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Aquisição da Biosev pela Raízen pode ser o início da consolidação no setor
Publicado em 11/09/2020 às 10h20
Mesmo que crises econômicas possam sugerir um cenário propício para fusões e aquisições, com empresas mais saudáveis comprando suas concorrentes, é fato que nenhum player deseja ser vendido na bacia das almas. No entanto, a negociação de compra da Biosev, subsidiária do grupo americano Louis Dreyfus, pela Raízen é vista com otimismo no mercado e pode sinalizar um início de consolidação no setor de cana-de-açúcar.

Nesta quarta-feira, 09, a Biosev confirmou em fato relevante as tratativas preliminares com a Raízen, ressaltando que "não há qualquer acordo ou proposta vinculante acerca de potencial transação". Já a Raízen, também por meio de fato relevante, afirmou que pode haver uma "potencial transação entre as companhias".

Com o anúncio, as ações da Biosev na B3 fecharam em alta de 21,9%, refletindo o otimismo do mercado com o que pode ser a tábua de salvação da companhia.

No auge da pandemia, os preços do petróleo despencaram no mercado global e a demanda por combustíveis recuou de forma significativa. O setor de etanol chegou a pedir aumento da Contribuição de Intervenção de Domínio Econômico (Cide) da gasolina como forma de minimizar os danos da crise econômica.

Paralelamente, as usinas vinham se recuperando de um cenário de excesso de oferta global de açúcar, o que pressionava ainda mais as margens do setor.

Hoje, os preços do adoçante vêm em uma trajetória ascendente e a alta do dólar, aliada à recuperação gradual dos preços do petróleo, favorece as margens dos combustíveis.

"O desempenho do setor sucroenergético em 2020 vai ser muito melhor do que o esperado", afirma Andy Duff, estrategista global de açúcar e etanol do Rabobank Brasil, banco especializado no setor do agronegócio.

O banco estima que a safra 2020/2021 do Centro-Sul do país, responsável pela maior parte da produção brasileira de cana-de-açúcar, alcance de 585 milhões a 600 milhões de toneladas, um volume estável em relação ao ciclo passado, mesmo diante dos efeitos da pandemia.

Neste cenário, o especialista acredita que o movimento de consolidação é natural. Ele explica que há uma certa "polarização" no setor: de um lado empresas fortemente estruturadas, com alta capacidade de estocagem e crédito amplo no mercado. Do outro estão as usinas com saúde financeira comprometida.

"Quem tem um bom desempenho vai continuar melhorando, e quem está ruim tende a continuar piorando", diz Duff.

No ano-safra encerrado em março, a Biosev registrou prejuízo líquido recorde de 1,55 bilhão de reais, seu nono resultado negativo consecutivo.

"A Biosev é uma empresa que precisa de um investimento muito grande e está altamente endividada. Dependendo do preço negociado, a aquisição pode ser positiva, mas tudo depende do desembolso que a futura compradora terá que fazer", afirma Fernando Bresciani, analista de investimentos.

Segundo ele, o movimento de consolidação no setor faz todo sentido. "O Brasil é o maior produtor do mundo, a demanda está em recuperação e os preços do açúcar estão voltando a subir lá fora."

Desde 2005, 95 usinas fecharam as portas no Centro-Sul do país. Se os preços do açúcar não mantiverem sustentação no mercado global, mais uma vez a configuração das lavouras no Brasil pode mudar, cedendo espaço para outras culturas. E se a cotação do petróleo cair mais ainda, o cenário se agrava.

Por esse motivo, a disparidade entre as usinas brasileiras pode aumentar, conforme a avaliação do especialista do Rabobank. "Os produtores de cana estão preferindo vender para as usinas mais capitalizadas, o que piora a situação daquelas que enfrentam dificuldades financeiras e dificulta sua sobrevivência", diz Duff.
Juliana Estigarribia
Fonte: Portal Exame
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