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Subprodutos da cana se tornaram fonte de receita
Publicado em 23/06/2003 às 00h00
Os subprodutos da cana ganham a atenção do mercado e chegam até mesmo a ameaçar a importância dos produtos principais, o açúcar e o álcool. A energia co-gerada a partir da queima do bagaço de cana é vista como alternativa à ameaça de desabastecimento e atrai o interesse de distribuidores internacionais. Já os resíduos de produção - como a vinhaça e a torta de filtro - têm sido cada vez mais utilizados como fertilizantes com bons resultados para a agricultura.



As vantagens nutricionais da vinhaça e da torta de filtro são conhecidas há várias décadas e algumas unidades de produção já os utilizam desde a década de 70, mas o uso destes subprodutos aumentou sensivelmente em 1999, quando houve a mudança cambial e os adubos químicos encareceram. Segundo o pesquisador Ailto Antonio Casagrande, professor da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Jaboticabal, as usinas buscam agora racionalizar o uso e melhorar o aproveitamento dos subprodutos para reduzir a utilização de adubos químicos. O professor afirma que o Brasil é o país mais desenvolvido na utilização dos subprodutos da cana na lavoura.



A vinhaça é um resíduo do processo de destilação, fonte rica em potássio e que também tem cálcio, magnésio, enxofre e micronutrientes. Cada litro de álcool fabricado gera outros 13 litros de vinhaça com diferentes teores de potássio de acordo com a origem. O produto originário do melaço, resíduo da fabricação do açúcar, possui uma concentração de quatro a oito vezes maior do que a gerada na fabricação de álcool. Casagrande explica que o produto era inicialmente despejado nos rios, poluindo os cursos d´água. Apesar do valor nutricional do produto ser conhecido desde a década de 50, uma das primeiras unidades a utilizar a vinhaça na adubação foi a Usina da Pedra, de Serrana, em 1974.



Na mesma época, começou a ser utilizada a torta de filtro, mistura de bagaço moído e lodo da decantação. Hoje, o modo de aplicação do produto é testado de diferentes formas nas unidades de produção, desde a aplicação da área total até nas entrelinhas ou nos sulcos de plantio. Casagrande ressalta que a torta de filtro é um adubo orgânico que proporciona resultados espetaculares. O produto é rico em fósforo, além de ser fonte de cálcio, magnésio, enxofre e micronutrientes. "Além dos benefícios à agricultura, a grande vantagem da utilização desses resíduos é retornar ao solo o que a planta extraiu", explica o professor da Unesp.



Pesquisas em usinas da região de Ribeirão Preto apontam que as diferentes técnicas de substituição de adubos químicos proporcionam uma economia média de US$ 60 por hectare. Além da redução nos custos de plantio, o aproveitamento dos resíduos foi responsável por reduzir a poluição ambiental, já que os produtos eram anteriormente despejados nos rios. A utilização de vinhaça e torta de filtro foi um dos fatores responsáveis por colocar a Companhia Energética Santa Elisa em situação de destaque na pesquisa realizada pelo economista cubano Manuel Valdés Borrero em sua tese de doutorado na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). O trabalho analisou impactos ambientais em três usinas - além da Santa Elisa, foram analisadas a São José Rio das Pedras, de Piracicaba, e a Ester, de Cosmópolis - entre os anos de 1987 e 1997. O objetivo do trabalho foi criar uma metodologia para analisar os impactos.



ENERGIA - Mas entre os subprodutos da cana, o que tem recebido maior atenção nos últimos anos é o bagaço, principalmente devido à sua utilização como fonte de energia. As usinas são auto-suficientes na geração de energia e muitas têm feito investimentos para fornecer o excedente para distribuidoras. A maior compradora atualmente é a Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL), pioneira na utilização da biomassa.



A Companhia Geral de Distribuição Eléctrica (CGDE), de origem portuguesa, também fez parcerias com usinas do interior paulista para incentivar a co-geração. Outras empresas de capital estrangeiro também estão de olho no potencial energético das usinas. A norte-americana Besicorp firmou um contrato com a Univalem, de Valparaíso, e juntas investirão US$ 180 milhões na construção de uma térmica mista, movida a bagaço e a gás. A unidade será instalada ao lado da usina, que fica distante seis quilômetros do gasoduto Brasil-Bolívia, e deverá gerar 240 MW em três anos. O professor Casagrande afirma que a co-geração registra também uma função social importante por fornecer um produto que falta no País e pode gerar empregos.
Fonte: Trecho do Balanço Ambiental Gazeta Mercantil Interior de São Paulo - Caderno 6
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