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Compra de diesel russo é inviável, dizem importadores
Publicado em 14/07/2022 às 09h15
Foto Notícia
Fornecedores da Rússia procuraram empresas da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom) para conversas sobre importação de diesel, mas as operações são inviáveis, de acordo com o presidente da Abicom, Sérgio Araújo. As sanções internacionais à Rússia impedem os pagamentos das operações, segundo Araújo.

Para ele, a compra de combustíveis russos pelo Brasil demanda um acordo diplomático que inclua os Estados Unidos, o que é improvável. "Os bancos têm operações que envolvem a economia americana, então seria necessário ter uma espécie de ´waiver´ [exceção ao cumprimento de uma regra] com o Tesouro americano", disse.

Esta semana, o presidente da República, Jair Bolsonaro, afirmou que há negociações para a compra do diesel produzido na Rússia, país que está sob sanções da Europa e Estados Unidos depois de invadir a Ucrânia. O objetivo seria reduzir os preços de combustíveis no país e evitar eventuais desabastecimentos. Há temores de escassez de diesel no mercado internacional.

De acordo com um relatório da consultoria S&P Global Commodity Insights, um acordo para a compra de diesel da Rússia pelo Brasil teria que incluir um desconto nos preços significativo para compensar a pressão política ocidental contra a decisão. A consultoria afirma que esse movimento faz sentido para poucos países latino americanos, além dos tradicionais aliados da Rússia na região, como Cuba, Nicarágua e Venezuela.

Uma fonte ouvida pela S&P no setor de trading de combustíveis também confirmou que haveria problemas para que o Brasil pagasse pelas cargas. "Como pagar se os bancos não podem fazer transações com empresas russas?", disse.

Entretanto, a fonte apontou que o petróleo russo, de fato, é negociado com grandes descontos. O barril russo foi vendido recentemente com um desconto de US$ 36 por barril em relação ao brent, principal cotação internacional para a commodity. A diferença entre a cotação russa e o brent era menor que US$ 5 antes da guerra na Ucrânia.

A S&P Global aponta que a compra do diesel russo poderia reduzir as importações brasileiras das cargas mais caras provenientes dos Estados Unidos. O Brasil precisa importar cerca de 25% do volume de diesel consumido no país, pois as refinarias nacionais não conseguem atender toda a demanda. Tradicionalmente, a região do Golfo do México americano supre a maior parte das importações brasileiras.

De acordo a S&P, os Estados Unidos foram responsáveis por entregar de 54% a 71% do total de diesel importado pelo Brasil nos últimos três meses. Nesse mesmo período, o Brasil também comprou o combustível de países como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Índia. O Brasil é o segundo maior destino das exportações do Golfo americano, atrás apenas do México.
Fonte: Valor Econômico
Texto extraído do boletim SCA
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