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Tecnologia é aposta para indústria "clean"
Publicado em 24/11/2021 às 10h12
A tecnologia pode garantir indicadores melhores do ponto de vista ambiental para diferentes indústrias, ajudando a enfrentar desafios como mudanças de processos produtivos e energéticos, mensuração das emissões e regulações.

Segundo o Boston Consulting Group (BCG), 91% das empresas têm dificuldade em medir emissões. A consultoria usa inteligência artificial (IA) para apurar indicadores em produtos e fábricas das organizações até emissões escopo 3, externas às empresas, que inclui fornecedores, transporte de matérias-primas e impacto do consumo final no ambiente.

As empresas já estendem sua preocupação à escolha de fornecedores, mas têm dificuldades em transformar modelos de produção, diz o especialista em clima e energia da BCG, Arthur Ramos. Estudo feito para a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), por exemplo, mostra que a participação de 40% de biocombustíveis no total usado no país, com potencial para captura de carbono no plantio de cana (etanol) e de soja (biodiesel), desestimula a eletrificação da frota automotiva.

O diretor e coordenador do comitê de sustentabilidade e bioeconomia da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), Eduardo Bastos, lembra que o setor privado pode apresentar soluções econômicas para a transição, fomentar a mudança pelo lado financeiro e promover o casamento entre finanças, ESG (boas práticas ambientais, sociais e de governança, na sigla em inglês) e clima por meio de investimento em pesquisa e desenvolvimento, financiamentos e parcerias.

No uso do solo, o setor tem metas climáticas ambiciosas e defende incentivos para o produtor manter excedentes de floresta com produtividade sustentável - hoje campeões nacionais conseguem 120 sacas de 60 kg de soja por hectare, ante média global de 60 sacas.

O cimento é outro destaque. O produto responde por 7% das emissões humanas no mundo, mas no Brasil fica perto de 2%. O plano é reduzir 33% da pegada de carbono até 2050, com matérias-primas e combustíveis alternativos, eficiência energética e captura de carbono. Hoje, 32% das matérias-primas locais incluem elementos como escória siderúrgica e 31% da energia vêm de resíduos, como pneus, lixo urbano, caroço de açaí ou palha de arroz.

A entidade internacional que representa a indústria cimenteira (GCCA) apresentou meta de carbono zero até 2050, incluindo a cadeia do concreto e da construção. No Brasil, sindicato e associação setorial (SNIC e ABCP) fecharam parceria com a Universidade de São Paulo (USP) no polo de inovação Hubic, voltado a cimento e sistemas construtivos. Definição de meta ou precificação de carbono devem chegar em breve ao país, avalia Gonzalo Visedo, líder de sustentabilidade do SNIC.

O plástico emprega resíduos industriais (aparas), com uso e geração de energia solar e desenvolvimento de novos materiais, biodegradáveis ou bioplásticos. O setor é capaz de transformar resina de celulose e arroz, mas a oferta de biopolímeros ou biodegradáveis ainda é incipiente no país, diz Paulo Teixeira, diretor superintendente da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast).

A discussão é maior no ramo de embalagens ou descartáveis, que representa quase 40% do setor e é o maior gerador de resíduos. Um dos projetos é o indicador de reciclabilidade para o usuário industrial. Outro mira o consumidor. Uma parceria com o Ministério da Economia e a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) gerou uma plataforma gamificada para municípios bonificarem separação de lixo doméstico, com monitoramento da cadeia de reciclagem por inteligência artificial.

Já o segmento de combustíveis fósseis lida com a necessidade de inclusão energética e disponibilidade de fontes. Segundo Cristina Pinho, diretora executiva corporativa do Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP), estão na mesa tecnologias de descarbonização, geração de novas fontes de energia, eficiência energética e mudança de portfólio. Cresce também o uso de energia eólica e solar e tecnologias para captura e injeção de carbono em cavernas e uso em outros produtos.
Fonte: Valor Econômico
Texto extraído do boletim SCA
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