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Petrleo em queda ameaa 2019  

27/11/2018 - Nesta anlise mensal seguem os principais nmeros e as reflexes tanto para o curto, mdio e longo prazo da cadeia agroindustrial da cana partir dos fatos de novembro. Segundo a UNICA, j processamos, at o dia 01 de novembro, 508 milhes de toneladas de cana (4,35% abaixo do ciclo anterior). O mix est em 64,13% para etanol. Em acar foram produzidas 24,35 milhes de toneladas (26,7% a menos) e de etanol 27,26 bilhes de litros (20,29% a mais), sendo 46% maior a produo de hidratado. Na segunda quinzena de outubro processamos quase 18% a menos, fruto j de pouca cana disponvel neste final de safra e das chuvas. Devemos fechar a safra com 560 m.t. processadas, queda de 6,4% em relao s 596 m.t. da safra anterior. Muitas unidades encerrando as atividades, teremos uma entressafra mais longa!

Pelo levantamento do CTC, o ATR/tonelada no ms de outubro foi de 133,96 kg/t, e o acumulado est em 140,13 (1,73% maior). O rendimento apurado pelo CTC foi de apenas 60,22 t/ha em setembro, contra 66,5 t/ha na safra anterior. Na safra temos 74,45 t/ha contra 77,62 t/ha da anterior, uma queda de 4,1% esperada pela seca que castigou os canaviais no comeo deste ciclo. Na verdade espervamos uma queda maior que esta observada.

A Datagro espera para 2018/19 uma safra no Centro-Sul de 558,78 milhes de toneladas, com produo de 30,4 bilhes de litros de etanol vindos de cana e milho e 26,4 milhes de toneladas de acar.

Nas notcias de empresas, destaque para a Atvos que moeu 25 m.t. de cana em 2017/18 e deve fechar 2018/19 com crescimento de pelo menos 10%, chegando a 28 m.t.. A So Martinho anunciou lucro lquido 10,4% maior, de R$ 58,5 milhes no segundo trimestre desta safra, graas a reduo do endividamento e melhoria do perfil da dvida e operaes de cmbio. A receita lquida caiu 12,6% e o Ebitda tambm recuou em 19,1%, para R$ 316,2 milhes com margem Ebitda de 49,1%. Parte destes nmeros explicado pela poltica de estocagem de produtos que, no trimestre, aumentou o endividamento, mas deve melhorar bem no quarto trimestre com a venda de estoques.

De acordo com o Ita BBA, na safra 2017/18 a dvida mdia foi de R$ 117/tonelada de cana, contra R$ 120 na safra anterior. O endividamento mdio de 2,8 vezes na relao dvida lquida sobre o lucro antes de juros, impostos, depreciao e amortizao (Ebitda). Grande trabalho de corte de custos tem sido feito. Investimentos devem ser mais fortes na recuperao de canaviais e em cogerao nesta prxima safra.

Em relao ao mdio prazo, a Empresa de Pesquisa Energtica (EPE) estima que em 2027 produziremos 45 bilhes de litros de etanol (32 bilhes de hidratado, 12 bilhes de anidro e o restante de importaes, sendo que deste total produzido no Brasil, 2 bilhes seriam de milho), quase 50% a mais que o atual. Os investimentos necessrios para esta expanso seriam de R$ 25 bilhes, sendo R$ 16 bilhes para novas unidades e R$ 9 bilhes em expanso das atuais. Em produo e rea agrcola, a EPE estima que teremos 837 milhes de toneladas (31,6% a mais) sendo produzidas em 9,9 milhes de hectares (14% a mais que os 8,7 milhes de hectares no ltimo ano) com produtividade de 85 t/ha bem acima das atuais 72,5 t/ha. No acar a estimativa de crescimento de 16%, para 44 m. t.. Caso o RenovaBio no seja implementado, os nmeros so bem mais modestos: iriamos para 33 bilhes de litros advindos de 729 m. t. de cana no Brasil.

Finalizando a parte de cana, os meses de outubro e novembro chuvosos esto dando bom tratamento aos canaviais e melhorando as perspectivas para 2019/2020. Se continuar bem distribuda e em bom volume at maro, pode ser um alento. Segundo a UNICA a idade mdia dos canaviais do Centro-Sul de 3,6 anos. O ideal seria de 3,2 anos.

O setor deve observar cada vez mais a entrada de outras culturas na rea de cana. A rea plantada com gros na regio de Jau, que era antes de cana, chegou a 12 mil hectares, de acordo com o Sindicato Rural. uma ameaa real, dentro do processo de concentrao e diversificao sendo observado.

Nas reflexes dos fatos e nmeros do acar, nossa recuperao de preos perdeu fora e estes recuaram novamente. Chegou a 14,20 cents/libra peso no final de outubro e mergulhou outra vez para 12,60 cents. intrigante esta queda, pois foram notcias boas vindas da relao oferta e demanda. A Archer justifica principalmente como movimento dos fundos, alm da queda dos preos do petrleo (20% em um ms) e a valorizao do real.

A OIA (Organizao Internacional do Acar) em sua nova estimativa derrubou o supervit esperado para a safra 2018/19 de 6,75 m.t. para 2,20 m.t.. A produo total deve ser de 180,488 m.t.. Tanto Brasil (31,8 m.t.) quanto ndia (32 m.t.), Unio Europeia (17,9 m.t.) e Paquisto tiveram quedas nas estimativas. O consumo global deve crescer 1,65% (a mdia de dez anos foi de 1,67%) chegando a 178,316 m.t.. Os estoques sero de 93,363 m.t., e a relao estoque/consumo cai para 52%. O supervit da safra 2017/18 tambm caiu praticamente 1,32 m.t. agora em 7,28 m.t. A nova estimativa da Datagro para 2018/19 ampliou o dficit de 715 mil toneladas para 1,58 milho de toneladas. E na safra seguinte (2019/20) um dficit de 7,52 m.t.. H sinais de queda na safra indiana devido menor produtividade por seca e presena de larvas brancas. Novas estimativas trazem a safra de 32,5 m.t. para 30 m.t. Lembremos que chegou a ser estimada em 35,5 m.t.. Nmeros comeam a melhorar para os produtores de acar, com menor produo.

Exportaes de acar em outubro foram de 1,934 m.t. (bruto e refinado), quase 33% a menos que outubro de 2017 e 25% a menos que o ms de setembro deste ano. J em valores, vendeu-se US$ 828,8 milhes (15% a mais que setembro mas 20% a menos que outubro de 2017). Desde janeiro as exportaes so de 18,679 m.t., 24% a menos que em 2017 com receita de US$ 5,80 bilhes, um tombo de 41,5% sobre as exportaes de US$ 9,910 bilhes realizadas at este momento em 2017.

Segundo a Archer, com dados de 30 de setembro de 2018, cerca de 4,16 m.t. de acar da safra 2019/20 j estavam fixados a um valor mdio de 12.94 centavos de dlar por libra-peso (sem prmio de polarizao), ou R$ 1,159.54 por tonelada equivalente FOB Santos (j com o prmio de pol). A empresa estima os custos de produo da saca de acar (50 kg) posto usina das melhores do Brasil est entre R$ 40,89 e R$ 45,39. Isto se situa num intervalo entre 11,50 e 12,55 cents por libra-peso FOB Santos. Mas no Brasil e para boa parte do setor e no mundo, os preos do acar so prejuzo puro, e se este fosse um mercado livre e sem protees, teria ajuste de oferta em breve.

Entre os aspectos que preocupam no consumo de acar, o Ministrio da Sade fez acordo com indstria de alimentos e de bebidas para reduzir as quantidades usadas em biscoitos, bolos, lcteos, e outros, reduzindo o consumo em 144 mil toneladas em quatro anos, o que representa 2% do seu uso. Segundo o Ministrio, consumimos 50% a mais que o recomendado.

Pelo CEPEA a saca de 50 kg do acar cristal teve queda de 0,02%, indo para R$ 66,32. Ou seja, neste ms onde apostei em subida de preos, acertei at o final de outubro, mas desceram novamente, mesmo com a maioria de boas notcias. Meu vis ainda de alta.

Nas reflexes dos fatos e nmeros do etanol e energia, em setembro o consumo de combustveis voltou a cair em 2,5% na comparao com o ano anterior, pela ANP. No ano a queda de 0,5%. O diesel caiu 1,6% no ms, mas no ano tem alta de 1,2%. A gasolina caiu 17,3% no ms e teve seu menor consumo desde julho de 2011. No ano caiu 13,5%, j o hidratado cresceu 37,2% em setembro e 41,3% no acumulado de 2018. Na segunda quinzena de outubro usinas do Centro-Sul venderam 1,07 bilho de litros de hidratado, 26,5% a mais que a mesma quinzena de 2017. E no ms de outubro as vendas foram 33,6% maiores, chegando a 2,02 bilhes de litros, estimulada pela paridade mdia de 63%.

Surpreenderam as exportaes de etanol, que cresceram 82,3% em outubro, atingindo 278,7 milhes de litros, quando comparadas a outubro de 2017 e foram tambm 58% maiores que setembro. Estas trouxeram US$ 139,6 milhes em outubro (58% a mais que outubro de 2017 e 65% maiores que setembro). Desde janeiro j vendemos 1,444 bilho de litros (18,5% a mais), com valor de US$ 769,5 milhes (11,1% maiores que 2017).

Segundo o MAPA, o estoque de etanol (dados de 30/09) era de quase 11 bilhes de litros, 29% a mais que em 2017. Grandes grupos foram os que apresentaram maiores crescimentos nos estoques, chegando em alguns casos a quase 80% a mais de produto nos tanques.

Segue um grupo de trabalho liderado pela Ministrio da Fazenda discutindo a possibilidade de venda direta de etanol das usinas aos postos. Deve apresentar um relatrio em breve. Eu gosto da ideia, j disse aqui. Caso aprovado, creio que vai tomar de 15 a 20% ao mximo do mercado.

A UNICA estima que nos 15 anos entre 2003 e 2018, a substituio da gasolina pelo etanol contribuiu para reduzir em 500 milhes de toneladas de CO2 as emisses (seria equivalente a 840 milhes de viagens entre Rio e So Paulo usando caminho). Sem dvida estes nmeros ajudaram o diretor executivo da Agncia Internacional de Energia (AIE) declarar que o Brasil a "estrela ascendente no uso sustentvel da energia" sendo o que apresenta a matriz energtica menos poluente entre os grandes usurios, tendo o maior ndice de fontes renovveis, chegando a 45% do total em 2023. Fontes renovveis devem ocupar 12,5% de participao no mundo em 2023.

Queda do petrleo o maior risco agora ao 2019 da cana. Por enquanto os preos no caram ao consumidor na violncia com o qual caram nas refinarias. At dia 20 de novembro haviam cado 1,8% nos postos e 27% na Petrobrs. Com isto o etanol caiu tambm 7%. Se o petrleo continuar assim, a expectativa de preos mais altos do etanol na entressafra fica contida por uma possvel queda da gasolina. A correlao em SP j est prxima a 64%. Por outro lado, um consumo forte do hidratado pode contrabalanar este quadro. Segundo a Archer, o preo adequado da gasolina hoje seria de R$ 4,07, permitindo ainda a paridade competitiva.

Temos algumas outras boas notcias, a saber: mais pessoas se acostumaram a usar o hidratado nesta fase de paridade favorvel; teremos neste ano mais 2,4 milhes de carros vendidos no Brasil, sendo mais de 85% flex e; as distribuidoras de combustveis j esperam melhoras de consumo para o ltimo trimestre do ano.

Finalizando... qual seria a minha estratgia com base nos fatos? Onde eu arriscaria agora em dezembro: o consumo do hidratado nos prximos 4 a 5 meses a uma das principais variveis a serem observadas, bem como o volume de estoques, uma vez que teremos uma entressafra mais longa. Vai interferir neste consumo uma possvel retomada da economia bem como a paridade, trazida pelos preos da gasolina. Resta saber se a queda do preo do petrleo continua, pois isto afetaria o consumo de hidratado e o mix da prxima safra, sendo impactos negativos aos preos.

Marcos Fava Neves
Especialista em planejamento estratgico do agronegcio, Professor Titular dos Cursos de Administrao da USP em Ribeiro Preto e da EAESP/FGV em So Paulo.
Os artigos assinados so de responsabilidade de seus autores, no representando,
necessariamente, a opinio e os valores defendidos pela UDOP.
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