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Fazenda centenária foi pioneira em responsabilidade social
Publicado em 23/07/2013 às 00h00
Uma fazenda centenária incrustada na principal região canavieira do País foi pioneira no trabalho de preservação ambiental, incentivo aos recursos humanos e busca do desenvolvimento sustentável. O trabalho foi realizado na Fazenda Santa Isabel, em Guariba/SP, de propriedade de Roberto Rodrigues, ex-secretário estadual da Agricultura. Ele assumiu a direção em 1967 - a fazenda pertencia à família havia duas décadas - e implantou um plano de desenvolvimento baseado em três vertentes: busca da tecnologia, valorização dos funcionários e recuperação dos recursos naturais.



A implantação dos programas levou a Santa Isabel a ser reconhecida como um verdadeiro modelo. Na área de tecnologia, a fazenda foi a primeira a introduzir a soja na rotação de cultura com a cana, em 1970, e até mesmo a instituir o plantio orgânico. Segundo Rodrigues, a busca constante para introduzir novas tecnologias garantiu à fazenda o pioneirismo na utilização de máquinas, equipamentos e variedades de plantas.



Os proprietários da fazenda buscaram utilizar técnicas agrícolas que garantissem a conservação do solo, além de aumentar as reservas com um programa de reflorestamento. Também fizeram um levantamento em áreas remanescentes de vegetação nativa - muito escassas, já que a fazenda tem cultivo agrícola desde 1892 - e outras matas da região. O trabalho envolveu pesquisa de campo e bibliográfica para recuperar informações de como era a região antes do desmatamento para cultivo agrícola. Em 15 anos foram plantadas 250 mil árvores de 60 espécies diferentes.



Dos 1,1 mil hectares da fazenda, 863 estão ocupados com cana. Anualmente, 166 hectares têm plantio de soja em rotação de cultura. A área de mata remanescente, já recuperada e em recuperação, atinge 150 hectares. Na área agrícola, 70% da cana são colhidas com máquinas, sem queima. A utilização da soja na rotação, além de melhorar a fixação de nitrogênio no solo, reduz o risco de erosão por cobrir o terreno na entressafra.



Os proprietários também se preocupam em dar destinação adequada para todos os resíduos da fazenda. O material reciclável é levado para uma usina de processamento em Jaboticabal/SP e as embalagens de defensivos agrícolas são transportadas para a cooperativa em Guariba, que reaproveita o material. Com todo esse trabalho, houve uma recuperação da fauna. A fazenda voltou a ter animais como pacas, cutias e veados campeiros que haviam desaparecido há cerca de 30 anos.



A fazenda tem parcerias constantes com universidades e institutos de pesquisa, como a Escola Superior de Agronomia Luís de Queiroz (Esalq), a Unesp de Jaboticabal/SP e órgãos da Secretaria Estadual da Agricultura. O trabalho de recomposição da mata nativa é acompanhado pelo Instituto de Botânica. Mudas do viveiro também foram cedidas para a USP de Ribeirão Preto, que organiza um banco genético de espécies nativas.



Responsabilidade Social - Desde que assumiu a fazenda, o ex-secretário criou um modelo de incentivo à educação, assistência social e de saúde aos funcionários e suas famílias. Os funcionários e seus filhos passaram a ter bolsas de estudos e muitos tiveram ajuda para concluir cursos universitários, inclusive de Medicina, Engenharia e Direito. Os trabalhadores também têm participação nos lucros da empresa. Na área de saúde, desde o início, Rodrigues fez convênios com hospitais e com a Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto/SP.



Roberto Rodrigues afirma que o envolvimento da família nos projetos desenvolvidos na fazenda ocorreu de forma profissional. Ele próprio, a mulher e os dois filhos são agrônomos. Uma das filhas é advogada e outra, psicóloga. Rodrigues já transferiu aos quatro filhos a administração da fazenda.
Fonte: Trecho do Balanço Ambiental Gazeta Mercantil Interior de São Paulo - Caderno 6
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