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Grande parte da cana Já processada
Publicado em 02/09/2020 às 15h34
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Vamos aos nossos fatos relevantes do mês de agosto e as perspectivas para setembro. A Conab, em seu segundo boletim da safra 2020/21 para cana, estima uma produção Brasil de 642,1 milhões de toneladas, 0,1% a menos que no ciclo passado.

Segundo a UNICA com dados do Centro Sul, no acumulado, desde o início do ciclo até 16 de agosto, foram processadas 373 milhões de toneladas de cana, 6% a mais que no mesmo período do ano anterior. Passamos de 60% da safra concluída. A qualidade da cana, medida em kg de ATR, está em 137,4 contra 130,9 do ciclo passado (quase 5% superior). O mix para o açúcar está em 47,0%, contra os 35,3% do mesmo período de 2019/20. Assim, a produção de açúcar está 48,2% superior, saltando de 15,5 milhões de toneladas para 23 milhões. Por outro lado, a produção de etanol acumula queda de 6,4%, vindo de 18 bilhões de litros para 16,8 bilhões.

O Complexo Sucroenergético teve aumento significativo nas exportações de julho, registrando vendas de US$ 1,1 bilhão, 73,8% superiores a 2019.

Em relação às empresas, o Grupo São Martinho melhorou os resultados no primeiro trimestre desta safra frente ao mesmo período da anterior. O lucro líquido cresceu 26,5% chegando a R$ 115,7 milhões, enquanto que a receita líquida cresceu 35,8% atingindo 1,0 bilhão. Tais números são frutos das estratégias de exportação de açúcar, aumento do processamento de cana (+10,8%) e adiamento das vendas de etanol.

O CTC (Centro de Tecnologia Canavieira) apresentou lucro líquido de R$ 18,7 milhões nos primeiros três meses da safra 20/21, frente aos R$ 7,5 milhões do mesmo período da safra anterior (149,7% a mais), com aumento de 30,9% na receita líquida, totalizando R$ 64,2 milhões, e um EBITDA de R$ 35,1 milhões (100,2% maior).

A Raízen deve inaugurar, em janeiro de 2021, a primeira usina de cogeração à biogás, com capacidade de produção de 21 megawatts, e que é fruto de R$ 153 milhões em investimentos e também planeja testar o biogás com montadoras de caminhões para substituição do diesel. Além disso, a produção do etanol celulósico já chega em algo próximo de 30 milhões de litros, e deve continuar aumentando.

Finalmente, a bioeletricidade gerada pelo setor sucroenergético no primeiro semestre de 2020 foi 5% maior que no mesmo período de 2019, com 8.399 GWh. De acordo com a UNICA, o setor representou 77% do total de bioeletricidade gerada no Brasil nesse período, o que evitou a emissão de 2,8 milhões de toneladas de CO2 à atmosfera. São Paulo é o estado com maior participação, cerca de 43% do total, com 204 usinas de cana-de-açúcar com unidades termelétricas em operação (204 UTEs). Atualmente, o setor sucroenergético representa 7% da potência energética total instalada no Brasil.

No açúcar... segundo a StoneX, a produção total na safra internacional 2019/20 (out/set) deve alcançar 181,7 milhões de toneladas, retração de 2,1% frente ao ciclo anterior. Já para 2020/21 (out/set) o volume deve ser de 183,8 milhões de toneladas. Ainda com relação à próxima safra internacional, a consultoria estima produção brasileira de 34,8 milhões de toneladas (-2%), na Tailândia de 7,6 milhões (-10,1%) e na União Europeia de 16 milhões (-4,2%). Já a demanda global de açúcar está estimada em 184,3 milhões de toneladas para 2019/20 e em 185,1 milhões em 2020/21 (out/set), com potencial déficit na ordem de 1,3 milhão de toneladas.

Já a Organização Internacional do Açúcar (OIA) previu déficit de pouco mais de 700 mil toneladas na safra 2020/21, com uma produção ao redor de 173,5 milhões de toneladas e consumo de 174,2 milhões e estoques estáveis ao redor de 96 milhões de toneladas. Houve grande redução do déficit graças ao desempenho do Brasil.

O Brasil deve se posicionar como o maior produtor de açúcar no ciclo 2020/21, com volume de 39,3 milhões de toneladas, 32% a mais que na safra anterior, segundo a Conab (dados do Brasil todo). O volume produzido até o momento na safra é 22,95 milhões de toneladas, 48% superior ao que foi produzido na safra passada.

O volume de exportação de açúcar para a China em junho foi de 239,4 mil toneladas, 477% maior que o mesmo período do ano passado. O aumento é resultado de acordo entre os países que reduziu a tarifa do produto brasileiro em 59%. Entre janeiro e maio de 2020, o acumulado era de apenas 145,3 mil toneladas.

Em julho, exportamos US$ 964 milhões, ou seja, 83,4% a mais, com um volume transacionado de 3,5 milhões de toneladas (+92,3%), quase o dobro do período anterior.

Dados divulgados pela Archer Consulting apontam que 22,5% da exportação de açúcar projetada para a próxima safra já foi fixada, a um preço médio de 12,19 centavos de dólar por libra-peso, aumento de 1% em comparação ao levantamento anterior. Estima que algo em torno de 5% da previsão de açúcar brasileiro que será exportado na safra 2022/23 já foi negociado em mercado futuro.

Os subsídios do governo da Índia para produção de açúcar devem aumentar 12% no próximo ano, o que aliado com grande produção esperada, é fator baixista de preços.

No etanol... segundo previsões da Conab para safra 2020/21, devemos produzir 30,6 bilhões de litros, 14,3% a menos que em 2019/20.

No acumulado até 16 de agosto (Unica), a produção totalizou 16,81 bilhões de litros, sendo 4,96 bilhões de anidro (29,5%) e 11,85 bilhões de hidratado (60,5%). Desse total, 4,8% foi proveniente do milho.

Já as vendas acumuladas de etanol caíram 18,98% em relação ao ciclo passado, somando um volume de 10,26 bilhões de litros. Desse volume, 91,2% foi destinado ao mercado doméstico, e 8,8% para o exterior.

Em julho, as vendas de etanol no mercado interno somaram 2,4 bilhões de litros, queda de 12,81% em comparação a 2019, sendo 768 milhões de litros de anidro (+1,36%) e 1,6 bilhões de hidratado (-18,27%).

As vendas externas de etanol para o mês aumentaram em 29,1%, atingindo a cifra de US$ 135 milhões.

É provável que a gasolina continue aumentando de preços nos próximos meses, dando espaço ao hidratado.


Para concluir, os cinco principais fatos para acompanhar agora em setembro na cadeia da cana:

1) A política de isolamento e impactos no consumo de combustíveis no Brasil. Principalmente a velocidade de recuperação do consumo de hidratado em setembro. Ao fechar esta coluna pelos dados da SCA o litro do hidratado estava R$ 2,25 com impostos nas usinas.
2) Acompanhar os impactos do coronavírus no consumo mundial do açúcar e nos preços do petróleo, principalmente. Ao fechar a coluna o barril do petróleo tipo Brent estava em US$ 46 e o açúcar a cerca de 12,6 cents/libra peso.
3) O clima e o andamento da safra de cana no Brasil, por enquanto vem vindo muito bem e já está quase em dois terços. Resta saber como a seca que estamos vivendo na parte mais norte e noroeste de SP e no triângulo mineiro vai afetar o desenvolvimento da safra 2021/22.
4) O andamento da safra de açúcar no hemisfério norte e o déficit na produção advindo das quebras na Tailândia e observar as estimativas de produção para a safra 2020/21 que virão bem maiores. O comportamento das exportações de açúcar do Brasil, que vêm surpreendendo as melhores apostas agora em setembro.
5) Observar o que deve acontecer com as tarifas e as cotas para o etanol americano entrar no Brasil e se teremos contrapartidas de acesso às necessidades de açúcar dos EUA, que seria a minha estratégia.

O valor do ATR de agosto já teve grande recuperação em relação a julho, invertendo o fechamento para cima. O acumulado está em 0,68 kg/ATR. Minha previsão hoje para o fechamento do valor do ATR (valor médio safra 2020/21): RS$ 0,707/kg, com viés de alta!

Marcos Fava Neves é Professor Titular (em tempo parcial) das Faculdades de Administração da USP em Ribeirão Preto e da FGV em São Paulo, especialista em planejamento estratégico do agronegócio. Confira textos, e outros materiais no site doutoragro.com e vídeos no canal do YouTube (marcos fava neves) e no Market Club da Credicitrus, a quem agradeço pelo apoio. Este texto contou com a inestimável ajuda de Vinicius Cambaúva e Vitor Nardini Marques.
Marcos Fava Neves
Professor Titular (em tempo parcial) das Faculdades de Administração da USP em Ribeirão Preto e da FGV em São Paulo, especialista em planejamento estratégico do agronegócio.
Os artigos assinados são de responsabilidade de seus autores, não representando,
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