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Século XXI, a Era do Hidrogênio e do Álcool
Publicado em 10/09/2007 às 00h00
A humanidade passou, ao longo da história, por diversas fases tecnológicas quanto a obtenção da energia que necessitava. A epopéia da civilização começou com a lenha, passou pela domesticação de animais, descobriu as vantagens do carvão, aproveitou a força hídrica para várias finalidades; queimou óleo animal, natural e gás; o grego Hero descobriu o uso do vapor, que quase um milênio e meio mais tarde tornou-se o alicerce da revolução industrial; refinou o petróleo, descobriu a energia elétrica, a atômica e redescobriu o hidrogênio como fonte primária, infinita e limpa.



Lentamente passamos por essas matrizes energéticas e agora deixaremos para traz a economia do carbono fóssil, para ingressarmos na economia do hidrogênio e do álcool.



Toda ruptura sempre provocou reações e sofreu processo protelatório, alguns com fundamentos sólidos, outros apenas defendendo interesses fortemente estabelecidos. Basta ver o que ocorreu com o vapor. No passado recente, com inovações amplamente utilizadas pela Alemanha na 2º Guerra Mundial, inclusive o álcool combustível, que acionava de carros e tanques de combate a todos os foguetes V1 e V2. Os Scuds russos ou iraquianos são movidos a álcool. Foi também o confiável combustível usado no mais poderoso foguete construído até hoje: o Saturno V, que levou o homem à Lua. Foguetes usam o álcool como fonte de hidrogênio.



Protela-se o hidrogênio porque é economicamente competitivo nos países de clima frio e temperado e, naturalmente, a indústria de extração e venda dos energéticos fósseis boicota as tecnologias que possam ameaçá-la. O hidrogênio é uma das matérias mais abundantes no universo e seu uso jamais provocará alterações ambientais. Já o problema de todos os fósseis é insolúvel, pois para a queima de cada átomo de carbono a atmosfera perderá impreterivelmente de forma irreversível, dois átomos de oxigênio. É por isso que se diz que a queima dos fósseis reconstrói a condição climática da terra à pré-jurássica, Era carbonífera.



Falta pouco para que a troca de matriz se torne realidade. É questão da economia de escala melhorar o custo-benefício, pois o preço das novas tecnologias vem caindo muito, mesmo na pequena escala em que são produzidas. Enquanto isto os fósseis sobem e subirão de preço com o passar do tempo. Adicionalmente, fósseis geram pouco emprego e já há grande preocupação com suas graves conseqüências climáticas, ambientais e de saúde geral. A questão do custo-benefício virou preocupação constante e possibilitou identificar que grandes somas devoradas pela saúde pública têm origem no petróleo, como também perdas agrícolas ocasionadas pela alteração do clima; a contaminação de mananciais de água potável; a corrosão induzida pelo enxofre, subproduto da queima, que consome vários bilhões de dólares anualmente, isso, sem falar em outras implicações do efeito estufa sobre a fauna e flora terrestre e aquática. No fim da linha citamos o essencial fator econômico: a conversão energética dos fósseis pela queima, onde primeiro gera-se calor para depois transformá-la em energia mecânica. Até hoje não se conseguiu ultrapassar à eficiência de 20%. Os automóveis, por exemplo, com toda a técnica oscilam entre 14 a 17%.



Na conversão indireta do hidrogênio, ou seja, pela reforma de combustíveis, alcança-se eficiência entre 30 a 50%, dependendo do teor de hidrogênio e composição química do combustível. O álcool hidratado é mais eficiente devido à sua composição química. O hidrogênio direto pode atingir até 90% de eficiência com o aproveitamento do calor. Esse cenário baliza claramente que, em matéria energética, o século XXI será o portal de entrada da Era do álcool e do hidrogênio.
Fonte: ADEC - Associação de Defesa Comunitária
Rio de Janeiro - 18/06/2001
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