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Resta torcer pelos preços do petróleo  

26/02/2019 - Nesta análise mensal seguem os principais números e as reflexões tanto para o curto, médio e longo prazo da cadeia agroindustrial da cana à partir dos fatos de janeiro.

Na safra, até o final de janeiro, processamos já 563,29 milho-es de toneladas, bem menos que o mesmo período da safra passada (583,83 milho-es de toneladas). Foi produzido 26,36 milho-es de toneladas de açúcar, grande queda sobre as 35,83 milho-es de 2017/18. Para o etanol, foram feitos 30,29 bilhões de litros (9,18 bilhões de anidro e 21,10 bilhões de hidratado). No hidratado o aumento é de 43,3%.

Apesar de terem caído, os resultados da São Martinho foram bons no primeiro trimestre. Conseguiu mesmo com esta situação de preços adversos, ter um lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) de R$ 417,3 milhões (margem Ebitda de 49,5%). Já no caso da Biosev, o Ebitda recuou cerca de 20%, ficando em R$ 471,6 milhões, com margem Ebitda de 38,47%. Quando se coloca o peso da dívida, ai vem o prejuízo. O resultado operacional das empresas é bom, o problema... a dívida.

Segundo a BP, o consumo de energias renováveis deve crescer 175% até 2040, ao redor de 4,5% ao ano. É uma boa taxa, mas menor que a do período 1995 até 2017, quando esteve pouco acima de 7,5%. A projeção da empresa é que em 2040 de todos os combustíveis líquidos consumidos no Brasil, cerca de 22% serão biocombustíveis.

Chuvas voltaram bem ao centro-sul neste mês, e devem ajudar na recuperação dos canaviais, mas não devem alterar as 570 milhões de toneladas esperadas na safra 2019/20.

Em relação às reflexões dos fatos e números do açúcar, finalmente a queda de preços do açúcar se reflete em menor estimulo de produção. Na Europa as dificuldades são enormes e as exportações devem cair bastante. Segundo a empresa Cristal Union, entre 10 a 20 unidades industriais fecharão na Europa e outras culturas podem ocupar o espaço da beterraba. Antes tarde do que nunca.

Espera-se que a produção na Índia caia devido à seca que reduziu parte do plantio. Já há estimativas abaixo de 30 milhões de toneladas de açúcar no cicl0 2018/19 contra o recorde de 32,5 milhões de toneladas em 2017/18 e exportações na casa de quase 3 milhões de toneladas. Estima-se que os subsídios da Índia prejudiquem as usinas brasileiras em cerca de US$ 1,5 bilhão por ano, e o Brasil finalmente deve denunciar na OMC contestando apoio aos produtos e subsídios de exportação.

A vantagem que o etanol tinha em relação ao açúcar caiu bastante. A Datagro já prevê que faremos 28,8 milhões de toneladas de açúcar em 2019-2020 no Centro-Sul, quase 9% acima da safra anterior. Mesmo assim, a empresa acredita em déficit de 3,05 milhões de toneladas na safra atual (outubro a setembro) e de 8,94 milhões de toneladas em 2019-2020.

As vendas do açúcar brasileiro em 2018 tiveram as seguintes participações: em primeiro lugar a Alvean com 3,45 milhões de toneladas (22% a menos) e 18,6% do total exportado, Wilmar com 3,3 milhões de toneladas e 17,9% do total, Sucden com 2,9 milhões de toneladas (15,6%), a Dreyfus com 1,5 milhão de toneladas (7,9%) a quinta foi a Copa Shipping (1,4 milhão de toneladas e 7,4%) e a sexta foi a Nolis, 1,15 milhão de tonelada e 6,2% do total).

Açúcar pelo CEPEA está em R$ 69 a saca de 50 quilos do cristal, aumento de 0,38% no mês. Na Bolsa de NY rodando ao redor dos 13 centavos/libra peso, com tendência a estabilidade nestes próximos dois meses até que alguns fatos listados acima fiquem mais claros.

Em relação às reflexões dos fatos e números do etanol e energia, segundo a Agência Nacional de Petróleo (ANP) o Brasil em 2018 consumiu 0,03% a mais, um total de 136,1 bilhões de litros. O destaque foi o diesel, que cresceu 1,6% atingindo 55,6 bilhões de litros e o etanol, que cresceu 42,1%, para 19,4 bilhões de litros, atingindo 14,2% do total consumido por toda a frota. O consumo de gasolina caiu 13,1%, para 38,3 bilhões de litros pela substituição do etanol. Em 2018 o consumo do ciclo Otto caiu 3% em gasolina equivalente. Apenas em um ano a frota flex consumiu 6 bilhões de litros a mais. A paridade média do ano foi de 66% e no ciclo Otto foi conquistado 46% do consumo total.

Desde o início da safra vendemos 25,69 bilhões de litros (18,06 bilhões hidratado e 7,63 bilhões de anidro). Representa 35% a mais. De acordo com a UNICA, na segunda quinzena de janeiro as vendas de etanol pelas Usinas foram de 960 milhões de litros, 32,3% a mais que o mesmo período do ano anterior. Na soma do mês foram 1,83 bilhão de litros, 32,4% maior. Conseguiu superar dezembro em 2,16%.

Em janeiro foram produzidos 100 milhões de litros de etanol de milho. Segundo a CONAB o consumo de milho no Brasil na safra 2018/19 deve aumentar 4,4% chegando a 62,5 milhões de toneladas, em parte pela demanda das usinas de etanol.

No começo de fevereiro os preços do hidratado na bomba estavam em média R$ 2,592/l, representando 64% do preço da gasolina e um preço médio cerca de 10% menos que fevereiro de 2018. Nas usinas o preço está cerca de 14% menor que o do mesmo período do ano passado. Em 15 de janeiro os estoques estavam em 4,5 bilhões de litros nas usinas, cerca de 70% acima do ano passado. Este estoque deve ser consumido até o inicio da safra. Porém, por estarem elevados derrubaram preços do hidratado para R$ 1,55 nas usinas e o anidro a R$ 1,73/l. Temos que torcer pelo petróleo. A Global Platts acredita que o petróleo volte aos US$ 70/barril até o final do ano apesar da queda recente.

Finalizando... qual seria a minha estratégia com base nos fatos? O que observar agora em fevereiro/março: Torcer para um consumo grande de etanol hidratado em fevereiro e março para ajudar a derrubar os estoques e começar a safra com perspectivas melhores. Como os preços do petróleo estão estáveis e a gasolina deve permanecer com este preço, o consumo de hidratado deve ser forte. A FCStone acredita que hoje o etanol esteja a um preço de 14,39 dólares por libra-peso do açúcar. Temos que acompanhar: clima, consumo, petróleo, gasolina, câmbio e a evolução dos estoques neste mês de março. Acredito em melhoria.

Prof. Dr. Marcos Fava Neves
Professor Titular (em tempo parcial) das Faculdades de Administração da USP em Ribeirão Preto e da FGV em São Paulo, especialista em planejamento estratégico do agronegócio
Os artigos assinados são de responsabilidade de seus autores, não representando,
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