindo 5.464 quilômetros e abrangendo uma bacia de 752.000 quilômetros quadrados. A sua vazão de 2.571 metros cúbicos por segundo equivale a 81 bilhões de metros cúbicos por ano. A soja importada pela China em 2017 equivale a 2,55 vezes a vazão do rio Amarelo.


Potencial para expandir a produção


Quando o Brasil exporta a soja em grão, deixa de gerar valor agregado localmente, pois deixa para o país de destino realizar o esmagamento e gerar produtos de maior valor agregado. Atualmente, o Brasil esmaga apenas 40% da soja produzida e, com ela, gera farelo de soja e óleo para consumo doméstico, exportação e transformação em biodiesel. Em 2017, a produção de biodiesel será de 4,3 bilhões de litros. Se o esmagamento aumentar para 65%, a produção de biodiesel poderá atingir 18 bilhões de litros por ano. A balança comercial e a agregação de valor com a produção de mais carne e menor pressão de logística com o transporte de grãos agradecem. Em 2016, o Brasil importou 7,4 bilhões de litros de diesel fóssil, e, em 2017, a importação deve ultrapassar 12 bilhões de litros.

O mesmo ocorre com o etanol. Embora o Brasil seja o segundo maior produtor de etanol do mundo, praticamente toda a sua produção, de 27,6 bilhões de litros, é consumida localmente. É preciso se expandir a produção de etanol de cana-de-açúcar, e existe, também, um potencial adicional considerável de produção de etanol de milho. É esperado que a produção de etanol cresça para pelo menos 44,0 bilhões de litros até 2030. O abastecimento de gasolina também agradece. Em 2016, a importação de gasolina foi de 2,93 bilhões de litros; em 2017, deve atingir 4,5 bilhões de litros; e, em 2018, deve ultrapassar 5,8 bilhões de litros.

Há, ainda, o potencial de produção de biogás e biometano, por meio de resíduos agroindustriais e resíduos sólidos urbanos, com um potencial de mais de 71 milhões de metros cúbicos por dia. O biogás purificado, ou biometano, poderá, em breve, substituir o diesel fóssil em tratores e caminhões agrícolas e pode ser adicionado ao gás fóssil distribuído nos gasodutos e nos sistemas de distribuição de gás natural veicular (GNV). O biogás pode produzir eletricidade limpa, substituindo fontes de energia fóssil.

A intensificação do uso de biocombustíveis na produção agrícola e a sua transformação e agregação de valor devem ser consideradas elementos centrais da estratégia nacional de valorização e de aumento da sustentabilidade da agricultura nacional, salientando de forma cada vez mais intensa o seu elevado conteúdo de recursos naturais.


Próximos passos


Como o fechamento do cronograma das regras do Acordo de Paris ficou para 2018, a COP-23 ganhou caráter eminentemente técnico. As conclusões confirmaram pontos já definidos no passado e postergaram assuntos como o financiamento das medidas contra as mudanças climáticas.

Na COP-16, de 2010, realizada em Cancún, no México, foi criado o chamado Fundo Verde, para garantir a ajuda aos países em desenvolvimento para enfrentar as mudanças climáticas. A sua função seria de administrar as doações dos países ricos. Na oportunidade, os Estados Unidos, a União Europeia e o Japão prometeram um financiamento de US$ 100 bilhões até 2020.

O Banco Mundial foi convidado a ser o gestor do Fundo junto a um conselho formado por 24 membros, com igualdade de representação de países desenvolvidos e em desenvolvimento, junto com representantes dos pequenos Estados mais ameaçados pelo aquecimento.

Os anos passam-se, e nada acontece. Este é um ponto sensível das negociações: a responsabilidade dos países desenvolvidos no combate das mudanças climáticas, os primeiros a aumentarem consideravelmente a carga de gases do efeito estufa na atmosfera.

A COP-23 será seguida de uma série de encontros sobre mudança climática agendados para antes da Cúpula Climática da ONU, em setembro de 2019, incluindo a COP-24, que será realizada em Katowice, na Polônia, localizada numa região com forte presença da indústria de carvão.

*Artigo originalmente publicado na edição de janeiro da revista Agroanalysis .

Plínio M. Nastari
Presidente da Datagro e representante da sociedade civil no Conselho Nacional de Política Energética (CNPE)
Os artigos assinados são de responsabilidade de seus autores, não representando,
necessariamente, a opinião e os valores defendidos pela UDOP.
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