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Alta da gasolina abre espaço para etanol recuperar terreno perdido
Publicado em 14/07/2020 às 11h48
Os aumentos da gasolina vendida pela Petrobras em suas refinarias, que continuam a ocorrer neste mês em decorrência da recuperação do petróleo no mercado internacional, devem permitir ao etanol hidratado recuperar participação no mercado de combustíveis do país, embora a demanda, em geral, ainda esteja abaixo dos patamares observados no ano passado.

Apenas neste mês, a estatal já elevou o valor da gasolina A (sem etanol anidro) em 8,12%. Considerando as elevações realizadas em maio e junho, após o combustível atingir o menor valor durante a crise, a alta acumulada já é de 80%. Com isso, a gasolina vendida às distribuidoras atinge agora R$ 1,6650 o litro, valor próximo ao registrado no início de março, antes da crise (R$ 1,6928 o litro).

A elevação do preço da gasolina pode ser uma oportunidade para que o etanol hidratado volte a ampliar sua participação nas vendas do ciclo Otto, que caiu com o derretimento dos preços do petróleo no início da pandemia - internalizado, em parte, pela Petrobras. Com as majorações já feitas pela Petrobras e seu repasse às bombas, o etanol já voltou a ser mais vantajoso nos quatro principais Estados consumidores do país: São Paulo, Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso.

Martinho Ono, diretor da SCA Trading, avalia que, com as altas promovidas pela estatal neste mês, o preço da gasolina nas bombas deve superar os R$ 4 por litro, enquanto o etanol hidratado deve permanecer abaixo de R$ 3 o litro. "Essa diferença, na percepção do consumidor, tem relevância", afirmou. Levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural, e Biocombustíveis (ANP) apontou que, em 4 de julho, o litro da gasolina nos postos paulistas estava, em média, a R$ 3,865, mas já superava os R$ 4 em Minas Gerais e em Goiás.

Ono não descarta que o etanol volte a registrar os níveis de participação observados na safra passada, mas ressaltou que a demanda segue menor por causa da pandemia. Considerando os atuais patamares de queda de vendas do ciclo Otto, de 25% a 30%, e a perspectiva de recuperação de participação de mercado, ele considera que as vendas de etanol hidratado poderão alcançar 1,5 bilhão de litros por mês, em média. Na safra passada, o biocombustível alcançou vendas médias mensais em torno de 1,9 bilhão de litros, mas em abril e maio deste ano o volume ficou em 1,2 bilhão de litros.

Para Matheus Costa, da consultoria StoneX, será inevitável que a participação do etanol hidratado suba nas vendas do ciclo Otto com o repasse das altas da gasolina nos postos, mas ele avaliou ser "pouco provável" que o biocombustível alcance a participação obtida nos últimos dois anos. Na safra 2019/20, o etanol hidratado teve fatia de 31,2% nas vendas do ciclo Otto, e a perspectiva anterior da consultoria era de que, nesta temporada, a participação cairia 3,9 pontos percentuais - a StoneX está revisando suas projeções.

Os preços do etanol já saíram do fundo do poço em que caíram em março e abril, mas desde meados de junho tiveram algumas quedas, que agora sendo recuperadas. Para Costa, as cotações não devem voltar a subir por causa do excesso de oferta neste momento, já que o Centro-Sul está em plena safra e embora muitas usinas da região estejam aumentando o carregamento do produto em estoques para a entressafra.

Uma intercorrência que pode alterar a relação entre oferta e demanda nesta safra é a expiração da cota de importação de etanol isenta da tarifa de 20%, no fim de agosto. A princípio, com o fim da regra todo etanol importado passaria a pagar a taxa, mas a pressão americana é para que o produto continue sendo beneficiado com isenção tarifária.

Uma renovação da concessão aos produtores americanos poderia aumentar a oferta de etanol, mas esse avanço também não está dado. "[O etanol americano] ainda não é competitivo por causa do câmbio. Mas não dá para pensar que câmbio nesses níveis veio para ficar", ponderou Ono.
Fonte: Valor Econômico
Texto publicado no boletim da SCA
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