Este site utiliza cookies para garantir que você obtenha a melhor experiência. Ao continuar navegando
você concorda com nossa política de privacidade. Política de Privacidade

Facebook
Instagram
Linkedin
Twitter
Youtube
Fale Conosco
Campeão na produção de etanol, Brasil tem vantagens na era do hidrogênio verde
Combustível limpo à base da biomassa de cana-de-açúcar tem alto teor de hidrogênio e não exige adaptação na infraestrutura de distribuição.
Publicado em 04/11/2021 às 09h28
Foto Notícia
Destaque internacional na produção de etanol, feito à base de cana-de-açúcar, o Brasil pode entrar mais rápido na era do hidrogênio verde. O combustível líquido, usado para abastecer motores de veículos há pelo menos quatro décadas no país, é um tipo de biomassa de alto conteúdo de hidrogênio. O segredo está na química: cada molécula de etanol tem três átomos de hidrogênio para cada átomo de carbono. É quase o dobro do que carrega a gasolina (1,62 átomo de hidrogênio para cada carbono), explica Plínio Nastari, presidente do Instituto Brasileiro de Bioenergia e Bioeconomia (IBIO).

"O Brasil é campeão. Não tem país que se compare com a atuação do país nessa área", afirma Nastari. "E extrair hidrogênio verde do etanol, fonte de energia renovável, é perfeitamente possível", complementa.

Um dos caminhos apontados por Nastari é a eletrificação dessa biomassa na área de mobilidade. Ou seja, do etanol, que move 48% da frota nacional atualmente, o hidrogênio verde pode ser extraído para abastecer veículos elétricos. A transformação acontece numa célula de combustível instalada no próprio carro. O componente chamado reformador faz a separação do hidrogênio contido na molécula do etanol. Na sequência, um outro componente, o reator, converte o hidrogênio em eletricidade que, por sua vez, alimenta o motor.

"As montadoras têm se referido ao Brasil como um país que já resolveu as questões de infraestrutura de hidrogênio verde por já ter instalada toda a infraestrutura do etanol", pontua o presidente do IBIO, que foi membro do Conselho Nacional de Política Energética como representante da sociedade de civil de 2016 a 2020. Em todo o território nacional, os mais de 42 mil postos de combustível não precisariam de qualquer adaptação para fornecer etanol à frota movida à hidrogênio verde.

"O nosso objetivo é focalizar o hidrogênio obtido do etanol", confirma Edmundo Barbosa, presidente do Sindalcool Paraíba, a visão de Plinio Nestari. Na opinião de Barbosa, a obtenção de H2 por eletrólise nesse momento é complexa devido ao momento difícil da crise hídrica.Uma outra opção de conversão de biomassa em hidrogênio verde passa por processos biológicos que envolvem o biogás e o biometano. No Brasil, por outro lado, esse é um caminho ainda a ser percorrido, comenta Barbosa. "A Alemanha tem 12 mil instalações de biogás e biometano. O Brasil tem 620 de biogás e três apenas de biometano", diz Barbosa, para efeito de comparação. "Esse é um grande filão e será explorado nos próximos anos, já que hoje o biometano é um dos biocombustíveis incentivados pela política nacional de biocombustíveis no país", adiciona.

O biometano é avaliado como uma forma excelente do resíduo que sai atualmente das usinas, que é a vinhaça da cana-de-açúcar. O produto é aproveitado na fertirrigação, porpem, na visão de Barbosa, poderia ser ainda melhor usado na obtenção de biogás e biometano. "Queremos exportar H2V para a Alemanha e União Europeia. Esse é o nosso foco. As usinas de etanol poderão fornecer hidrogênio verde para a siderurgia e outras indústrias evitando, desse modo, as volumosas emissões de CO2 tanto do gás natural, quanto de outras fontes fósseis", argumenta Barbosa.

Segundo Ansgar Pinkowski, gerente de Inovação e Sustentabilidade e Business Scout for Development da Câmara de Comércio Brasil Alemanha (AHK Rio), o uso da biomassa pode ser uma excelente rota tecnológica nacional para a produção de hidrogênio. Assim, o país conseguiria usar toda a sua excelente capacidade de produzir hidrogênio verde, através de eletrólise, para atender outros países e se tornando um importante player neste novo mercado. Pinkowski ressalta, ainda, que a crescente demanda do mercado interno poderia ser atendida através de hidrogênio com base em biomassa. "E quem sabe em um futuro próximo, o Brasil consiga desenvolver tecnologias que possam ser exportadas para outros países, tendo como base a longa tradição de produção e uso do etanol", adiciona.

Esse é um dos motivos que fizeram com que Adalberto Arruda, advogado na área ambiental, levasse o debate para o setor sucroalcooleiro de Pernambuco. O estado é o segundo no Nordeste em produção de cana-de-açúcar, com 11,7 milhões de toneladas na safra 2020/2021. "O tema do hidrogênio verde a partir do etanol começou a ser pensado pelo setor, que achou interessante. Vejo boas chances de avançarmos objetivamente nesse sentido", afirmou Arruda.
Fonte: Portal Hidrogênio Verde
Notícias de outros veículos são oferecidas como mera prestação de serviço
e não refletem necessariamente a visão da UDOP.
Mais Lidas