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Governo Federal inaugura uma das maiores Plantas de Biogás no mundo para geração de energia elétrica sustentável
Publicado em 16/10/2020 às 14h03
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Foi inaugurada nesta sexta-feira (16/10), com a presença do presidente Jair Bolsonaro e do Ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, uma das maiores plantas de Biogás de geração de energia elétrica no mundo. A planta industrial é fruto de parceria entre as empresas Raízen e Geo Energética, que hoje, juntas, constituem a empresa Raízen Geo Biogás. A cerimônia ocorreu na usina Bonfim, na cidade de Guariba/SP, e contou com a presença de autoridades dos governos Federal, estadual e municipal, de parlamentares e representantes de entidades e empresas ligadas ao setor de biogás, gás natural e biocombustíveis.

Ao participar do evento, o Ministro Bento Albuquerque falou, com entusiasmo, sobre a capacidade de 138 mil Mwh/ano de geração de energia pela recém-inaugurada Planta de Biogás, e que permitirá abastecer um total de 62 mil domicílios ou aproximadamente 150 mil habitantes. "Isso deve ser motivo de grande orgulho para todos que aqui estão. A partir dos instrumentos que já estabelecemos com a nossa Política Nacional de Biocombustíveis, o Renovabio, tenho a convicção que esta planta é a primeira de muitas outras que serão construídas em um futuro próximo", afirmou o ministro.

"Avançar na descarbonização da matriz energética mundial é um dos principais desafios do nosso tempo", lembrou o Ministro. E voltando à Conferência Rio-92, ressaltou que, apesar da maior conscientização sobre as questões ambientais, "desde então, não houve redução significativa da participação dos combustíveis fósseis no fornecimento global de energia, atualmente, em cerca de 80%".

"O Brasil é reconhecido por possuir uma das mais limpas matrizes energética e elétrica do mundo", ressaltou. "Nosso potencial hídrico, eólico, solar e de bioenergia tem assegurado, historicamente, uma participação relevante e diversificada das fontes renováveis na oferta interna de energia do País", acrescentou o ministro, lembrando que os derivados da cana-de-açúcar respondem, atualmente, por mais de 17% da matriz energética brasileira, podendo atingir 19%, em 2030. "Isso se traduz em segurança energética e, ao mesmo tempo, mitigação das mudanças climáticas", destacou o ministro.

Falando sobre as vantagens e os impactos positivos do biogás e do biometano sobre o meio ambiente, especialmente para a qualidade do ar e para a saúde pública, Bento Albuquerque destacou a redução, em 96%, das emissões de gás carbônico com o uso do biometano a partir do biogás. "A utilização do biogás e do biometano nas usinas também possibilitará o aumento da nota de eficiência energético-ambiental dessas unidades produtoras, levando à geração de mais créditos de descarbonização, o nosso CBIO", afirmou.

O Ministro enalteceu estudos que mostram que o potencial de produção de biogás no Brasil, somente a partir da vinhaça e da torta de filtro, podem atingir, em 2030, até 45 milhões de m3/dia. Esse valor, segundo Bento Albuquerque, corresponde a mais de duas vezes o volume médio de gás natural importado da Bolívia em 2019, no patamar de 19 milhões m3/dia. "Assim -- afirmou -, não há exagero em afirmar que o biogás será uma revolução comparável ao advento, no início dos anos 2000, da produção simultânea de calor e eletricidade a partir do bagaço da cana".

Em seu discurso, Bento Albuquerque fez uma retrospectiva do setor sucroenergético voltando à década de 70 com o Próalcool, passando pela inovação da utilização do bagaço para produção de energia elétrica, até chegar ao biogás nos dias atuais. Entusiasmado, afirmou, dirigindo-se ao presidente: "Presidente Bolsonaro, o Brasil, o seu governo, dá sucessivos exemplos de como é possível integrar nossas plantas industriais e gerar energia limpa, a baixo custo e com oferta segura durante todo o ano. Tenho a felicidade de testemunhar, hoje, o início dessa nova etapa para o setor, que contribui com o País há décadas, na construção de uma matriz energética exemplar e na geração de milhares de empregos para os brasileiros", acrescentou.

O Ministro concluiu sua fala parabenizando as empresas Raízen e Geo Energética, que constituem, hoje, a Raízen Geo Biogás "pela iniciativa, por acreditarem no Brasil e por optarem por produzir uma energia cada vez mais renovável e limpa".


Planta de Biogás

A Planta de Biogás instalada na usina Bonfim, é umas das maiores do mundo a utilizar a tecnologia de conversão da torta de filtro e vinhaça, subprodutos da unidade de processamento de cana-de-açúcar, como matérias-primas para fabricação de biogás e geração de energia elétrica.

A planta já fornece energia para o sistema elétrico antes mesmo do início da vigência do contrato em janeiro de 2021, que terá duração pelos próximos 25 anos conforme leilão vencido pela Raízen em 2016.

O contrato prevê o fornecimento de 96 mil Mwh/ano da energia gerada. O volume excedente poderá ser negociado no mercado livre.

Segundo a Raízen, a Planta de Biogás terá geração de energia ao longo de todo o ano uma vez que a vinhaça será operada na safra, enquanto a torta de filtro terá operação durante o ano inteiro. A possibilidade de armazenamento da torta geraria estabilidade no processo biológico do biogás e sinergia para atuar com a vinhaça.

A usina Bonfim é a segunda maior operação da Raízen em moagem de cana (capacidade de 5 milhões de toneladas/ano), e já está certificada no âmbito do Renovabio.


Sobre o processo de produção na planta de biogás

Biodigestores convertem a matéria orgânica da torta (resíduos restantes da filtragem do caldo da cana composta de 70% de água, 18% de matéria orgânica e 12% de outros sólidos) e da vinhaça (água restante do processo de destilação composta por 95% de água, 3% de sais e 2% de carga orgânica) em metano e co2, o chamado biogás. Essa mistura passa por um processo de dessulfurização -- para a purificação do gás -- e então vai para motogeradores. É nesses geradores que o biogás é transformado em energia elétrica.

Uma vez purificado, o biogás apresenta as mesmas características que o gás natural (96,5% metano) sendo assim possível de ser utilizado, na forma de biometano, como substituto ao diesel como combustível de automóveis, tratores e caminhões, uma iniciativa alinhada às resoluções do Renovabio.

A certificação atual da usina Bonfim não leva em conta essa utilização do biometano como substituto do diesel. Ou seja, quando se der esse uso, a nota da unidade será muito beneficiada, gerando mais Cbios pelo biocombustível produzido com menor pegada de carbono.

Segundo dados preliminares da Renovacalc, o biometano reduz em 96% as emissões de CO2, sem contar a diminuição de emissão de material particulado, chegando a emitir 90% menos gases de efeito estufa em comparação com os combustíveis fósseis.

A produção de biogás nesta tecnologia é viável em plantas com capacidade de moagem a partir de 1 milhão de toneladas de cana de açúcar.
Fonte: Ministério de Minas e Energia
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