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Soja livre paga até R$ 50 a mais por saca
A soja não geneticamente modificada tem contratos de até US$ 10 por saca a mais na próxima safra
Publicado em 19/05/2022 às 08h12
Foto Notícia
A soja convencional está com prêmios históricos. O ano de 2022 foi muito positivo para os produtores, mas 2023 poderá ser ainda melhor.

Nesta safra, o país fez o menor plantio da história de soja livre de transgenia, apenas 800 mil hectares, mas os preços de negociação estão sendo recordes.

Na média, a saca está sendo comercializada com valores de US$ 6 a US$ 7 por saca acima da soja geneticamente modificada.

Esses valores praticamente já estão garantidos também para a próxima safra, mas já há contratos sendo feitos com prêmio de até US$ 10 (R$ 50), dependendo do volume e da logística.

Eduardo Vaz, coordenador executivo do Instituto Soja Livre, diz que a rentabilidade líquida da soja convencional atingiu R$ 2.667 por hectare na safra 2021/22, um valor R$ 1.110 superior ao da transgênica.

Os bons preços deste ano estão compensando a produtividade inferior à obtida pela geneticamente modificada de 3,75 sacas e o custo 3% superior.

A produção de soja convencional foi de 2,75 milhões de toneladas. Já a área total de soja do país, incluindo convencional e geneticamente modificada, superou 40 milhões de hectares nesta safra, com produção de 123 milhões de toneladas.

Mato Grosso responde por 45% da área semeada com soja convencional. Paraná, Goiás e Minas Gerais vêm a seguir. Juntos, os quatro estados representam 90% da área brasileira de soja convencional.

Os prêmios estão elevados devido à redução de produto nesta safra. Além de área menor, houve seca e quebra de safra em várias regiões do país. Isso ocorre em um momento em que a demanda por alimentos com base em proteína vegetal cresce. Além disso, há uma procura maior pelas indústrias, segundo Rodrigo Brogin, pesquisador da Embrapa Soja e membro do conselho fiscal do Instituto Soja Livre.

Vaz e Brogin acreditam na evolução da área plantada em 2022/23. A demanda está aquecida, os custos dos insumos químicos estão elevados e a rentabilidade da soja convencional é atraente.

Mas há um gargalo: a disponibilidade de semente. Para Vaz, há pelo menos um volume suficiente para a manutenção de área deste ano. Ele espera, no entanto, que Mato Grosso consiga aumentar a área em 15%.

Apesar de a soja convencional ser um nicho de mercado, com a Europa sendo o principal mercado, o produtor muda fácil a chave de produção e deve optar mais pela soja convencional, afirma Vaz.

Para Brogin, o Instituto Soja Livre, criado pela Embrapa e pela Aprosoja/MT em 2017, tem a função exatamente de ir adequando a necessidade dos produtores.

Há 12 anos, a Embrapa vem fazendo uma melhora e adaptação das cultivares convencionais, que tinham rendimentos menores e períodos mais alongados de safra.

Hoje as variedades convencionais competem com as geneticamente modificadas, segundo o pesquisador. Além de colocar no mercado variedades precoces, a Embrapa cuida da sanidade, rendimento e adaptação das cultivares.

Um papel importante do Instituto Soja Livre também é o de difundir informações, tanto para os produtores nacionais como para o mercado externo. Para este, é preciso mostrar que país ainda tem potencial para a soja convencional, afirma Brogin.

O instituto faz, ainda, uma ponte entre produtores e sementeiras, para que haja garantia de oferta de semente conforme os interesses do agricultor.

O pesquisador da Embrapa acredita que, com a entrada de grandes tradings nesse mercado, e o Brasil sendo uma boa opção para a soja convencional, o mercado vai crescer.

Ciência

Os resultados das pesquisas científicas voltadas para a agropecuária já estão mais próximos do campo, segundo Alexandre Nepomuceno, chefe-geral da Embrapa Soja.

As despesas para tornar essas inovações em custos palpáveis, porém, ainda estão distantes do campo, segundo Hugo Molinari, da Sempre AgTech.

Nepomuceno diz que o produtor tem de acreditar nas vantagens dessas evoluções e dar suporte a elas, embora o resultado de uma pesquisa genética seja mais longo do que o da agricultura digital.

Para Molinari, o produtor parece que tem um escorpião no bolso. É preciso participar mais dessa evolução. Mas as coisas já estão bem melhores, em termos de custos, do que há alguns anos, afirma ele.

Fertilidade

A Embrapa lançou no 9º Congresso de Soja, que está sendo realizado em Foz do Iguaçu, a plataforma Afere, que fornece informações para melhorar a eficiência sobre o manejo de fertilidade do solo e adubação de plantas.

A Afere realizará cálculos do balanço da adubação, possibilitando o manejo com reposição ou restituição de nutrientes em sistemas de produção de soja.
Fonte: Folha de S. Paulo
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