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Digitalização apoia supply chain na crise da pandemia
Publicado em 07/08/2020 às 09h36
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A pandemia chegou e, da noite para o dia, as áreas de supply chain das indústrias se depararam com incertezas na continuidade operacional de vários setores e com uma rotina completamente diferente. O segmento de bioenergia, classificado como atividade essencial, teve que se adaptar a uma nova dinâmica, com os profissionais das áreas administrativas trabalhando remotamente e grande parte do efetivo atuando presencialmente nas unidades industriais e no campo. Manter a cadeia de suprimentos em pleno funcionamento em uma crise com efeitos desconhecidos é certamente um ótimo teste para conferir a eficácia e eficiência da digitalização em uma empresa.

Nesse momento, não há dúvidas de que ter os processos digitalizados é uma vantagem. Com a possibilidade de acessar as demandas de qualquer lugar, o isolamento imediato das equipes de compras não interrompe o abastecimento da empresa. Ponto para quem já estava com nível de transformação digital avançado.

O segundo desafio trazido pela pandemia foi adquirir produtos específicos que não constam na relação usual de suprimentos. Com o agravante de que esses itens precisam estar acessíveis o mais rápido possível em diferentes localidades, com logística sintonizada. Para garantir a segurança de quem está trabalhando, máscara, vacina e termômetros assumiram o topo da lista de itens essenciais e prioritários.

A área de compras deixa, então, de acessar um de seus principais ativos que é o total domínio e conhecimento de seus fornecedores e mercados. São dados acumulados com o tempo que permitem realizar escolhas estratégicas para a empresa. Sem um repertório de informações robusto, a confiança nos processos passa a ser um dos principais suportes dos decisores.

Essa confiabilidade só existe se você tem testadas todas as etapas e se os riscos e vulnerabilidades estão identificados. Com uma base de quase três mil fornecedores que movimentam faturamentos de cerca de R$ 2 bilhões, ter concluída na Atvos a implantação e, principalmente, a estabilização do ERP - SAP, foi crucial. Iniciada em 2019, estava encerrada a migração de toda a estrutura para uma plataforma tecnológica, o SAP4Hana, com integração de dez sistemas especialistas que abrangem as áreas comercial, logística, industrial, agrícola, administrativa, financeira e recursos humanos.

Outra ferramenta de apoio para quem está na linha de frente e que garante total transparência nas contratações, é ter um portal de relacionamento com fornecedores em que é possível visualizar as solicitações de cotações, responder e checar os pedidos de compras.

A poucos meses do início da pandemia, compradores e parceiros contratados já tinham passado por uma curva de aprendizado de mais de um ano com essas novas plataformas e processos. Isso fez toda diferença no momento de contornar situações imprevisíveis.

No entanto, com novas necessidades, foi preciso buscar novos fornecedores. A digitalização certamente ajudou as empresas a acessar melhor as ofertas. Fornecedores digitalizados, por sua vez, com controle de estoques, prazos de entrega e documentação, conseguiram se apresentar com prontidão e se beneficiar da alta demanda. É um exemplo real da digitalização como vantagem competitiva.

Porém, o que se encontrou foram muitas empresas sem qualquer experiência ou em estágios iniciais de maturidade de digitalização. Infelizmente, as pequenas e médias empresas constataram, na prática, que não é possível se conectar automaticamente.

Em geral, os fornecedores passam por um processo de homologação que envolve due diligence, aceite dos códigos de conduta e ética, apuração de critérios ambientais, sociais e trabalhistas. Na Atvos, esse processo é aplicado a 100% da base de fornecedores de suprimentos e prestadores de serviços. Com a digitalização, os riscos estão conhecidos e a atuação conjunta entre suprimentos e compliance flui com mais celeridade e permite flexibilização com responsabilidade, condizente com as urgências de resposta em crises. Essa é outra vantagem da digitalização.

Estar digitalizado mostrou ser muito útil em circunstâncias inesperadas e trouxe a segurança necessária para os tomadores de decisão em um ambiente dinâmico. Como em qualquer crise, a hora é de executar. Não significa que ainda é tarde para planejar ou iniciar esse movimento. Mas é preciso ter clareza de que a adoção gradual de tecnologias, ou seja, a evolução digital, deve ser entendida como um processo natural que está em andamento, não é uma mudança instantânea. Se seus clientes estão neste trem, é importante entrar nele também. E a pandemia está sendo a locomotiva dessa transformação.

*Texto originalmente publicado no LinkedIn
Genésio Lemos Couto
head de suprimentos, TI e comunicação da Atvos, empresa de bioenergia e uma das maiores fornecedora de etanol para o mercado nacional
Os artigos assinados são de responsabilidade de seus autores, não representando,
necessariamente, a opinião e os valores defendidos pela UDOP.
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