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Diesel, atraso no Proconve e falta de monitoramento são vilões da saúde nas cidades
Publicado em 03/03/2021 às 15h48
Até 2023, a frota de veículos pesados do Brasil deve adotar novas regras do Programa de Controle de Poluição do Ar por Veículos Automotores (Proconve), passando para a fase P8, equivalente às normas já adotadas nos Estados Unidos e na Europa, como o Euro 6.

Um estudo do Instituto Saúde e Sustentabilidade calcula que essa mudança tecnológica pode gerar um saldo positivo de R$ 68 bilhões em produtividade nos próximos 30 anos -- contados a partir de 2023 -- e evitar cerca de 148 mil mortes.

O P8 traz metas mais restritivas para a emissão de poluentes vindos da combustão do diesel, com exigência da adoção de tecnologias e motores menos poluentes.

A substituição gradual da frota também resultaria em uma economia aproximada de R$ 575 milhões, fruto da não internação hospitalar de 155 mil pessoas. Isso considerando apenas seis regiões metropolitanas brasileiras: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Vitória, Curitiba e Porto Alegre.

Apesar desses benefícios, o início do P8 em 2023 corre o risco de ser postergado a pedido das montadoras.

No final do ano passado, a Anfavea (associação que representa fabricantes de veículos) passou a defender a postergação da mudança de fase do Proconve, alegando "falta de tempo hábil" por conta da pandemia.

Em entrevista à epbr, a médica Evangelina Vormittag, uma das principais especialistas em gestão de sustentabilidade do Brasil, critica o pedido de adiamento do P8 e dá um panorama sobre as causas da poluição no Brasil.

Ela explica que o principal desafio para resolver o problema da poluição nas cidades é fazer as políticas públicas funcionarem.

"A gente até tem políticas e leis, mas elas não são cumpridas, ou são desatualizadas, não têm penalidade, ou pior, não tem fiscalização", pontua Evangelina, que também é uma das autoras do estudo do Instituto.

Entre os exemplos de políticas que não são cumpridas estão a inspeção veicular e o monitoramento da qualidade do ar.

"A inspeção veicular é uma lei, os estados do Brasil inteiro teriam que ter implementado inspeção veicular. O único que implementou foi o Rio de Janeiro e agora já não faz mais", diz.

Já no caso do monitoramento, apenas dez estados e o Distrito Federal fazem e "desses dez estados a gente pode considerar que cinco monitoram muito mal", alerta.
Nayara Machado
Fonte: Epbr
Notícias de outros veículos são oferecidas como mera prestação de serviço
e não refletem necessariamente a visão da UDOP.
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