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Ensaios de Colheita de Cana Picada com Limpeza Parcial
Publicado em 10/08/2006 às 00h00
Projeto desenvolvido pelo Centro de Tecnologia da Copersucar (CTC) com recursos do Global Environment Facility, via programa das nações unidas para desenvolvimento (PNUD), coordenado pelo ministério da ciência e tecnologia (MCT)




Os estudos para a colheita de cana sem queimar, com recuperação da palha para aproveitamento energético, conduziram à avaliação mais detalhada de duas alternativas: colheita de cana picada com extratos operando normalmente (com limpeza) e colheita de cana picada com extratores desligados (sem limpeza).



Na safra 99/00, uma alternativa complementar foi proposta, visando a avaliar a colheita mecanizada de cana picada com limpeza parcial. Essa nova condição operacional objetiva deixar no campo cerca de 7,5 t/ha de massa foliar (em matéria seca), sendo o restante transportado na carga. De acordo com estudos realizados pela Copersucar, essa quantidade de massa vegetal deixada no campo é suficiente para produzir o efeito herbicida, que inibe o desenvolvimento de plantas daninhas sem a necessidade de aplicação de herbicida. O restante da massa vegetal é transportado na carga e posteriormente separado pela estação de limpeza a seco na usina, para fins de aproveitamento energético.



Para operar com limpeza parcial, de forma a resultar 7,5 t/há (em matéria seca) de palha sobre o solo, foi necessário regular a rotação do extrator de limpeza primário da colhedora, mantendo-se o corte de ponta e extrator secundário desligados.



A quantidade de palha deixada sobre o solo varia em função da rotação do extrator primário. No entanto, não é possível estabelecer uma rotação de limpeza padrão em função das características próprias de cada variedade de cana, área de colheita e umidade da palha. Assim, para cada situação haverá uma regulagem específica do extrator de limpeza primário, para atingir a quantidade desejada de palha sobre o solo.



Para avaliar essa nova situação de colheita, utilizou-se uma colhedora de cana picada Austoft A7700, operando em área de cana sem queimar. Foram consideradas as três situações distintas: operação de colheita com limpeza total, operação com limpeza parcial e operação sem limpeza, realizadas intercaladamente1 em parcelas dispostas lado a lado na área de testes, visando a reduzir as diferenças relativas à umidade e às condições do canavial. Para coletar a cana da colhedora utilizou-se equipamentos de transbordo que, posteriormente ao seu carregamento, descarregavam a cana em caminhões rodoviários estacionados no carreador. Para as três condições operacionais foi mantida a razão de tr6es cargas de transbordo para preencher cada carroceria de caminhão ou julieta.



O teste foi conduzido na Usina São Martinho, em Pradópolis, São Paulo, em uma área plna, com cana de 18 meses (primeiro corte), ereta de variedade SP80-185.



Nessa área, a operação com limpeza normal foi feita com o extrator primário mantido a 1150 RPM e velocidade de deslocamento da colhedora em 3,7 km/h. a operação com limpeza parcial foi feita com 700 RPM, velocidade de deslocamento de 3,2 km/h e corte de ponta e extrator secundário desligados, para resultar a quantidade desejada de palha sobre o solo. A operação sem limpeza foi feita com velocidade de 2,7 km/h e ambos os extratores e corte de ponta desligados.



Na área com limpeza parcial há uma tendência de as folhas verdes, mais densas, serem transportadas junto com a carga, devido à maior dificuldade de estas serem removidas pelos extratores de limpeza que trabalham em rotação reduzida. Na área colhida com limpeza convencional, as folhas secas e verdes são removidas e deixadas no campo.



Os dados dos testes para as três condições operacionais são apresentados na Tabela 1. Os índices apresentados referem-se aos obtidos com cana de primeiro corte, de alta produtividade, com grande quantidade de palha. Para canaviais após o primeiro corte, com cana de porte médio ou pequeno, as condições operacionais serão outras, para se atingir a quantidade mínima de palha sobre o solo de 7,5 t/ha em matéria seca. Pode haver situações em que a colhedora, operando normalmente, forme um colchão de palha sobre o solo na quantidade desejada para a ocorrência do efeito herbicida. Da mesma forma, pode haver casos em que a quantidade de palha do canavial não seja suficiente para atingir essa quantidade mínima.



1 -- Intercaladamente: colheita de uma linha de cada uma das três áreas, para em seguida colher a próxima linha de cada área e assim sucessivamente, sendo a colheita em cada área feita conforme a condição de limpeza estabelecida para aquela área, seja com limpeza total, parcial ou sem limpeza.








































































































Parâmetros
Operação
Limpeza Convencional
Limpeza Parcial
Sem Limpeza
Capacidade Potencial -- Colhedora (t/h)1
63
63
57
Produtividade do Canavial (t/ha)2
139
148
156
Base úmida (%)
4,8
16
20
Impureza Vegetal Base seca (%)
2,3
11
15
Umidade
52
31
27
Impureza mineral (%)
0,10
0,22
0,38
Percentual de cana limpa (%)3
95,1
83,8
79,6
Perdas visíveis (t/ha)
3,7
2,0
1,7
(%) sobre produtividade de cana limpa
2,7
1,6
1,4
Estimativa de produtividade da cana limpa na área de teste (t/ha)4
136
126
126
Carga média por transbordo (t)
6,0
3,6
2,8
Densidade da carga-caminhão (kg/m3)5
410
270
240
Palha deixada sobre o solo Base úmida (t/ha)
17
7,7
1,5
Base seca (t/ha)
16
7,0
1,4
Umidade (%)
7,6
8,3
7,0




1 Capacidade Operacional Potencial da Colhedora (t/h): material colhido pela colhedora em t/h, considerando operação ininterrupta.

2 Produtividade do Canavial (t/ha): corresponde à carga da cana colhida por hectare, incluindo impurezas vegetais e minerais.

3 Percentual de cana limpa (%): corresponde ao percentual de colmos na carga de cana, ou seja, 100 -- impureza vegetal base úmida (%) -- impureza mineral (%).

4 Estimativa de Produtividade da cana limpa na área de teste (t/ha): corresponde aos colmos colhidos mais as perdas deixadas no campo, ou seja, [produtividade do canavial (t/ha) x percentual de cana limpa (%)] perdas visíveis (t/ha).

5 Densidade da carga no caminhão (kg/m3): determinada a partir do volume da carga nivelada nas carrocerias e julietas dos caminhões rodoviários e do peso de cana transportada.
Dr. Manoel Régis Lima Verde Leal -- Centro de Tecnologia Copersucar
CENBIO Notícias--Ano 3--Nº 10
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