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Os biocombustíveis são temas de cidadania  

02/03/2018 - A defesa de projetos econômicos com real alcance social, baseados em caráter coletivo e sustentável no nosso país, tem sido um desafio árduo em todas as áreas da economia, o que fatalmente enfraquece a cidadania, tão fragilizada e desgastada em sua possibilidade de gerar direitos para o bom exercício do empreendedorismo.

Nos anos 1970, nas crises do petróleo, o etanol da cana-de-açúcar reuniu convergências para a salvação da nossa matriz energética veicular, beneficiando até hoje o meio-ambiente. Como atesta a conceituada consultoria Datagro, inclusive economizando cerca de 2,5 bilhões de barris de importação de petróleo em mais de 40 anos desde 1975, ou em torno de US$ 199.1 bilhões norte-americanos em moeda de 2015. A vocação brasileira para a chamada "agroenergia" é portanto imprescindível e natural.

O programa RenovaBio é um fato relevante e terá a sua regulamentação concluída no máximo até fins de 2019. O Sindaçúcar, com apoio da Federação das Indústrias - Fiepe e de órgãos de classe correlatos de Alagoas. Paraíba, Rio Grande do Norte, Piauí, Bahia e Maranhão, dentre outros, mobiliza-se para o evento do próximo 26 de março, e para os desafios que estarão a cargo do governo federal, exatamente na regulação do incremento competitivo do transporte veicular do país, com a introdução de nova abordagem voltada a meritocracia do carbono ou a capacidade de "descarbonização ambiental". Tudo compatível com as fórmulas matemáticas de um novo modelo que afere os ciclos de vida dos combustíveis, vis-à-vis a capacidade de gerar bônus e melhorias para a ineficiência energética no meio-ambiente.

A política de biocombustíveis, aprovada na lei 13.576/2017, ocorre totalmente em linha com os princípios preconizados nas ultimas conferencias climáticas ambientais mundiais (COP´s), o que distingue o Brasil como país ambiental correto.

Essa moderna política tem por objeto a revitalização dos biocombustíveis, acoplando-os às regras regulatórias que de fato promovam um ambiente de negócios, que foque na busca de programas de redução de emissões do efeito estufa, e, por consequência na geração de empregos com consequente atração de investimentos maciços para a atualização tecnológica, sempre que necessária, nos processos industriais e nas lavouras agrícolas, tais como: cana-de-açúcar para o etanol e os óleos vegetais, gordura animal ou ainda óleos residuais, destinados a produção de biodiesel.

Com a enorme aptidão agrícola do Brasil, onde o biodiesel já exerce um percentual de 10% no diesel, através do B10, além do etanol anidro, misturado em 27% na gasolina, temos que avançar para a obtenção de eficientes "custo x benefício" dos combustíveis limpos e renováveis, com mais segurança jurídica aos investimentos, mais previsibilidade nas regras de venda dos produtos, o que estimulará e animará os crescimentos de culturas, por exemplo, como a cana, carnaúba, mamona, dendê, pinhão manso e outras alternativas.

Vale comentar que na Alemanha, integrante da União Europeia, por exemplo, investe-se em grande em grande escala na "canola ou cola", com vistas ao fortalecimento da matriz de biocombustíveis do país, que aliás, tem seu diferenciado sempre por sua consciência verde.

Os alemães são os maiores produtores mundiais de biodiesel, a frente dos Estados Unidos, França e Itália na Europa, além de Brasil, Argentina e Colômbia, em nosso continente, o que denota a grave contradição de países como nosso detentor de um respeitável agronegócio, porém ainda contido para crescer muito mais, de forma contínua e em bases estruturantes, notadamente em novas regiões, como o Norte e Nordeste, que tanto perseguem o desenvolvimento em plataformas de produção consistentes e duradouras


*Artigo originalmente publicado pelo jornal Diário de Pernambuco.

Renato Augusto Pontes Cunha
Presidente do Sindaçúcar/PE e Vice-Presidente do Fórum Nacional Sucroenergético - FNS
Os artigos assinados são de responsabilidade de seus autores, não representando,
necessariamente, a opinião e os valores defendidos pela UDOP.
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