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Porto de Paranagu planeja avanar no mar  

14/06/2018 - O barulho quase ensurdecedor no cais de Paranagu, onde a soja percorre as esteiras, do armazm at o poro do navio. A cada hora, o equipamento chamado shiploader (carregador) despeja 2.000 toneladas do gro na embarcao. Um navio classe Panamax, o mais comum no terminal localizado no litoral paranaense, pode transportar at 65.000 toneladas.

A movimentao de cargas tem sido intensa em Paranagu neste ano. S no primeiro trimestre, a exportao de milho quase dobrou e atingiu 677.000 toneladas. O volume de farelo de soja chegou a 1,48 milho de toneladas e foi 52% superior ao embarcado em igual perodo do ano passado.

"Tivemos o melhor janeiro, o melhor fevereiro e o melhor maro da histria do porto", comemora Loureno Fregonese, que assumiu, em maro deste ano, o cargo de diretor-presidente da Administrao dos Portos de Paranagu e Antonina (APPA). O agronegcio responde pela maior parte do volume movimentado no terminal. Saem, principalmente, soja, farelo de soja, milho, acar e carnes, operao arrendada. O que mais entra fertilizante. Segundo a APPA, 40% do adubo usado no Brasil passa por Paranagu.

O porto j vem de resultado histrico em 2017. Transitou 14,2% mais carga que em 2016: 51,5 milhes de toneladas. Dos 32,6 milhes de toneladas exportadas, foram 3,5 milhes de milho, 11,4 milhes de soja, 4,5 milhes de farelo e 4,8 milhes de toneladas de acar. Dos 18,8 milhes importados, 8,8 milhes de toneladas foram de adubo.

S pelo Corredor de Exportao, que integra os terminais de gros, foram 17,4 milhes de toneladas em 2017. "Se o mercado continuar como est, com logstica funcionando, volume de carga e campo vendendo, podemos bater outro recorde neste ano", diz Loureno, falando em 55 milhes de toneladas entre importao e exportao.

Ele avalia que os nmeros resultam de massivos investimentos em produtividade. Entre 2011 e o incio deste ano, foram R$ 657 milhes em reformas de cais de atracao, dragagem, aumento de capacidade de correias de transporte, shiploaders e automao dos locais de triagem dos caminhes. Antigos armazns, inutilizados, foram demolidos, dando lugar a um ptio para carros ou cargas que demandem grande espao.

O objetivo agora adentrar mais ao mar. No lado leste, onde est o Corredor de Exportao, a APPA planeja a construo de um novo per, no formato de uma letra T. O projeto j passou por avaliaes de viabilidade e de utilizao do espao para manobras dos navios.

Do lado oeste, o primeiro bero de atracao ser estendido em 100 metros, com a inteno de ampliar a capacidade na rea de 2 milhes para 6 milhes de toneladas por ano. O investimento de R$ 183 milhes, com obra j contratada e concluso prevista em 20 meses. Tambm est nos planos um novo per no local, este na forma de um F, tambm mar adentro.

A ideia da APPA ter um segundo corredor de exportao, que ser operado por empresas privadas. "Temos um indicativo do interior de que haver um aumento de produtividade nas lavouras de 30% at 2030 e estamos nos preparando para escoar a produo. Viro novos players. Temos interessados em investir", diz Loureno Fregonese.

O Plano de Desenvolvimento e Zoneamento do Porto Organizado (PDZPO) projeta uma movimentao de 70 milhes de toneladas para 2025 e de 83 milhes em 2030, entre importaes e exportaes. No agro, as projees so de 22,3 milhes de toneladas no complexo soja, 6,4 milhes de milho, 6,8 milhes de acar e 12,5 milhes de toneladas de fertilizantes daqui a 12 anos.

Com a ampliao na parte oeste, haveria um "deslocamento" do porto nesse sentido. Com isso, existe a possibilidade do atual Corredor de Exportao, do outro lado, receber mais um bero de atracao. Segundo a APPA, depende da demanda. O corredor tem capacidade para movimentar at 20 milhes de toneladas, mas esse volume ainda no foi atingido.

" uma ideia inteligente", analisa Rodrigo Buffara Farah Coelho, gerente em Paranagu do terminal da Cotriguau, cooperativa central com quatro associados: Coopavel, C. Vale, Lar e Copacol, todas da regio oeste do Paran.

A Cotriguau opera no corredor de exportao uma estrutura com capacidade esttica de 210.000 toneladas. No ano passado, movimentou 3 milhes de toneladas. Neste ano, espera pelo menos repetir o volume em soja, milho e farelo. Nas condies atuais do porto, possvel chegar a at 3,5 milhes de toneladas, acredita Rodrigo Coelho.

Mas o terminal da Cotriguau tem capacidade para mais. Foi concebido para movimentar 5 milhes de toneladas anuais. "O uso da capacidade total depende dos investimentos pblicos na rea de gua", comenta.

Independentemente disso, a cooperativa vem investindo em estruturas. Segundo Rodrigo, apenas nos ltimos quatro anos, foram cerca de R$ 100 milhes na construo de um novo armazm, em melhorias nos fluxos de descarga e moega ferroviria e na instalao de um novo tombador, de 30 metros.

"Estamos fazendo investimentos considerando o cenrio atual. Se vierem os planos futuros do porto, estaremos adaptados para agregar isso", garante Rodrigo Coelho.

O caminho para o Porto de Paranagu passa pela BR-277. A rodovia federal corta o Paran, ligando o terminal, no litoral, a Foz do Iguau, no extremo oeste. A 277 a principal via de escoamento da safra do Estado. Integra o oeste, os Campos Gerais e o norte paranaense. A importncia dessa rota visvel pela quantidade de instalaes de empresas e cooperativas agropecurias s suas margens: silos, armazns e ptios de recebimentos de carga. Tambm se veem lavouras e estabelecimentos comerciais e de servios ligados ao setor.

A equipe do Caminhos da Safra partiu de Cascavel, importante polo da produo agropecuria, no oeste paranaense. Refez um roteiro que integrou, em 2012, a primeira edio do projeto da revista Globo Rural, que mapeia as rotas da produo agrcola brasileira.

Seis anos atrs, a constatao foi a de percorrer uma rodovia predominantemente de pista simples e, no geral, em boas condies. Mas com um preo salgado. Custou, na poca, R$ 409,02 em pedgio, valor que j era considerado elevado por representantes do setor agropecurio paranaense.

A situao atual da rodovia semelhante a de 2012. Ainda predomina a pista simples, com asfalto em condies que possibilitam ao usurio desenvolver velocidade at os limites permitidos. Entretanto, o pedgio ficou ainda mais caro.

Com base nos valores divulgados pela Associao Brasileira de Concessionrias de Rodovias (ABCR), percorrer a BR-277 chega a custar R$ 679,80 para um caminho de seis eixos e R$ 793,10 para um de sete eixos. Todas as praas so bidirecionais, cobram nos dois sentidos. A receita dividida entre as quatro empresas que detm a concesso.

Um estudo publicado pela Organizao das Cooperativas do Estado do Paran (Ocepar), em maro deste ano, d uma ideia do efeito do pedgio no transporte da safra. A anlise incluiu 27 praas de pedgio nas rotas de escoamento mais importantes. Usou como referncia um caminho de cinco eixos, com capacidade para at 27 toneladas.

Entre Foz do Iguau e Paranagu, as tarifas chegam a representar 22,38% do custo do transporte. Quando o ponto de partida Cascavel, a proporo de 19,67%. O menor impacto ocorre de Campo Mouro a Paranagu: 12,69%. Mesmo nas praas mais prximas do porto, a tarifa pode ser considerada alta, conclui o estudo da Ocepar.

"Isso impede que eu remunere melhor o meu cooperado. O pedgio algo inacreditvel", lamenta Roger Lehmann, gerente de compras e distribuio da Cooperativa Agrria Agroindustrial, sediada em Guarapuava.

A Agrria leva a Paranagu todo ano cerca de 300.000 toneladas de farelo de soja e 10.000 toneladas de leo. Na volta, so trazidas 500.000 toneladas anuais de fertilizantes, cevada cervejeira e malte importados.


Ferrovia

Se a rodovia cara, a ferrovia, que poderia ser uma alternativa para o oeste do Paran, tambm motivo de lamento. Atualmente, o escoamento da safra por trem a partir de Cascavel feito pela estatal Ferroeste at Guarapuava. De l at Paranagu, concesso privada.

Para o presidente da Coopavel, Dilvo Grolli, essa estrutura deixa o oeste menos competitivo. Ele diz que, para o concessionrio, usar o trecho pblico significa pagar direito de passagem ao Estado, custo inexistente em linhas onde ele tem a concesso integral. Dessa forma, operar trem entre Guarapuava e Cascavel fica menos interessante.

Tanto , acrescenta Dilvo, que, dos 9 milhes de toneladas transportadas de trem para Paranagu em 2017, 436.000 toneladas eram do oeste. A maior parte saiu do norte paranaense. Segundo ele, a necessidade da regio hoje de infraestrutura ferroviria para 5 milhes de toneladas anuais.

"A soluo seria construir outra ferrovia, de Cascavel a Paranagu, com descidas na serra em Guarapuava e Serra do Mar, para no futuro integrar Mato Grosso do Sul e Paraguai. No adianta sonhar que a atual vai nos atender. Sem uma nova ferrovia, fica comprometida at a ampliao do porto", diz o presidente da Coopavel.

*Matria publicada em junho de 2018 na edio 392 da revista Globo Rural

Raphael Salomo
Fonte: Globo Rural
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