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Anfavea sugere que governo estimule consumo
Publicado em 07/07/2020 às 17h47
O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores, Luiz Carlos Moraes, tem pensado em como o país poderia amenizar o risco de demissões em massa, que tendem a ocorrer no setor a partir de outubro, quando começam a se esgotar os acordos de redução salarial e de jornada. A melhor opção, diz, seria o incentivo ao consumo. E a melhor forma de fazer isso, acrescenta, é por meio da antecipação da reforma tributária.

O dirigente sabe que boa parte da queda de vendas de veículos este ano, calculada pela Anfavea em 40% vai acontecer por conta do aumento do desemprego no país e da perda de confiança do consumidor. Mesmo assim, ele acredita que uma redução na carga tributária aumentaria a demanda. "Vários países estão estimulando o consumo. É claro que no Brasil não se pode pensar em dar um bônus para o consumidor comprar um carro. Mas é possível buscar uma solução por meio da redução de imposto".

Em consequência da pandemia, a indústria automobilística já demitiu mais de mil trabalhadores. A maior parte refere-se ao recente corte de quase 400 profissionais na fábrica da Nissan em Resende (RJ). Com 105,5 mil empregados, o nível de emprego nas fábricas de veículos recuou 3,8% na comparação com um ano atrás "O emprego está em risco nas montadoras e nos fornecedores", disse, ontem, Moraes na apresentação dos resultados do setor no semestre. O dirigente evitou fazer previsões de corte de vagas. Com a pandemia, a indústria automobilística passará a operar com mais de 40% de capacidade ociosa.

A Anfavea divulgou novas projeções de produção e exportação em 2020. A entidade estima agora 1,63 milhão de veículos produzidos este ano. Isso representa uma queda de 45% em relação a 2019. É o nível mais baixo dos últimos 20 anos. A entidade começou o ano prevendo crescimento de 7,3%.

No mercado externo, a previsão de queda é agora de 53%, com 200 mil veículos. O Brasil não exportava um volume tão baixo desde 1996. As exportações de veículos acumulam, no semestre, retração de 46,2%. O setor passará, também, a enfrentar um mercado externo mais competitivo. Moraes disse que a venda anual global vai encolher de 90 milhões para 70 milhões de unidades.

Há um mês, a entidade divulgou novo cálculo para o mercado interno, que aponta para uma queda de 40% em relação a 2019, com 1,675 milhão de veículos. Nesse caso, será o menor volume desde 2004. Em junho, foram vendidos 132,8 mil veículos, 40,5% menos do que no mesmo mês de 2019. A retração no semestre alcançou 38,2%, com 808,8 mil unidades. "São números difíceis de digerir", destacou Moraes. Para ele, o país enfrentará dificuldades na retomada da atividade econômica.

O dirigente relembrou consequências de crises anteriores. A retração nas vendas em 2016 em relação a 2014 foi de 41%. No caso, a recuperação veio, depois, num ritmo de 11% ao ano. Tomando por base o mesmo cenário, Moraes disse que o mercado brasileiro levará cinco anos para retomar o tamanho de 2019, quando foram vendidos 2,7 milhões de veículos.

Mas o setor viveu outras crises. E em todas houve demissões. Em 1981, por exemplo, as vendas de veículos no Brasil recuaram 43% na comparação com 1979. Em consequência 23 mil postos de trabalho foram eliminados no período.

Apesar de quase todas as fábricas de veículos terem retomado a atividade em junho, o ritmo de produção continuou baixo. Foram produzidas no país, no mês passado, 98,7 mil unidades. Isso representou um avanço de 129% na comparação com maio, quando quase todas estavam paralisadas. Mas em relação a junho do ano passado, houve queda de 57,7%.

Com 1,47 milhão de unidades, no semestre, a queda de produção chegou a 50,5% na comparação com os seis primeiros meses de 2019. Faltam apenas duas fabricas para que todo o setor retome a atividade. No entanto, o ritmo continuará lento porque as demandas, tanto do mercado interno como do externo, permanecem fracas.
Fonte: Valor Economico
Texto extraído do boletim SCA
Notícias de outros veículos são oferecidas como mera prestação de serviço
e não refletem necessariamente a visão da UDOP.
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