Este site utiliza cookies para garantir que você obtenha a melhor experiência. Ao continuar navegando
você concorda com nossa política de privacidade. Política de Privacidade

Capacidade ociosa nas usinas de etanol e açúcar atrai investidores
Os preços do açúcar estão sendo negociados perto de um pico de cinco anos, enquanto os do etanol no Brasil estão perto de altas históricas
Publicado em 09/06/2022 às 08h04
Foto Notícia
Os altos preços do etanol e do açúcar levaram investidores a buscar acordos de fusão no Brasil, onde grande parte da capacidade ociosa de biocombustíveis poderia ser usada para ajudar a aumentar o abastecimento global de combustível e alimentos.

"O Brasil é a Arábia Saudita da cana-de-açúcar, há capacidade não utilizada barata. Esse é o sonho do investidor", disse Craig Tashjian, sócio-gerente do fundo de investimento americano Amerra, que vem se expandindo para o setor brasileiro de cana-de-açúcar e etanol de milho.

"Estou muito positivo sobre a oportunidade de investimento lá." Amerra detém participações em seis empresas brasileiras, incluindo a maior produtora de etanol de milho do país, FS Bioenergia. Possui 36% de participação na holding Tapajos, que detém 23,7% da FS.

O Brasil é o maior produtor de açúcar do mundo e o segundo maior em etanol, mas quase 30% de sua capacidade de moagem de cana está ociosa devido a dificuldades financeiras enfrentadas por empresas menores. Investidores e banqueiros disseram que vários acordos estão sendo negociados, com grandes empresas esperando abocanhar players menores em dificuldades que estão funcionando abaixo da capacidade.

Henrique Penna, diretor comercial da empresa sucroalcooleira Jalles Machado SA, que abriu seu capital no ano passado e fez sua primeira aquisição em maio, disse que cerca de 40 usinas estão sendo colocadas à venda.

"Na fase final do processo (de aquisição), identificamos pelo menos oito bons alvos", disse ele, acrescentando que os preços atuais de açúcar e etanol atraíram vendedores e compradores ao mercado.

Os preços do açúcar estão sendo negociados perto de um pico de cinco anos, enquanto os preços do etanol no Brasil estão perto de altas históricas.

Penna disse que a Jalles não está em busca de outra usina por enquanto, mas disse que uma das plantas pesquisadas, a IACO Agrícola, controlada pelo banqueiro André Esteves e pelo grupo Grendene, está sendo ofertada no mercado pelo BTG Pactual.

Questionado sobre o mandato, o BTG Pactual não quis comentar.

Os últimos dois anos melhoraram a situação financeira das empresas após anos de baixo desempenho, devido aos preços mais altos, disse André Cury, chefe de banco comercial do Citi no Brasil.

"Os números do Ebitda subiram muito e eles conseguiram cortar a dívida. As empresas estão em melhor forma agora", disse.

No geral, há capacidade ociosa de moagem de cana no Brasil porque os preços mais baixos do açúcar e do etanol na década anterior reduziram a área de cana-de-açúcar, pois os agricultores mudaram para culturas mais lucrativas, como soja e milho.

As usinas do centro-sul do Brasil têm capacidade para moer cerca de 840 milhões de toneladas de cana-de-açúcar por ano, segundo o grupo industrial Unica, mas a safra deste ano está projetada em apenas 540 milhões de toneladas.

A usina que a Jalles Machado comprou, por exemplo, tem capacidade de moagem de 2,7 milhões de toneladas, mas atualmente está moendo apenas 2 milhões de toneladas, disse Penna.

Agora há espaço para a safra de cana-de-açúcar crescer nos próximos anos devido à alta demanda por etanol, disse Pedro Fernandes, diretor de agronegócios do banco de investimentos Itaú BBA. Ele acredita que a migração da cultura da cana para os grãos terminou.

"Os preços atuais tornam a cana-de-açúcar muito lucrativa, tanto para os agricultores quanto para os processadores", disse ele, projetando que a área plantada de cana-de-açúcar no Brasil pode crescer em 2023, 2024 e 2025.
Reuters
Texto extraído do portal Brasilagro
Notícias de outros veículos são oferecidas como mera prestação de serviço
e não refletem necessariamente a visão da UDOP.
Mais Lidas