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Petrobras deve hoje anunciar reajustes no diesel e gasolina
Publicado em 17/06/2022 às 09h08
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A diretoria da Petrobras informou ao conselho da empresa que deve anunciar, nesta sexta-feira, novos aumentos de preços para gasolina e o diesel, segundo fontes a par do assunto disseram ao Valor. Com o anúncio hoje, os reajustes nos preços dos dois combustíveis devem entrar em vigor amanhã, dia 18 de junho.

De acordo com as mesmas fontes, o assunto foi debatido ontem, em reunião extraordinária do conselho de administração da companhia, convocada às pressas pelo presidente do conselho, Márcio Weber, para ocorrer na na mesma, durante o feriado de Corpus Christi. Procurada, a assessoria de imprensa da petroleira não confirmou as informações até o fechamento dessa edição.

Na reunião do conselho, não foram citados possíveis percentuais de aumento nos preços dos dois combustíveis, de acordo com as fontes. Na pauta do encontro de ontem do colegiado, iniciado pouco depois das 16h, estava a proposta de "seguir ordem [do governo] de segurar preços" de combustíveis, informaram as mesmas fontes.

Para consultoria StoneX a defasagem atualizada no mercado interno é de 21% para o óleo diesel e de 5% na gasolina.

A reunião do conselho foi realizada a pedido de aliados do presidente da República, Jair Bolsonaro, do Ministro das Minas e Energia, Adolfo Sachsida, e de Ciro Nogueira, ministro-chefe da Casa Civil, de acordo com relato das fontes. Procuradas pelo Valor por e-mail, as assessorias de imprensa dos dois ministérios não responderam à confirmação dessa informação, até o fechamento dessa edição.

Ainda de acordo com as fontes, na reunião de ontem, os conselheiros da petroleira avaliaram que a definição de preços é de competência da diretoria da empresa, e não do conselho da companhia - conforme previsto no estatuto da Petrobras.

No entanto, também na reunião, os conselheiros presentes comentaram sobre possível risco de desabastecimento de diesel no mercado brasileiro, caso não ocorram novos ajustes nos preços do produto. Também foi citada na reunião defasagem estimada pela empresa - cálculo feito pela própria Petrobras -, de cerca de 26% entre preço internacional e interno do diesel.

Nos últimos dias, o Valor apurou que a companhia estaria preparada para realizar novo aumento nos preços desde começo da semana, mas que optou por segurá-lo, a pedido da União. Segundo fontes, o governo federal pediu para Petrobras esperar aprovação, agora já realizada no Congresso Nacional, de projeto de lei que limita em até 17% a alíquota de ICMS que incide sobre combustíveis, energia elétrica, serviços de telecomunicações e transporte público. Um dos objetivos do governo com a lei é deixar preços de gasolina e diesel mais baratos ao consumidor.

A companhia mantém os preços do diesel nas refinarias inalterados desde 10 de maio. Já a gasolina foi reajustada pela última vez em 11 de março.

O mercado acompanha com cautela as discussões sobre reajuste de preços, e tem feito seus próprios cálculos em relação à defasagem. A consultoria StoneX calculou que a defasagem atualizada de preços, praticados pela Petrobras no mercado interno em relação ao mercado internacional, é de 21% para o óleo diesel. Já no caso da gasolina, a defasagem é de preço é de 5%.

Isso, na prática, sinaliza necessidade de aumentar, respectivamente, R$ 1,34 e R$ 0,20 os litros de diesel e de gasolina, nas refinarias da petroleira, de acordo com a consultoria.

Caso a Petrobras decida manter por mais tempo preços de seus derivados de petróleo sem alinhamento com o mercado internacional, os importadores podem se sentir desestimulados a fazer compras de óleo diesel, elevando riscos de desabastecimento no país, alertou ao Valor Sérgio Araújo, presidente-executivo da Associação Brasileira de Importadores de Combustíveis (Abicom). Segundo ele, parte do mercado nacional, entre 25% e 30%, é atendido por importações do diesel.

Cálculos da Abicom com base nas cotações da quarta-feira pela manhã, que são os dados mais recentes obtidos pela entidade, mostravam que o diesel vendido pela Petrobras estava em média 18% abaixo da paridade internacional, com a necessidade de um aumento médio de R$ 1,08 por litro. Além disso, no caso da gasolina, a Abicom estimava uma defasagem de 14% e necessidade de um reajuste médio de R$ 0,67 por litro.

Araújo salientou que o iminente inverno no hemisfério Norte, que demanda mais combustível, e a perspectiva de aumento na demanda global por óleo diesel a partir do próximo anos tendem a pressionar ainda mais o mercado no Brasil nos próximos meses. Em relatório divulgado na última quarta-feira, 15 de junho, a Agência Internacional de Energia (AIE) projetou mercado com disponibilidade limitada de oferta de diesel em 2023, lembrou ele.

O embate entre o governo e a Petrobras no que concerne à política de preços da petroleira já dura mais de um ano. Dois presidentes da estatal, Roberto Castello Branco e Joaquim Silva Luna, foram demitidos respectivamente em fevereiro de 2021 e em março de 2022, por, na visão do governo, falharem em atender ao desejo do presidente Jair Bolsonaro em diminuir ou segurar preços de combustíveis, segundo apurou na época o Valor.

José Mauro Ferreira Coelho, ex-secretário no Ministério das Minas e Energia (MME), foi o último a assumir e tomou posse em abril. Após 40 dias de Coelho no cargo, outro nome foi anunciado pelo governo para comandar a petroleira, Caio Mário Paes de Andrade, auxiliar do ministro Paulo Guedes no Ministério da Economia. Por ora, Paes de Andrade aguarda marcação, pelo conselho da empresa, de Assembleia Geral Extraordinária (AGE) de acionistas para aprovação de seu nome como novo presidente da empresa.
Fonte: Valor Econômico
Texto extraído do boletim SCA
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