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necessrio recuperar a confiana  

06/09/2018 - O Brasil passa por um dos piores momentos da sua histria na rea econmica e poltica, e, ultimamente, estamos fazendo mais um trabalho de psicologia, tentando levantar o moral dos nossos compatriotas, do que sendo analista em busca de cenrios positivos que acabam por moldar as estratgias empresariais. Isso no muito diferente no setor sucroenergtico, que tambm passa por tempos de provao, exigindo criatividade e resilincia de executivos e empresrios do setor.

Se, por um lado, as grandes transformaes globais podem ajudar as cadeias econmicas mais tradicionais, por outro, a inovao pode balanar as estruturas e desorganizar sistemas econmicos centenrios e j consolidados. No mundo do agro, no muito diferente, alis, na minha opinio, veremos mudanas at maiores nos prximos anos, simplesmente porque o campo de trabalho extremamente vasto, com resultados que podero aparecer no curto prazo.

Esse processo geralmente requer um trip muito importante. Inicialmente, necessrio ter uma ideia inovadora, que normalmente nasce a partir de um problema identificado; depois, preciso ter a engenharia financeira ou um ecossistema inovador que possibilite essa ideia ser desenvolvida.

Por fim, preciso encontrar um ambiente de aceitao do novo por parte daqueles que podero efetivamente usufruir da proposta, na qual tambm inclumos a abertura por parte das autoridades reguladoras. Esse movimento exemplificado pelo mundo das startups, algumas delas j com grande sucesso.

Na indstria em geral, se fala muito no 4.0, com uma grande transformao com a robotizao e a digitalizao dos processos, sensores que do maior capacidade de gerenciamento, correo dos problemas com menor tempo e melhoria dos processos produtivos com mais facilidade. A gerao de dados virou uma febre, falta agora saber a melhor forma de organiz-los e o que faremos com eles. Da mesma forma, o agro caminha para o 4.0.

nesse novo mundo, em constante e rpida transformao, que o setor sucroenergtico brasileiro precisa se renovar e se remodelar. As estratgias de longo prazo precisam levar em conta as macrotendncias mundiais e suas consequncias sobre o setor, sendo a primeira os avanos tecnolgicos j abordados.

Passamos por uma mudana rpida na demografia, com um crescimento e envelhecimento da populao, associada a uma urbanizao acelerada, com a migrao do campo. Soma-se a essas trs tendncias o deslocamento do poder econmico mundial, principalmente com o crescimento do poderio chins, alm, claro, da preocupao cada vez maior com as mudanas climticas, que, em geral, causa escassez de recursos.

Analisando de perto essas tendncias, possvel concluir que o setor sucroenergtico est totalmente inserido nesse contexto, com oferta de alimento e energia limpa. Contudo estamos no Brasil, e as incertezas econmicas, polticas e institucionais tm tirado principalmente a confiana to necessria aos novos investimentos, principalmente na entrada de novos players. Da mesma forma, a falta de confiana no futuro tem afastado jovens talentos e profissionais capacitados do setor.

Algo precisa ser feito, necessrio recuperar a confiana. Atualmente, o setor tem recebido forte presso devido aos vultosos subsdios de pases produtores de acar, alm de campanhas negativas contra o seu uso, com alto potencial de impacto no consumo do produto.

Pelo lado da energia, h um grande movimento mundial em favor do carro eltrico a bateria, principalmente associado ao aumento do uso de energia solar fotovoltaica, um verdadeiro rolo compressor que prega o uso de considerveis benefcios com recursos por parte dos fabricantes de equipamentos, governos e, tambm, pelo mercado financeiro.

A busca da soluo comea dentro do prprio setor. A procura da eficincia e de menores custos precisa ser intensificada; o setor precisa ficar mais competitivo, para isso ser preciso produzir mais sacarose por hectare de cana. A tecnologia est pronta para atender ao setor, preciso intensificar a conectividade do campo com a gesto, os dados precisam ser coletados, transmitidos e auxiliar na tomada de deciso.

Um associado da Siamig, recentemente, reportou um fato que corrobora essa anlise. A aplicao de defensivos realizada com mquinas coloca, muitas vezes, os colaboradores das usinas em um trabalho solitrio e distante da unidade industrial. Em uma rea de 500 hectares, percebeu-se, de um ano para outro, uma perda de produtividade de mais de 20% com o aparecimento de uma praga especfica, em contraponto com o restante das reas da empresa. Aps a anlise do fato, ficou constatado que o funcionrio no havia aplicado o produto na rea especfica no momento correto. Se existisse um sistema de monitoramento interligado, o erro provavelmente teria sido corrigido rapidamente, e o prejuzo seria mnimo.

Para tal, necessria uma maior organizao no ambiente de pesquisa e de desenvolvimento do setor no Brasil, seja no ambiente digital, industrial e principalmente no agrcola. H uma escassez de recursos geral que tem prejudicado as poucas aes hoje existentes.

Devido atual situao financeira do governo brasileiro, constata-se que a soluo passa principalmente pelo setor privado. Iniciativas como o etanol de segunda gerao, a cana transgnica ou transformaes nos sistemas de produo podem ser aceleradas em um ambiente como esse.

Com a casa arrumada, necessrio um trabalho no ambiente institucional. A primeira ao a consolidao das regras do mercado de combustveis no Brasil. Essa proposta passa por 4 pontos: regras de precificao clara dos derivados, aumento da concorrncia no mercado de distribuio, o fim do monoplio, de fato, do refino e do transporte por duto, pela Petrobras, e, claro, pela implantao definitiva do RenovaBio. Sem dvida, essas quatro aes alterariam sobremaneira a percepo do mercado, tanto de produtores quanto de investidores, sobre o futuro do etanol no Brasil.

Tambm no campo institucional, que envolve todo o setor exportador brasileiro, imprescindvel que o Brasil mude sua postura nas negociaes comerciais com o mundo. Nosso pas tem mais de 200 milhes de habitantes, com um grande mercado consumidor, somos grandes exportadores de commodities e precisamos ter mais efetividade no comrcio internacional.

Por fim, o setor precisa se comunicar com a sociedade, um investimento constante e institucional. No d mais para negligenciar o fato de que, apesar de o setor realizar um grande trabalho, tanto de cunho ambiental quanto econmico e social, h um srio preconceito que ronda todas as aes desse setor to importante para a sociedade brasileira.

Isso no uma suposio, mas sim uma constatao; existe sim uma m vontade generalizada contra o setor de cana no Brasil, e, para resolver isso, ser preciso investir. necessrio engajar toda a cadeia, do produtor de insumos ao produtor de cana e indstria de mquinas, enfim, todos que, de uma forma ou de outra, se beneficiam de um segmento que gira mais de R$ 100 bilhes todos os anos.

Por fim, o futuro do setor passa pelas suas prprias mos; teremos muitos "inimigos" pela frente, setores muito bem organizados e conectados com a mais alta tecnologia e com as macrotendncias mundiais, mas a resilincia e o empreendedorismo que nos trouxeram at aqui podero, com um pouco mais de organizao, estratgia e esprito de grupo, nos trazer de volta o protagonismo de outrora.

*Texto originalmente publicado na revista Opinies (Jul-Set 2018).

Mrio Campos Filho
Presidente do Siamig - Associao das Indstrias Sucroenergticas de MG
Os artigos assinados so de responsabilidade de seus autores, no representando,
necessariamente, a opinio e os valores defendidos pela UDOP.
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