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Experiência a Serviço do Ambiente
Publicado em 29/05/2006 às 00h00
Uma fazenda centenária incrustada na principal região canavieira do País desenvolve um trabalho pioneiro de preservação ambiental, incentivo aos recursos humanos e busca do desenvolvimento sustentável. O trabalho foi realizado na Fazenda Santa Isabel, em Guariba, de propriedade de Roberto Rodrigues, presidente da Associação Brasileira do Agribusiness (Abag) e ex-secretário de Estado da Agricultura . Rodrigues assumiu a direção em 1967 - a fazenda pertencia à família havia duas décadas - e implantou um plano de desenvolvimento baseado em três vertentes: busca da tecnologia, valorização dos funcionários e recuperação dos recursos naturais. "Esse foi o tripé que orientou todo o trabalho desenvolvido na fazenda", diz. A implantação dos programas levou a área a ser reconhecida como um verdadeiro modelo.


Na área de tecnologia, a fazenda foi a primeira a introduzir a soja na rotação de cultura com a cana, em 1970, e até mesmo a instituir o plantio orgânico. Segundo Rodrigues, a busca constante para introduzir novas tecnologias garantiu à fazenda o pioneirismo na utilização de máquinas, equipamentos e variedades de plantas. Desde que assumiu a fazenda, o ex-secretário criou um modelo de incentivo à educação, assistência social e de saúde aos funcionários e suas famílias. "Demos bolsas de estudos para filhos de empregados e, em todos esses anos, já ajudamos mais de 20 a concluir universidade, inclusive em cursos como medicina, direito e engenharia, e um número semelhante a finalizar cursos técnicos." No ano passado, os funcionários da Santa Isabel começaram a receber participação nos resultados e o benefício será repetido este ano. Na área de saúde, desde o início, Rodrigues fez convênios com hospitais e com a Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto para realização de exames laboratoriais nos trabalhadores. Os proprietários da fazenda buscaram utilizar técnicas agrícolas que garantissem a conservação do solo, além de aumentar as reservas com um programa de reflorestamento.


Há 15 anos, foi iniciado um levantamento em áreas remanescentes de vegetação nativa na Santa Isabel - muito escassas, já que a fazenda tem cultivo agrícola desde 1892- e outras matas da região. O trabalho envolveu pesquisa de campo e bibliográfica para recuperar informações de como era a região antes do desmatamento para cultivo agrícola. O trabalho foi coordenado pela esposa de Roberto Rodrigues, Heloísa, que montou um viveiro de mudas com espécies nativas da região com base nas informações obtidas. Nos 15 anos de trabalho, já foram plantadas 250 mil árvores de 60 espécies diferentes. Deste mês até março, aproveitando a entressafra da cana, outras 50 mil mudas deverão ser plantadas. Dos 1,1 mil hectares da fazenda, 863 hectares estão ocupados com cana. Anualmente, 166 hectares têm plantio de soja em rotação de cultura. A área de mata remanescente, já recuperada e em recuperação, atinge 150 hectares.


Segundo Paulo de Araújo Rodrigues, filho de Roberto Rodrigues que atualmente gerencia a fazenda, o objetivo é ter pelo menos 200 hectares de mata. "Acredito que essa meta poderá ser alcançada em três anos, já que agora temos mudas em grande quantidade no viveiro", afirma o gerente. Além das 50 mil mudas que devem ser utilizadas na propriedade nesta entressafra, outras 20 mil deverão ser comercializadas. Na área agrícola, 70% da cana são colhidas com máquinas, sem queima. A utilização da soja na rotação, além de melhorar a fixação de nitrogênio no solo, reduz o risco de erosão por cobrir o terreno na entressafra. "Não há como fazer agricultura sem afetar o meio ambiente, mas buscamos prejudicar o mínimo possível", afirma Paulo Rodrigues. Os proprietários também se preocupam em dar destinação adequada para todos os resíduos da fazenda. O material reciclável é levado para uma usina de processamento em Jaboticabal e as embalagens de defensivos agrícolas são transportadas para a cooperativa em Guariba que reaproveita o material. "Com todo esse trabalho, houve uma recuperação da fauna. Hoje existem aqui animais como pacas, cutias e veados campeiros que não eram vistos aqui nem durante a minha infância", afirma Paulo Rodrigues, que tem 33 anos.


A fazenda tem parcerias constantes com universidades e institutos de pesquisa, como a Escola Superior de Agronomia Luís de Queiroz (Esalq), a Unesp de Jaboticabal e órgãos da Secretaria Estadual da Agricultura. O trabalho de recomposição da mata nativa realizado por Heloísa é acompanhado pelo Instituto de Botânica. Mudas do viveiro também foram cedidas para a USP de Ribeirão Preto, que organiza um banco genético de espécies nativas. Roberto Rodrigues afirma que o envolvimento da família nos projetos desenvolvidos na fazenda ocorreu de forma profissional. "Todos têm formação e conhecimento técnico para o trabalho que desenvolvem", diz. Ele próprio, a mulher e os dois filhos são agrônomos. Uma das filhas é advogada e outra, psicóloga. Rodrigues já transferiu aos quatro filhos a administração da fazenda. "Hoje, dou consultoria estratégica e recebo para isso". A nova idéia do presidente da Abag é um programa de plantas aromáticas e medicinais, ainda em fase experimental. O plantio começou há um ano e deverá levar mais dois até ter o modelo aperfeiçoado. Apesar de ainda ocupar uma área pequena, de um hectare, já há uma reserva de 15 hectares para ampliação. "Nossa intenção é industrializar e embalar tudo aqui, garantindo a qualidade do produto final".
Luciana Cavalini
Fonte: Gazeta Mercantil
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