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Exportação de milho do Brasil ainda é uma dúvida, diz consultoria
Estoques estão baixos com demanda interna aquecida
Publicado em 27/02/2025 às 08h31
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A exportação brasileira de milho na safra 2024/25 é ainda uma grande questão a ser decifrada, no momento em que a demanda interna para alimentação e etanol cresce e os estoques nacionais do grão estão baixos. A avaliação é de Thais Italiani, gerente de inteligência de mercado da Hedgepoint Global Markets.

“O Brasil está com estoques muito baixos, por causa da demanda aquecida no Brasil e no exterior. Existe potencial para a produção no Brasil crescer e chegar a 126 milhões de toneladas de milho, se houver um aumento no plantio da segunda safra”, afirmou a analista.

A consultoria projeta para a produção de milho no Brasil uma área plantada de 22,3 milhões de hectares, aumento de 3,7% em relação à safra 2023/24. Em volume, a expectativa é atingir 126 milhões de toneladas, um avanço de 3,3%.

A Hedgepoint Global Markets considera que o aumento da produção brasileira de milho permitiria ao país ampliar as exportações neste ano. A consultoria estima para a safra 2024/25 exportações de 46 milhões de toneladas de milho, alta de 16% em relação à temporada passada. Para a demanda doméstica, a expectativa é de um aumento de 3%, para 87,5 milhões de toneladas - sendo 64 milhões de toneladas para alimentação, 1% a mais que na safra anterior.

A demanda de milho para etanol está estimada em 20,9 milhões de toneladas, 20% a mais que no ciclo 2023/24. Se esses números se confirmarem, o Brasil terá uma redução de 68% nos estoques finais de milho, para 2,8 milhões de toneladas.

Italiani observou que a produção da Argentina para a safra 2024/25 está estimada pela consultoria em 50 milhões de toneladas, mesmo número alcançado no ano passado. Mas, se as condições climáticas continuarem desafiadoras no país, essa produção pode ser ainda menor, disse a analista. Ela acrescentou que a Bolsa de Cereais de Rosario já fala em produção de 46 milhões de toneladas.

A consultoria projeta para a safra na Argentina demanda doméstica estável de 14,3 milhões de toneladas e exportações de 36 milhões de toneladas, o que representa um incremento de 3%. Os estoques finais, por sua vez, devem ter redução de 10%, para 2,8 milhões de toneladas.

No caso dos Estados Unidos, a produção de milho está estimada em 377,6 milhões de toneladas, 3% abaixo da safra 2023/24. O consumo interno está estimado em 321,7 milhões de toneladas e as exportações, em 62,2 milhões de toneladas, resultando em um estoque final de 39,1 milhões de toneladas.

“As exportações de milho nos Estados Unidos estão em um bom momento, acima da média dos últimos cinco anos. E a relação entre preço do milho e o preço da soja hoje está mais favorável para o cultivo do milho na temporada 2025/26”, afirmou Italiani. Ela salientou, no entanto, que os preços podem ser derrubados se os EUA ampliarem a área cultivada na próxima safra.

A consultoria chama a atenção para a menor participação da China no mercado internacional de milho. A expectativa é de queda de 57% nas importações do grão pela China no ciclo 2024/25, para 10 milhões de toneladas. A produção na China deve crescer este ano 2%, para 294,9 milhões de toneladas. Os estoques finais devem encerrar a safra com 203,2 milhões de toneladas, um saldo bastante confortável, mesmo com retração de 4%.

Outro ponto de atenção é a expectativa de encerramento em breve dos conflitos no Mar Negro, que pode ajudar a destravar os embarques de milho e trigo da Ucrânia e da Rússia.
 
Por Cibelle Bouças — Belo Horizonte
Fonte: Globo Rural
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