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Tardou, mas a safra vira definitivamente ao etanol  

15/09/2017 - De acordo com a Unica, a moagem acumulada desta safra até o dia 01 de setembro foi de 381,52 milhões de toneladas. Estamos atrasados 3,62% em relação à safra anterior. Já foram produzidos 23,26 milhões de toneladas de açúcar (22,51 milhões em 2016), e no etanol 15,29 bilhões de litros (-7,55%). O hidratado caiu 11,33%, para 8,69 bilhões de litros e o anidro caiu 2,3%, para 6,6 bilhões de litros. Porém, com a mudança do mix, o etanol começa a buscar os números, pelo menos, do ano passado.

No ATR estamos ligeiramente acima do ano passado, chegando a 131,99 kg/ton (0,95% acima). Esta última quinzena já mostra uma safra menos açucareira, finalmente o mix está mudando. Foi de 46,95% para açúcar, 3,5% a menos que na quinzena anterior. Com isto produzimos 3,15% a mais de etanol e conseguimos a maior venda quinzenal dos últimos 12 meses, com 12% de crescimento na quinzena. No mês de agosto vendeu-se 2,19 bilhões de litros para o mercado interno, sendo 1,37 bilhões de hidratado (23% a mais que julho). Tardou, mas chegou a onda do etanol.

No primeiro trimestre da safra 2017/18 a USJ teve prejuízo de R$ 42 milhões, contra lucro de R$ 50 milhões no ano anterior. Pesaram aumento dos custos operacionais e variação cambial. O endividamento em 30 de junho estava em R$ 1,125 bilhão, 5,6% a mais que no ano anterior.

O CTC prepara a abertura de capital para 2021, na B3 e na Nasdaq onde estão muitas empresas de biotecnologia, agora que a empresa tem sua primeira cana geneticamente modificada. Espera até este período manter as vendas crescendo 20% ao ano e aumentar a participação de suas variedades para 20%, hoje estimada em 12 a 13% do total plantado no Brasil. Mesmo valor é a margem EBIDTA e também neste caso a meta é chegar a 20%. Hoje a empresa investe cerca de R$ 200 milhões por ano em P&D e deve construir um laboratório nos EUA.

No açúcar, a notícia boa ao mercado foi uma possível sinalização da Índia para abrir importações visando cobrir o déficit deste ano, onde produzirão 21 milhões de toneladas e consumirão 25 milhões.

Também ajudou a alta do petróleo, graças aos problemas nos EUA, devendo estimular mais o etanol. Desde o dia 3 de julho a gasolina já subiu 16%.

Segundo a Archer, os preços médios de fechamento de agosto foram de 13,80 centavos de dólar por libra-peso. Usinas também estão atrasando a fixação de preços para o ano que vem, o que pode ser expectativa altista.

Segue firme o pessimismo no mercado contaminado pelos fatores baixistas de grande oferta, com notícias vindas da União Europeia, Paquistão e outros. No fechamento desta leitura o mercado futuro de açúcar estava em 14,40 centavos de dólar por libra-peso. No mercado interno, a saca está ao redor de R$ 53,00, bem decepcionante. Resta esperar a onda de hidratado!

Do lado do etanol, o consumo de combustíveis cresceu 1,48% em julho, sendo o terceiro mês seguido de crescimento. Porém, no ano até o momento a queda é de 0,9%. O diesel cresceu 2,5%, Ciclo Otto cresceu 1,5%, puxado por um aumento de 7,5% na gasolina no mês e 7,3% no ano. No etanol hidratado em julho o consumo caiu 21% (total de 1,035 milhão de m3) e no acumulado do ano, quase 20%. Porém, nos primeiros 15 dias de agosto as vendas de etanol no Centro-Sul, das Usinas para as distribuidoras, tiveram crescimento de 14%, o que pode levar a demanda superar 1,3 bilhão de litros.

Segundo a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), do Ministério de Minas e Energia pelo uso de etanol e biodiesel, o país deixou de emitir em 2016, respectivamente, 55,1 milhões e 9,2 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente (CO2 eq). 75,7% do nosso biodiesel é feito com óleo de soja, e 15,4% com sebo bovino. A EPE também estima em quase 31% a participação da biomassa na geração energética brasileira. Do consumo brasileiro, 5% já vem da cogeração das usinas. Da matriz energética brasileira em 2016, 44% da oferta é de fontes renováveis, e ainda crescendo 2,2% em relação a 2015.

Exportamos em agosto US$ 90 milhões em etanol e no ano US$ 529 milhões. Como importamos US$ 64 milhões em etanol, e no acumulado do ano temos US$ 741 milhões, cerca de 276,1% a mais que o mesmo período de 2016, a balança está negativa em US$ 212,322 milhões entre janeiro e agosto.

Segundo a Datagro, cresceu mais de 30% a produção de etanol na Argentina neste primeiro trimestre, pulando para 504 mil m3. Estimam que no ano a produção crescerá quase 20%, passando de 1 bilhão de litros. Existem planos para se vender carros flex e se colocar hidratado nos postos.

A China também anunciou que estuda proibir as vendas de carros movidos a combustíveis fósseis em 2040 e fez um anúncio que pode ser a grande notícia do mês: a partir de 2020 toda a gasolina vendida neste que é o maior mercado de carros do mundo, passará a ter 10% de etanol. Isto é uma excelente informação aos produtores de grãos, significando quase que literalmente, a queima dos estoques chineses de milho, sem colocar um grão sequer no mercado. Devem fazer pelo menos 10 grandes unidades de etanol até o próximo ano, que consumirão 3 milhões de toneladas de milho. Estima-se que para fazer o E10, ao consumo de hoje, seriam necessárias 45 milhões de toneladas de milho por ano.

No fechamento da leitura o hidratado estava R$ 1,58 e o anidro R$ 1,73/litro (spot CEPEA). Meu viés para o etanol também é altista, continuo acreditando no aumento do consumo de combustíveis agora e podemos ser surpreendidos com o real tamanho da safra, fora a seca de setembro que pode comprometer o menos o desempenho de 2018. Vai subir!


*Leitura do Prof. Dr. Marcos Fava Neves sobre os Fatos da Cana em Setembro de 2017.

Marcos Fava Neves
Professor Titular da FEA/USP, Campus de Ribeirão Preto
Os artigos assinados são de responsabilidade de seus autores, não representando,
necessariamente, a opinião e os valores defendidos pela UDOP.
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