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Novo mercado de carbono e metano vai colocar de pé projetos de economia verde, diz ministro
Joaquim Leite (Meio Ambiente) afirma que decreto a ser publicado ainda será amadurecido no Congresso, mas que sua importância consiste na criação do mercado
Publicado em 19/05/2022 às 10h51
Foto Notícia
Entusiasmado com a proximidade da publicação de um decreto para iniciar o mercado de carbono e de metano no Brasil, o ministro do Meio Ambiente (MMA), Joaquim Leite, admitiu que o projeto estará maduro apenas depois que passar pelo Congresso Nacional, o que deve levar de um a dois anos. De acordo com ele, as áreas que deverão se beneficiar mais desse mercado num primeiro momento são as de floresta nativa, restauração florestal, reflorestamento, bioenergia de açúcar e álcool.

Leite conversou com exclusividade com a reportagem do Estadão/Broadcast ao final do primeiro de três dias de evento sobre o setor, que ocorre no Rio de Janeiro. Na abertura do Congresso, ao lado do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, o estrategista da Bluebay Asset Management para títulos soberanos de mercados emergentes, Graham Stock, fez uma crítica ao desmatamento no Brasil, dizendo que ainda continua, e que o governo deveria investir mais.

Depois da saia-justa, o presidente do BC o convidou a visitar a Amazônia. A viagem, conforme Leite informou nesta quinta-feira, 19, será realizada pelo analista estrangeiro em companhia de um representante do MMA. Leia abaixo a entrevista.

Quais serão os principais pontos do novo mercado de carbono?

Além do crédito de carbono, o principal ponto é o crédito de metano [o gás é visto como um dos maiores vilões para o efeito estufa porque é o principal contribuinte para a formação de ozônio ao nível do solo], que é uma novidade, e a possibilidade de registrar pegada de produto e atividade das cadeias produtivas brasileiras. Além disso, carbono no solo, carbono em vegetação nativa e carbono azul. Isso tudo traz um diferencial aos produtos brasileiros, pois são indicadores de eficiência do processo produtivo. O decreto abre espaço para criar planos setoriais eficientes e modernos. Tudo isso é desenhado para fazer receita extraordinária para fazer projetos de uma nova economia verde que ainda não ficam de pé. Como eu falei no meu discurso mais cedo, eólica offshore [no mar], hidrogênio verde são algumas atividades que não ficam economicamente de pé. Com esse adicional de vendas de crédito de carbono, você pode fazer essa nova economia acelerar e a gente antecipa o futuro.

Esses recursos que vão ser gerados têm de ser reinjetados?

Só podem ser reinjetados. Você só poderá utilizá-los quando provar que você reduziu sua emissão. Se eu tenho uma atividade assim, eu vou conseguir antecipar esses recursos e trazer minha viabilidade econômica porque agora ele terá receitas, além das vendas, a receita da renda do carbono.

Mas ainda leva tempo até tudo isso amadurecer, certo?

A grande jogada deste decreto é fazer nascer hoje o mercado. A maturidade dele vai acontecer quando o Projeto de Lei (PL) passar no Congresso, o que leva um ano ou dois até virar lei. Ele contará ainda com toda uma estrutura jurídica que será feita via PL. Estou feliz porque esse mercado nasceu hoje comigo e com Paulo Guedes [ministro da Economia].

Algum setor vai se desenvolver à frente?

Energias renováveis, agricultura de baixo carbono, indústria de baixo carbono, todos os setores que se modernizarem. Quem não conseguia, por exemplo, trocar uma caldeira por uma caldeira mais moderna, porque era inviável economicamente, agora vai agora conseguir fazer isso, que seu negócio fique de pé com as receitas extras. E assim a gente vai reduzindo emissões.

E florestas?

Na minha opinião, floresta nativa, restauração florestal, reflorestamento, bioenergia de açúcar e álcool são as áreas que vão se beneficiar mais neste momento.

Ao lado do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, o estrategista da Bluebay Asset Management para títulos soberanos de mercados emergentes, Graham Stock, fez uma crítica ao desmatamento no Brasil, dizendo que ainda continua. Disse que o governo deveria investir mais...

A gente já está investindo em projetos de Bioma, o Ministério da Justiça está tocando e assumiu o tema de combate ao crime na Amazônia. As coisas estão caminhando com os desafios que nós temos, como os outros países. O Campos Neto o convidou [Graham Stock] para visitar a Amazônia e uma secretária do nosso ministério, que coordena todo esse plano de desmatamento, vai com ele até a Amazônia.
Fonte: O Estado de S. Paulo
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