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Petrobras reduz ritmo de reajustes da gasolina e gera dvidas no mercado  

10/08/2018 - A Petrobras reduziu o ritmo de reajustes nos preos da gasolina nas refinarias aps os protestos de caminhoneiros e a sada de Pedro Parente do comando da estatal, em uma nova dinmica que est gerando dvidas entre especialistas sobre o alinhamento da poltica da empresa ao mercado internacional.

De 1 de junho at esta sexta-feira, foram 22 as vezes em que a petroleira manteve as cotaes da gasolina estveis nas refinarias de um dia para o outro.

A quantidade contrasta com os 13 reajustes nulos efetivamente reportados pela estatal num prazo bem maior, entre julho do ano passado, quando entrou em vigor a poltica de oscilaes dirias, at o final de maio, em meio s manifestaes dos caminhoneiros contra a alta do diesel.

Na prtica, a volatilidade (desvio padro) nos ltimos pouco mais de dois meses foi da ordem de 4,5 por cento, enquanto em todo o perodo anterior a junho atingiu quase 18 por cento.

A Petrobras disse que sua poltica "permanece inalterada".

" importante esclarecer que no perodo em questo as flutuaes nos preos do petrleo e derivados, na taxa de cmbio e em outras variveis contriburam para que no fosse necessrio fazer o reajuste com a periodicidade mais frequente", disse a companhia.

A poltica de reajustes dos combustveis em linha com o mercado internacional e o cmbio, dentre outros fatores, foi instituda pela Petrobras em outubro de 2016, sendo que a partir de julho de 2017 passou a contar com oscilaes praticamente dirias nos valores de diesel e gasolina.

Com a poltica agressiva de preos, que ajudou a inflamar os caminhoneiros, a empresa buscou brigar com importadores por participao de mercado no Brasil, alm de acompanhar a paridade internacional.

Mas uma disparada no barril do petrleo para perto de 80 dlares neste ano levou as cotaes de diesel e gasolina a mximas nas refinarias e nos postos, desembocando nos protestos de maio.

Na esteira das manifestaes, Pedro Parente deixou o comando da empresa, a qual recorreu a uma subveno econmica oferecida pelo governo para o setor congelar o valor do diesel o combustvel mais consumido no pas no sofre reajustes nas refinarias desde 1 de junho, cotado a 2,0316 reais por litro.

Para sbado, a Petrobras anunciou que manter o preo da gasolina em 1,9002 real por litro. O patamar representa queda de 3,4 por cento desde junho, enquanto os futuros de petrleo Brent e gasolina RBOB caram 6,7 e 7,3 por cento, respectivamente.

Ainda que tenha cado menos, o preo da gasolina da Petrobras segue abaixo dos valores internacionais do derivado, segundo analistas.


Dvidas

O espaamento maior entre um reajuste e outro mostra que "a poltica de preos da Petrobras realmente mudou depois que o (Pedro) Parente saiu", disse o diretor da consultoria Valncio, especializada em combustveis, Bruno Valncio.

"Aps a sada dele, h uma preocupao scio-poltica na empresa", acrescentou o especialista, que no descarta uma mudana interna na poltica de reajustes ou mesmo uma possvel ingerncia poltica na petroleira.

Para a pesquisadora Fernanda Delgado, da FGV Energia, a reduo no ritmo de reajustes decorrncia direta da presso aps os protestos dos caminhoneiros.

"O problema foi jogado para a ponta da ponta... A refinaria onde voc tem algum controle (de preo) hoje", afirmou ela, que defende a continuidade dos desinvestimentos pela Petrobras, em especial em refinarias, como forma de aumentar a concorrncia e, potencialmente, contribuir para a reduo nos preos dos combustveis.

"Nada faz sentido se no continuarem os desinvestimentos, a venda de participao nas refinarias. No adianta que a (reguladora) ANP se organize, que tenha uma poltica de preos bem organizada, se no for seguido o plano de desinvestimentos da Petrobras no `downstream."

A companhia props em abril vender 60 por cento de sua atividade de refino nas regies Sul e Nordeste do pas, mas o processo se arrasta sem um desfecho claro dado o pouco interesse de investidores e uma deciso judicial de que vendas de empresas controladas pelo Estado dependem de aval do Congresso.

Walter De Vitto, analista e scio da Tendncias Consultoria, disse que, do ponto de vista da empresa, essa mudana nos reajustes "no boa, porque a Petrobras tem de ter liberdade para marcar preos alinhados a mercado".

"No camos no mundo em que ela estava levando prejuzos, mas leva-se leitura que cedeu insatisfao geral", afirmou, acrescentado que os reajustes, mesmo espaados, tm seguido o exterior, "mas um degrau abaixo", ou seja, com preos inferiores aos do mercado internacional.

O presidente da consultoria Datagro, Plinio Nastari, destacou que ao longo de 2018 o valor da gasolina praticado pela Petrobras est, de fato, cerca de 10 por cento abaixo do preo do produto importado e internalizado.

"Esse padro de certa forma no mudou, embora o ideal fosse que a Petrobras acompanhasse o preo sem um diferencial. O diferencial no mudou, o que mudou foi a frequncia (de reajustes)", destacou Nastari.

Jos Roberto Gomes
Fonte: Reuters
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