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Levaremos 120 anos para aproveitar potencial da bioeletricidade?  

20/11/2018 - No ano passado, a bioeletricidade ofertou 25 TWh para o Sistema Interligado Nacional (SIN), sendo o setor sucroenergtico responsvel por 21 TWh deste total, representando sozinho o equivalente a 5% do consumo total de energia eltrica no pas em 2017, chegando a quase 8% no auge da safra canavieira.

Contudo, se houvesse o aproveitamento pleno da biomassa dos canaviais na safra passada, a bioeletricidade teria potencial tcnico para chegar a 146 TWh, aproximadamente sete vezes o volume ofertado ano passado, o que representaria mais de 30% do consumo de energia no SIN.

A estimativa deste potencial tcnico da bioeletricidade elaborada com base nos coeficientes tcnicos de gerao para cada biomassa presente no setor sucroenergtico e apresentados pela Empresa de Pesquisa Energtica (EPE) na minuta do Plano Decenal de Expanso de Energia (PDE 2027), ainda em processo de Consulta Pblica estabelecida pelo Ministrio de Minas e Energia (MME).

Considerando a safra 2017/18, o potencial tcnico da bioeletricidade sucroenergtica para a rede foi aproveitado em somente 15% de seu total. Esse potencial de 146 TWh representa algo como quase 4 (quatro) usinas do porte de Belo Monte, mostrando as grandes oportunidades que temos para aproveitar melhor o potencial dessa fonte renovvel e sustentvel, a partir de uma biomassa j existente nos canaviais.

Todavia, de acordo com a minuta de PDE 2027, a bioeletricidade em geral, partindo de 25 TWh em 2017, chegar a 38 TWh em 2027. A partir desta estimativa disposta no PDE 2027, podemos supor que o setor sucroenergtico poder representar uma oferta de bioeletricidade rede de 32 TWh at 2027, um crescimento de pouco mais do que 1 TWh/ano.

Neste ritmo, levaremos quase 120 anos para aproveitar o potencial da bioeletricidade sucroenergtica para a rede que existia em 2017, sem considerar o crescimento natural deste potencial ao longo do tempo, apenas pensando em aproveitar o que existe hoje nos canaviais.

Uma ponderao que possa justificar a timidez em relao expanso da bioeletricidade no SIN talvez seja o custo efetivo da energia eltrica produzida pela biomassa em comparao com as demais fontes, uma vez que o PDE busca garantir o suprimento de energia do SIN a um preo mais competitivo possvel.

Neste sentido, importante mencionar, e adicionar ao processo de Consulta Pblica, documento recentemente preparado pela PSR e Instituto Escolhas que apresenta a competitividade entre as fontes considerando a valorao dos principais atributos de cada uma delas.

No citado documento procura-se externalizar de modo transparente o custo final para os consumidores, na inteno de que seus resultados representem ponto de partida para a discusso com relao criao de uma nova metodologia de precificao das fontes nos leiles de energia eltrica ou nos leiles, de contratao de lastro para o sistema, e de uma proposta para o aperfeioamento do planejamento da expanso do parque gerador.

De acordo com o estudo supracitado, a fonte renovvel que apresenta o menor custo de investimento e operao para a sociedade, quando avaliados os servios prestados para alm da produo de energia propriamente dita, justamente a gerao a partir da biomassa localizada na Regio Sudeste, onde tambm reside o grande potencial tcnico da bioeletricidade, dado que a maior parte da cana-de-acar processada no pas ocorre na Regio Sudeste do pas. Na safra 2017/18, a Regio Sudeste foi responsvel por 66,4% do total de cana-de-acar processada no pas, sendo o Estado de So Paulo sozinho responsvel por 83,9% da cana-de-acar processada na Regio Sudeste e 55,7% no pas.

Quando se considera tambm as fontes no renovveis no estudo em tela, a bioeletricidade na Regio Sudeste tem excelente desempenho, apresentando o segundo menor custo de investimento e operao para a sociedade civil, um pouco atrs da gerao a partir do gs natural liquefeito, em ciclo combinado inflexvel no Sudeste.

Ou seja, alm de vasto potencial de crescimento, a bioeletricidade apresenta um dos menores custos totais de todas as fontes de gerao no pas e o menor custo global dentre as fontes renovveis, desde que contemplados determinados atributos econmicos, geo-eltricos e ambientais.

A despeito do significativo conjunto de atributos apresentados pela bioeletricidade, no PDE 2027, no cenrio de referncia para os anos 2022 a 2027, a expanso indicativa para a biomassa de apenas 375 MW/ano, totalizando 2.250 MW, somente 5,7% da nova capacidade que ser contratada at 2027.

importante sermos mais ousados com relao ao aproveitamento desta fonte renovvel estratgica para o setor eltrico, at por conta da relevncia que a bioeletricidade tambm ter para o sucesso do aumento de oferta de etanol previsto pelo PDE at 2027 e do Renovabio, uma poltica de Estado fundamental para a segurana energtica, o estmulo ao etanol e a reduo das emisses de gases de efeito estufa. Etanol e bioeletricidade so produtos coirmos e sinrgicos no portfolio das usinas sucroenergticas.

Alm do significativo conjunto de atributos apresentados pela bioeletricidade, o setor sucroenergtico pode contribuir de forma mais aderente com as expectativas de incremento da produo de biomassa da cana-de-acar, fato que motiva a reviso dos atuais 375 MW adicionais por ano de bioeletricidade e aproveitar este potencial tcnico numa taxa mais acelerada do que a prevista na minuta do PDE 2027.

*Texto originalmente publicado no Canal Energia

Zilmar Jos de Souza
Gerente de bioeletricidade na Unica - Unio da Indstria de Cana-de-Acar
Os artigos assinados so de responsabilidade de seus autores, no representando,
necessariamente, a opinio e os valores defendidos pela UDOP.
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