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Prêmios da soja caem mais de 25% nos últimos 30 dias e travam ainda mais os negócios  

23/04/2019 - O Brasil segue embarcando bons volumes de soja neste mês, embora tenha registrado, na última semana, um recuo nos embarques diários, segundo mostraram números da Secex (Secretaria de Comércio Exterior). A média diária foi de 477,5 mil toneladas na semana que passou, contra mais de 504 mil na semana anterioe e também frente a abril de 2018, quando a média foi de 488,5 mil toneladas/dia sendo embarcadas.

Esta redução no ritmo dos embarques, como explicam analistas e consultores de mercado, se dá com o ritmo mais lento também na efetivação de novos negócios. Com preços pouco atrativos e prêmios ainda com extrema dificuldade de recuperação, os vendedores permanecem retraídos e na espera por melhores oportunidades.

"Nesta última semana, o ritmo dos embarques caiu e a diferença que estava em 5 milhões de toneladas caiu agora para a faixa das 3,9 milhões, e deverá cair novamente esta semana porque os fechamentos para a exportação têm caído nas últimas semanas", explica Vlamir Brandalizze, consultor da Brandalizze Consulting.

Nos últimos 30 dias, os prêmios de algumas posições de entrega nos portos do Brasil perderam muita força e desestimularam ainda mais os negócios. No abril, houve um recuo de 32,50% - de 40 para 27 cents de dólar por bushel sobre os preços de Chicago - 40% no maio e 27,27% no julho, onde o valor passou de 55 para 40 centavos de dólar.

E um levantamento da Brandalizze Consulting mostra que enquanto os prêmios dos compradores oscilam nestes intervalos, os valores pedidos pelos vendedores têm, em média, US$ 0,90 para as posições abril e maio e US$ 1,00 por bushel acima da CBOT para junho e julho.

"Estamos com volumes recordes de exportação, abril muito forte ainda, mas são vendas feitas lá trás, no ano passado. Não estamos conseguindo vender coisas novas, nossos prêmios estão muito baixos. E no ano passado, em pleno processo de guerra comercial (China x EUA) tínhamos prêmios de US$ 2,00 por bushel", explica o chefe do setor de grãos da Datagro, Flávio França Junior.
O cenário do mercado global de soja permanece atípico depois da mudança de dinâmica desde a instalação deste conflito entre chineses e americanos e pesa sobre a comercialização brasileira.

"Neste momento deveríamos estar vendendo mais, mas justamente não estamos vendendo porque a demanda está estreita. A China está comprando menos porque, em partes, seu consumo está menor. Mas há também uma parte grande de estratégia. Eles estão em vias de fazer um acordo com os EUA e, se vai de fato fazer isso, não faz sentindo a China sair comprando soja de outros países", ainda como explica França.

Enquanto isso, seguem se abastecendo da soja comprada anteriormente e que está sendo embarcada no Brasil agora e, caso não haja um consenso com os EUA, seguirão focando sua demanda na América do Sul, especialmente no Brasil. "E isso me parece bastante racional neste momento", diz.

O executivo explica, assim como outros analistas e consultores de mercado, que o produtor brasileiro segue encontrando no câmbio tão somente algum diferencial para formular seu preço. Com pequenas altas do dólar, as cotações sobem ligeiramente, sem definir qualquer tendência ou promover grandes operações de venda.

Também nos últimos 30 dias, as referências para a soja disponível nos principais portos do Brasil recuaram. Em Paranaguá, baixa de 2,80%, passando de R$ 78,50 para R$ 76,30, e em Rio Grande, de 2,83%, para R$ 75,60, contra R$ 77,80 em 22 de março.

E o representante da Datagro complementa dizendo que, de fato, este não é um bom momento para vender soja no Brasil. O ideal agora - com cerca de 52% da safra 2018/19 comercializada no Brasil - é monitorar tudo o que ainda está para acontecer com a safra norte-americana, com a guerra comercial e esperar por uma melhora nas cotações que poderia vir de novos ganhos via Bolsa de Chicago ou via prêmio.

E explica ainda que essas vendas aconteceriam somente por necessidade ou elevação mais expressiva do dólar. Nesta manhã de terça, a moeda americana trabalha com alta de 0,30% para ser cotada a R$ 3,945.

Apesar de tudo, isso, ainda segundo Vlamir Brandlizze, o Brasil deverá enfrentar uma oferta bem mais escassa e disputada no segundo semestre deste ano.

"Os números são muito fortes e dão sinais de que no segundo semestre do ano teremos aperto no abastecimento porque as exportações terão levado grande parte da safra brasileira e sobrará pouco para ser negociado internamente", acredita o consultor.

Em todo o ano, o Brasil já embarcou recordes 23,9 milhões de toneladas de soja, contra pouco mais de 20 milhões no mesmo período de comparação com 2018. Em todo o complexo da oleaginosa, as exportações brasileiras já contabilizam 28,9 milhões de toneladas, enquanto há um ano eram 25,3 milhões. A receita gerada pelo complexo é de US$ 2,8 bilhões, e lidera a pauta de exportações brasileiras, seguida pelo petróleo - com US$ 2,2 bilhões - e pelo minério de ferro - US$ 632,4 milhões.

Carla Mendes
Fonte: Notícias Agrícolas
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