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Biomassa de babaçu pode ser alternativa regional de energia
Publicado em 09/08/2006 às 00h00
A tecnologia de co-geração de energia a partir de bagaço de cana-de-açúcar, com ligeiras adaptações, serve para cascas de babaçu, atualmente um rejeito da extração do óleo, usado em cosméticos e produtos de limpeza. Pesquisa da Unicamp mostra que, além da energia, o calor gerado em sistemas integrados ainda seria aproveitado para o beneficiamento das castanhas de babaçu.


As quebradeiras de côco babaçu do Maranhão, Piauí e Amazônia Legal atualmente jogam no mato o que poderia ser sua melhor fonte de energia renovável, sobretudo se empregada no próprio beneficiamento das castanhas do babaçu. Uma tese de doutorado da Engenharia Mecânica da Universidade Estadual de Campinas (FEM-Unicamp), defendida nesta quarta feira, 26 de fevereiro, demonstra que a biomassa de babaçu pode gerar o equivalente a 105 MW ou 2% da matriz energética nacional, apenas com as 985 mil toneladas de cascas anuais, resultantes do aproveitamento industrial de 117 mil toneladas de castanhas de babaçu. Se a estas se somarem as cascas das quebradeiras de côco, hoje jogadas no mato, seriam 2,9 milhões de toneladas de biomassa de babaçu por ano, o suficiente para produzir 260 MW de energia, em sistema de co-geração.


"No contexto regional, é uma fonte alternativa de energia renovável promissora, sobretudo se adotada em centros comunitários de beneficiamento das castanhas do babaçu, nos quais ainda poderia ser aproveitado o calor do vapor gerado nas caldeiras para aquecimento da pasta de babaçu, numa das fases da extração do óleo", afirma o engenheiro agrícola e autor da tese, Marcos Alexandre Teixeira. Conforme os testes realizados em laboratório, a tecnologia de co-geração de energia a partir do bagaço de cana - com equipamentos desenvolvidos no Brasil e usualmente comercializados por empresas brasileiras - adapta-se à biomassa de babaçu, exigindo apenas ligeiros ajustes nas caldeiras. As turbinas e demais peças seriam as mesmas.


Em relação à cana-de-açúcar, a biomassa de babaçu tem a vantagem de uma densidade 2,5 vezes maior e um teor de umidade menor, de 15 a 17%, enquanto o teor de umidade do bagaço de cana fica em torno de 50%. Ou seja, as cascas de babaçu armazenadas em um metro cúbico produzem 2,5 vezes mais energia do que o bagaço de cana e queimam melhor, porque estão mais secas.


Seriam necessárias apenas adaptações no balanço de vapor das caldeiras. Em sua tese, orientada por Luiz Fernando Milanez, Teixeira fez um cálculo de custo/benefício, concluindo que a melhor alternativa seria produzir vapor de alta pressão a 4,56 MPa (Mega Pascal) a 420oC, para usinas comunitárias integradas a centros de beneficiamento de côco babaçu ou 6,2 MPa a 450oC para grandes indústrias, que venderiam o excedente de energia gerada para as redes de distribuição. Mega Pascal é uma unidade de pressão de fluídos, que pode ser genericamente traduzida por força sobre área.


Este vapor de alta pressão alimentaria as turbinas para gerar energia elétrica, que seria aproveitada para as máquinas de centrais de beneficiamento do babaçu, para extração do óleo das castanhas. "Depois das turbinas ainda teríamos um vapor de média pressão, que seria utilizado no aquecimento da pasta de babaçu, na fase de separação do óleo, usado na indústria, e da torta, fornecida como ração animal", observa Teixeira.


Segundo ele, duas das camadas de casca seriam usadas para este fim: o endocarpo, que é a casca mais dura, separada manualmente ou (nas indústrias) mecanicamente, e o epicarpo, separado por centrifugação. Este último também poderia servir como combustível para os habitantes das comunidades rurais, substituindo a lenha.


As centrais de beneficiamento do babaçu ainda não existem na área rural. Mas um protótipo foi desenvolvido e testado pelo pesquisador José Frazão, da Embrapa, e está pronto para produção em escala. Uma mini-usina experimental, instalada pela Fundação Universidade do Tocantins (Unitins), também funciona na comunidade de Sete Barracas, em São Miguel do Tocantins (TO), beneficiando 27 famílias. "E o programa de eletrificação rural da Eletrobrás, que prevê a instalação de pequenas centrais para beneficiamento da produção, completaria a base necessária para a implantação da energia de biomassa de babaçu", informa o pesquisador. "Inclusive aproveitando o eventual excedente de energia, em sistema de co-geração".


Em outras palavras, com baixo investimento, tecnologia nacional e comercialmente disponível, seria possível transformar um resíduo em energia e agregar valor a um produto agroextrativista, beneficiando regiões extremamente carentes, que hoje apenas têm como opção a venda (a R$5) de latas de 20 litros de castanhas de babaçu quebradas à mão, com alto índice de acidentes.
26/02/03
Fonte: Agência Estado
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