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"O ânimo já começou a mudar"
Para André Rocha, há três situações que têm influenciado o cenário do setor sucroenergético no Brasil: o RenovaBio, o etanol de milho e o investimento em eficiência
Publicado em 12/02/2020 às 08h13
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Os resultados obtidos na safra 2019/20 de cana-de-açúcar em termos de produtividade agrícola e de ATR já foram melhores na avaliação do presidente do Fórum Nacional Sucroenergético, André Rocha, e apesar dos problemas climáticos em 2019, são boas as expectativas para a próxima safra 2020/21, que se inicia em abril.

Rocha, que também é presidente-executivo do Sindicato da Indústria de Fabricação de Etanol do Estado de Goias, do Sindicato da Indústria de Fabricação de Açúcar do Estado de Goiás (Sifaeg/Sifaçúcar), lembra que as empresas continuam alavancadas e o endividamento do setor não diminuiu se comparado o ano de 2018 com 2019.

"Não diminuiu porque as empresas acabaram investindo mais em 2019, então esse é o lado positivo. Precisamos de uns cinco bons anos para que as empresas possam se adequar e fazer os investimentos necessários em eficiência, melhorar sua produção e produtividade e ao mesmo tempo, reduzir o seu comprometimento financeiro", afirmou.

Apesar da redução da Taxa Selic (taxa básica) as taxas de juros não caíram, cita Rocha lembrando que há empresas com alto grau de endividamento e muitas dificuldades, mas, por outro lado, há empresas que já estão bem melhores, com mais fôlego, onde já houve percepção de mudança, com operações de fusões e aquisições, empresas aumentando sua capacidade de produção. "O animo já começou a mudar. Com a queda do juro, haverá crédito disponível para as empresas buscarem o aumento de eficiência necessário".

Nos últimos dois anos, comentou, aumentou a desigualdade do setor. "Quem estava bem, já estava buscando eficiência, tinha feito o dever de casa e tinha acesso a crédito, que representa um terço das unidades industriais do setor no Brasil, já está bem melhor. Mas, quem estava mal, continua praticamente do mesmo jeito", disse citando, entretanto, que já visualiza um inicio de recuperação, com algumas empresas saindo da recuperação judicial.

Na visão do presidente do Fórum, há três situações que têm influenciado o cenário do setor sucroenergético no Brasil. A principal é o RenovaBio, "uma espécie de Proálcool moderno que vai mudar uma série de paradigmas", que está cumprindo seu cronograma, com várias unidades já finalizando sua certificação.

Mas Rocha aposta também no aumento da produção do etanol de milho, que deve permitir a produção de etanol o ano todo, otimizando a estrutura e devolvendo ao Brasil sua condição de protagonista no segmento, acabando com os estresses das entressafras e mudando o mercado nos próximos anos. Diante das expectativas geradas pelo RenovaBio, a terceira situação que tem sido determinante para o setor são os investimentos feitos pelas usinas no aumento de sua eficiência e da produtividade, o que deve alavancar a produção.

Rocha elogiou a atuação dos ministros do Meio Ambiente e da Agricultura e Abastecimento, Ricardo Salles e Tereza Cristina, "que mostram conhecer o setor, o que tem facilitado a interlocução com o governo". Falou sobre os ajustes e reformas que vêm sendo feitos nos estados e no governo federal e na expectativa de que isso resulte no reaquecimento da economia brasileira.

"Há muitas expectativas em torno das reformas econômicas, de que o governo se acerte, reduza gastos e volte a crescer. Para melhorar ainda mais o consumo de etanol, precisaríamos ter um reaquecimento da economia. O consumo de combustíveis e de energia, que é outra fonte de recursos do setor, estão intimamente ligados ao crescimento do PIB. Esperamos que com ajustes, os estados e o país possam crescer e aumentar o consumo de etanol. Apesar do consumo recorde em 2019, pelo tamanho da frota flex brasileira, há ainda muito a crescer".

Quanto ao açúcar, o presidente do Fórum disse que a commodity ainda apresenta preços baixos em relação ao etanol, o que fez com que muitas usinas migrassem sua produção para o etanol, num esforço para reduzir a produção de açúcar. "O mercado tem se adequado. Com dois anos de redução na produção brasileira, vemos os estoques mundiais em maior equilíbrio, devendo haver uma recuperação dos preços de açúcar nos próximos anos".


Melhoras em 2020

Com as boas chuvas que vem ocorrendo desde o final do ano passado, Antonio Cesar Salibe, presidente da UDOP, acredita que a safra na região Centro-Sul do Brasil será boa. "O clima é o grande balizador e não os tratos culturais", afirmou. Quanto às perspectivas de mercado, disse que com a menor produção de açúcar, principalmente no Brasil, e aumento do déficit mundial da commodity, a expectativa é que os preços melhorem. Mas a grande aposta é o etanol com o Renovabio. "Será um grande estímulo para que se plante cana e produza. E nos próximos anos, sim, teremos uma safra maior".

Salibe ressaltou, entretanto, para as usinas que não estão bem financeiramente, não é qualquer preço que remunera a produção. "Essas usinas vão precisar de parceiros para ajudar neste processo de recuperação. A solução seria a injeção de dinheiro de fora, através de parcerias e de fusão. Mas para as unidades industriais que estão bem, as perspectivas são boas. Com os bons preços pagos pelo etanol e, provavelmente, também pelo açúcar, a tendência é que as condições financeiras das empresas melhorem já a partir de 2020", avaliou.

Para Arnaldo Luiz Corrêa, diretor da Archer Consulting - Assessoria em Mercados de Futuros, Opções e Derivativos Ltda - não há como não ficar otimista em relação ao Brasil para 2020. "Todos os indicadores econômicos estão mais positivos do que se esperava". Ele citou que o ambiente de negócios passou a conviver com uma taxa de juros no nível mais baixo da história recente e que existe uma concreta possibilidade de reformas estruturais serem aprovadas no primeiro trimestre do ano legislativo.

Corrêa ressaltou que no setor sucroalcooleiro, o sentimento não é diferente. Ele citou, por exemplo, a agência de classificação de risco e crédito Moody?s que mudou sua perspectiva para o setor sucroalcooleiro de negativa para estável por conta de uma melhora do EBITDA que reflete os bons preços do etanol obtidos durante a safra 2019/20. Também disse que a perspectiva de consumo do etanol é muito boa, com viés de alta.

Na opinião do especialista de mercado, apesar de o consumo total de combustíveis, no acumulado de doze meses, ter atingido o recorde em volume, com 60.3 bilhões de litros em setembro último, existe uma demanda reprimida que deve mudar com a melhora do poder aquisitivo da classe média.

Em publicação recente, Celso Ming, também escreveu que parecem sólidos os indicadores que apontam para a melhora econômica do Brasil, citando como importante indicador de bons augúrios a decisão tomada pela Standard & Poor?s, uma das três mais importantes agências de avaliação de risco, que colocou o rating do Brasil em "perspectiva positiva". Isso significa que está na iminência de reconhecer a melhora da qualidade dos títulos de dívida do Brasil. E deve levar as outras agências do ramo (Moody?s e Fitch) a trilharem o mesmo caminho.

Pelos cálculos da Conab, as safras agrícolas que começam em fevereiro são de novos recordes de produção de grãos, para mais de 246 milhões de toneladas, aumento físico de 1,6%. É desempenho que deverá ter efeitos multiplicadores sobre a renda do interior. E mesmo uma das fontes mais citadas de incerteza global com impacto sobre o Brasil, as escaramuças comerciais entre Estados Unidos e China, parecem estar entrando em um acordo, complementou Ming.
Fonte: Jornal Paraná
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