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A cana renasce no Nordeste
Publicado em 01/01/2003 às 00h00
Não é possível contar a história do Brasil sem destinar páginas e mais páginas à cultura canavieira. A cana-de-açúcar chegou em nossas terras junto com os primerios colonizadores e era item obrigatório na bagagem desses desbravadores. Após dias e dias de viagem confinada nos porões das caravelas, essa resistente gramínea - que para uns é originária da Índia, para outros da Melanésia - sentiu-se em casa ao tocar o solo brasileiro, propagou-se e constitui-se como a primeira atividade econômica organizada do Brasil colônia. Em 1630 havia mais de 150 engenhos produzindo cerca de 2 milhões de arrobas de açúcar. No século XVII, a exportação de açúcar rendeu quase 200 milhões de libras esterlinas à Cora portuguesa. De 1700 a 1850, a colônia exportou cerca de 450 milhões de arrobas, passando a ser a maior fornecedora mundial de açúcar.



Se não dá para dissociar a agricultura canavieira de nossa história, também não é possível contar a história da cana sem abordar a região Nordeste do País. Apesar dos primeiros engenhos terem sido instalados na capitania de São Paulo, a maior proximidade da Corte portuguesa favoreceu aqueles implantados na região Nordeste. A capitania de Pernambuco registra sua primeira exportação de açúcar em 1521 e em 1590 destacava-se por meio da produção de açúcar como a mais importante da colônia.



Crises ao longo dos séculos, o setor açucareiro nacional enfrentou diversas crises decorrentes da concorrência com os países mais próximos da Europa devido à retração do mercado internacional, à falta de planejamento administrativo, de mão-de-obra especializada para realizar os reparos necessários e à presença de tecnologia ultrapassada. Mesmo assim, até fins do século XIX a cana-de-açúcar ainda era o principal produto agrícola do País, quando perdeu o posto para o café.



Também é nesse período que o setor canavieiro nordestino perde o trono para São Paulo, que se favoreceu pelas condições climáticas, solo fértil, topografia plana, preços favoráveis, maior mercado consumidor e mão-de-obra especializada. Ao Nordeste restou o mercado externo. Mas em 1924 a economia açucareira nordestina atravessa nova crise, ocasionada pela queda das exportações e pelo aumento da produção açucareira em São Paulo. Foi um golpe fatal e, em muitos casos, a produção nordestina apenas se mantinha graças à intervenção governamental que visava a estabilidade dos preços do açúcar e dava um suporte à produção nordestina contar a expansão das usinas paulistas e fluminenses.



Com a criação do Instituto do Açúcar e do Álcool (IAA) em 1933, e depois do Proálcool, na década de 70, a cultura canavieira nordestina continuou respirando, mas a situação ainda não era das melhores, principalmente para Pernambuco, que perdeu o posto de segundo maior produtor para Alagoas. Na década de 80, a produção estabilizou-se. Em 1986, por exemplo, a produção nordestina alcançou 70 milhões de toneladas. Mas nos anos 90 e após quatro grandes secas, a desregulamentação do setor e o fim da tutela do governo - como costumam dizer - levaram a produção a despencar para a casa dos 40 milhões de toneladas. O cenário foi de quebradeira, desemprego e o nordestino, além de presenciar tradicionais usinas deixando de moer, viu seus industriais e suas fábricas seguirem para o Centro-Sul.



Raio X do setor nordestino - com exceção de Alagoas, nos demais Estados a cultura canavieira encolheu drasticamente e apenas recentemente os golpes foram assimilados. Passaram-se, então, a desenvolver mecanismos para aos poucos recuperar a produção perdida.



(...)



Pernambuco - tradição e novas fronteiras canavieiras



Em Pernambuco, a atividade canavieira se fundiu à cultura de seu povo. Há muitos anos o Estado deixou o posto de maior produtor de cana. Mesmo assim, em nenhum outro lugar do Brasil encontram-se tantas referências sobre a agroindústria canavieira. Pernambuco não foi apenas um grande produtor de cana e um mestre em açúcar, é também um grande exportador de especialistas canavieiros. Os grandes produtores alagoanos são descendentes de pernambucanos. O primeiro grupo nordestino a invadir o Centro-Sul (Tavares de Melo) é pernambucano. José Pessoa de Queiroz Bisneto, o segundo maior "engolidor" de usinas (só perde para Rubens Ometto Silveira Mello), também é pernambucano. Engenheiros, técnicos e administradores pernambucanos estão espalhados pelas unidades de norte a sul do País. Até mesmo fornecedores de cana de Pernambuco resolveram cultivar cana em Minas Gerais.
Fonte: IDEA News - Ano 4 - Número 28 - Janeiro de 2003
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