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Crise alimentar mundial: agro brasileiro como parte da solução, por Jacyr Costa Filho
Publicado em 01/06/2022 às 14h15
Foto Notícia
A invasão russa à Ucrânia fez crescer vertiginosamente a ameaça de insegurança alimentar no mundo, sobretudo nos países mais pobres do Oriente Médio e da África subsaariana, seja pela alta nos preços dos alimentos e falta de fertilizantes -- o que afeta a produtividade nas lavouras -- ou pela escassez crescente de comida. O agronegócio brasileiro tem condições de atenuar esse grave problema, incrementando a sua produção.

Há uma onda global de protecionismo visando garantir o abastecimento interno em países que estão adotando medidas de restrição à exportação de alimentos. Desde o início do conflito no leste europeu, contabilizam-se 43 restrições à exportação de alimentos e fertilizantes mundo afora, cenário que levou o Banco Mundial a prever que os preços do trigo devem subir mais de 40% em 2022.

Neste contexto, as exportações de trigo pela Índia, importante produtor mundial, foram suspensas juntamente com as exportações de óleo de palma pela Indonésia, maior fornecedor do produto para os indianos.

A queda no ritmo de fornecimento de fertilizantes da Rússia e a suspensão de operações envolvendo milho, manteiga, carne bovina e óleos vegetais provenientes da Turquia são outras evidências que perturbam a cadeia global de alimentos. Já se tem notícia, inclusive, de que alguns supermercados de economias desenvolvidas, como Espanha e Reino Unido, estão limitando a quantidade de cereais vendidos à população.

Neste cenário nublado, o Brasil pode ajudar a clarear o ambiente. Para tanto, é importante termos um Plano de Safra 2022/2023 bastante robusto, com recursos substancialmente maiores do que os disponibilizados na safra anterior, praticando taxas compatíveis com a atividade agrícola.

O volume de recursos deve ser suficiente para atenuar a alta nos custos de produção, além dos elevados preços de energia e de fertilizantes. Impõe-se, também, o reforço do seguro rural para que o agricultor se sinta estimulado a enfrentar maiores riscos. Atualmente, o Brasil garante alimentos para cerca de 800 milhões de pessoas no mundo, segundo a Embrapa. Com estas medidas de curto prazo, poderíamos expandir este alcance.

O Brasil deve aceitar esta missão com vigor e confiança. Tem plenas condições de agregar ao seu poder exportador de commodities uma capacidade maior de fornecer produtos industrializados. Como cravou Horace Jackson Brown Jr., autor americano de diversos best-sellers, "nada é mais caro do que uma oportunidade perdida".

Há pela frente um desafio e uma oportunidade de garantir alimentos ao mundo neste momento crítico de aumento da fome devido aos efeitos causados pela pandemia e pela guerra na Ucrânia. Temos vocação agrícola e domínio da moderna agricultura tropical com o uso das melhores tecnologias. Vamos produzir.


*Artigo originalmente publicado no portal Diário da Região


Jacyr Costa Filho
Presidente do Cosag - Conselho Superior do Agronegócio da Fiesp e sócio da Consultoria Agroadvice
Os artigos assinados são de responsabilidade de seus autores, não representando,
necessariamente, a opinião e os valores defendidos pela UDOP.
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