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CBOT: grãos devem abrir sem tendência definida à espera do USDA; China e EUA no radar  

08/03/2018 - Os futuros de grãos devem começar o dia sem uma tendência definida nesta quinta-feira na Bolsa de Chicago (CBOT). Participantes aguardam a divulgação do relatório mensal sobre oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que ocorrerá hoje durante o pregão, às 14h (de Brasília), para assumirem posições mais claras. Em paralelo, o mercado continua atento aos efeitos que tensões políticas entre Estados Unidos e China podem ter sobre a comercialização de commodities agrícolas, principalmente a soja.

O apetite chinês pela oleaginosa norte-americana vem diminuindo. Produtores e traders temem que as exportações dos Estados Unidos sejam ainda mais prejudicadas caso o presidente dos EUA, Donald Trump, leve adiante seu plano de sobretaxar as importações de aço e alumínio. A China compra cerca de 100 milhões de toneladas de soja por ano, ou cerca de 60% do comércio global. Em um ano normal, aproximadamente 30 milhões de toneladas vêm dos norte-americanos. Só no ano passado, os chineses importaram US$ 12,4 bilhões em soja dos EUA para alimentar seu plantel de suínos.

A diminuição nas compras internacionais de soja feitas pela China em fevereiro pode pressionar os preços do grão na CBOT. Hoje, o Departamento de Alfândega do país informou que foram importadas 5,42 milhões de toneladas da oleaginosa em fevereiro, queda de 2,1% ante o mesmo período de 2017 e de 36% em relação a janeiro.

Para contrabalançar, o USDA informou há pouco que as vendas semanais da oleaginosa norte-americana saltaram de 857,9 mil toneladas na semana encerrada em 23 de fevereiro para 2,51 milhões de toneladas na semana até 1º de março, superando com folga as estimativas de analistas que previam vendas de até 1,7 milhão de toneladas. No período mais recente, a China liderou as aquisições com quase 1,3 milhão em compras.

O clima na Argentina continua predominantemente seco. Mapas meteorológicos indicam maior umidade para a região central do país somente no início da próxima semana. O dado, se confirmado nos próximos dias, pode induzir novas realizações de lucro - a depender, também, dos outros fundamentos e seus desdobramentos ao longo do dia. Fator que, além da soja, implica nos preços do milho.

Segundo analistas ouvidos pelo Wall Street Journal, a estiagem na Argentina deve levar o governo dos EUA a reduzir sua previsão para a colheita do país no relatório de hoje, de 39 milhões para 36,3 milhões de toneladas. A estimativa para a safra do Brasil também deve ser cortada, de 95 milhões para 91,8 milhões de toneladas.

As vendas semanais dos Estados Unidos totalizaram 1,86 milhão de toneladas de milho, alta de 8% ante a semana anterior e de 6% em relação à média das quatro semanas anteriores. O resultado também veio acima das expectativas dos analistas consultados pelo The Wall Street Journal, que projetavam vendas entre 1,1 milhão toneladas e 1,5 milhão de toneladas.

No trigo, o mercado continua a acompanhar as condições climáticas no Hemisfério Norte, mas os dados do USDA tendem a orientar as negociações ao longo do dia. De acordo com analistas consultados pelo The Wall Street Journal, a estimativa para as reservas norte-americanas de trigo deve ser elevada de 1,009 bilhão para 1,013 bilhão de bushels (27,5 milhões para 27,6 milhões de t). Já a projeção para os estoques globais do cereal deve permanecer quase inalterada, em 266,2 milhões de toneladas.

Na semana, os exportadores norte-americanos venderam 391,5 mil toneladas do cereal até o dia 1º de março. O volume representa alta de 28% ante a média das quatro semanas anteriores, dentro das estimativas de analistas consultados pelo The Wall Street Journal, que variavam entre 200 mil e 450 mil toneladas.

No overnight, o vencimento maio da soja perdeu 1,75 cent (0,16%), a US$ 10,6350 por bushel. O milho para maio ficou estável, a US$ 3,8725 por bushel. Enquanto igual vencimento do trigo subiu 1,50 cent (0,30%), a US$ 4,9875 por bushel.


*Texto extraído da coluna Broadcast do Agro. Com informações do portal internacional Dow Jones Newswires.

Nayara Figueiredo
Fonte: O Estado de S. Paulo
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