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Vaivém das Commodities: Biodiesel mostra que governo tem um discurso lá fora e outro aqui dentro
Publicado em 01/12/2021 às 08h55
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Quando se trata de sustentabilidade e de redução de emissão de carbono, o governo tem um discurso para mostrar ao mercado externo, mas age exatamente ao contrário internamente.

A avaliação é Francisco Turra, presidente do conselho de administração da Aprobio (Associação dos Produtores de Biocombustíveis do Brasil), ao analisar as novas medidas do Conselho Nacional de Política Energética para o setor.

A mistura de biodiesel, que já foi reduzida pelo governo neste ano e está em 10%, deveria subir para 13% e, em março, para 14%. O governo, no entanto, a manterá em 10% durante 2022.

O Brasil promete descarbonizar e reduzir a emissão de gases de efeito estufa na COP26, mas adota práticas exatamente contrárias no país, afirma o executivo.

Para Juan Diego Ferrés, presidente da Ubrabio (União Brasileira de Biodiesel e do Bioquerosene), a medida é "grotescamente desconstrutiva".

"Não dá para entender esse governo", afirma.

Além dos efeitos sobre o clima, a redução ocorre exatamente em um momento de uma supersafra mundial de soja, principal matéria-prima para a fabricação do biodiesel.

Os Estados Unidos acabam de colocar um volume recorde de 120 milhões de toneladas de soja no mercado. O Brasil deverá colher 144 milhões, e a Argentina, próximo de 50 milhões.

Ou seja, os três principias produtores mundiais vão colher acima de 300 milhões de toneladas. Já a China, principal importadora mundial, e que vinha com um volume crescente de compras, deverá parar nos 100 milhões de importações no próximo ano.

As razões alegadas pelo governo para reduzir a mistura são injustificadas, segundo Turra. A tão anunciada pressão do preço do biodiesel sobre o diesel não existe.

Em janeiro, a participação do biodiesel no preço do diesel era de 13,6%. No mês passado, estava em 13,7%. "Não somos a causa dos aumentos do diesel. Há uma desinformação do governo", diz ele.

Ferrés, da Ubrabio, afirma que o desastre sobre a economia será grande. As empresas investiram muito para atingir o patamar programado de biodisel no país, e agora vão ficar com uma grande capacidade ociosa, calculada em 46%.

Ele calcula que o setor deixará de movimentar R$ 15 bilhões no próximo ano, devido à redução da mistura para 10%, ao invés dos 14% previstos em lei. Esse setor irriga boa parte das economias regionais, mantendo empregos e gerando valor agregado aos produtos em 14 unidades da federação.

Não serão processados 12,5 milhões de toneladas de soja, que gerariam 9 milhões de toneladas de farelo. Essa redução vai afetar os preços das rações, elevando o custo das proteínas e aumentando a pressão inflacionária.

Os investimentos feitos para a ampliação de oferta de biodiesel agora serão custos para as empresas, que devem pagar as taxas de financiamentos sem um aproveitamento dessa capacidade instalada aumentada.

A ação do governo freia a geração de emprego e pode provocar ainda mais desemprego em um país em recessão, diz Ferrés.

O Brasil tem todo o potencial para elevar a produção, mas não tem mais confiabilidade. Combalidas e escaldadas, as empresas não voltarão mais a investir, acrescenta o executivo da Ubrabio.

Como medidas futuras, Turra diz que o setor vai fazer um apelo ao bom senso do governo. Há também a alternativa de buscar uma anulação jurídica desse ato, uma vez que contraria a lei do Renovabio.

Entidades produtoras de biodiesel, do agronegócio e a Frente Parlamentar Mista do Biodiesel se reuniram nesta terça-feira (30) para definir uma ação conjunta.
Fonte: Folha de São Paulo
Texto extraído do boletim SCA
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