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O jogo está aberto  

13/02/2017 - O mercado de açúcar encerrou a sexta-feira com o vencimento março de 2017 cotado a 20.42 centavos de dólar por libra-peso, uma queda significativa de 69 pontos na semana, ou 15 dólares por tonelada. O mercado tentou por várias vezes quebrar os 21 centavos de dólar por libra-peso mas falhou em se manter acima daquele nível por mais tempo.

Qualquer mudança de patamar vai depender de fortes alterações na percepção dos fundamentos. Fevereiro, como dissemos anteriormente, os preços em centavos de dólar por libra-peso tendem a ser ligeiramente melhores do que o preço de janeiro. Isso, no modelo que distribuímos aos clientes, representa uma variação de pouco menos de 1.5% em relação ao preço médio de janeiro que foi de 20.54 centavos de dólar por libra-peso. Assim, fevereiro chegaria ao preço médio de 20.82 centavos de dólar por libra-peso. Até esta sexta-feira foi de 20.78 centavos de dólar por libra-peso. Ou seja, pelo modelo, apesar de suas limitações, o mercado está pesado.

Com petróleo sem forças para ir além dos 55 dólares por barril e o real se fortalecendo em relação ao dólar, para aqueles que pensam em reais por tonelada fica um gosto de fel na boca pelo arrependimento de ter deixado passar várias oportunidades de fixação de preço em valores que hoje estão 250-300 reais por tonelada abaixo dos níveis mais altos registrados.

A perspectiva de preços melhores para o açúcar em centavos de dólar por libra-peso deve levar muitas usinas a priorizarem a exportação do produto deixando o mercado interno em segundo plano, ou mesmo abandonando-o. Esse comportamento, possível para as empresas que pensam em dólares por tonelada, pode abrir espaço para um desequilíbrio de preços.

Todos sabemos da forte correlação que existe entre os dois mercados, mas a corrida que se percebe para os contratos de açúcar para exportação ao longo desta próxima safra pode deixar alguns consumidores industriais a ver navios. Se todos querem ou preferem priorizar a exportação porque entendem que nesse segmento existe a maior rentabilidade, é factível que um descolamento de preços entre os dois mercados possa a vir ocorrer.

Por outro lado, o preço da gasolina no mercado internacional está mais baixo do que o preço praticado pela Petrobrás. Real forte e petróleo fraco deixam o açúcar mais vulnerável pois diminuem a rentabilidade do etanol. Ou seja, mais açúcar pode ser produzido.

O jogo está aberto. Existem variáveis que podem trazer mais volatilidade ao mercado, que se dissipam quando os fundamentos estiverem mais claros e existem, da mesma forma, outros componentes exógenos que podem provocar variações de maior magnitude. Traduzindo para o português, não sei se o fato de ter participado durante toda a semana de um seminário de risco, aqui em NY, comandado por Nassim Taleb acabou por me fazer ver cisnes negros em todos os lugares. Brincadeiras à parte, não aprecio mercados que ficam restritos a um intervalo de preços durante muito tempo.

Nos últimos três meses, NY ficou entre 21,90 e 17,84 centavos de dólar por libra-peso, com a média de 19,92 centavos de dólar por libra-peso. Para onde apontam os próximos 200 pontos? 22,42 ou 18,42? Os fundamentos e a paciência dos fundos vão nos mostrar o caminho.

Nos últimos dezessete anos, em apenas cinco oportunidades o preço médio negociado em maio foi maior do que o preço médio negociado em fevereiro do mesmo ano. Na maioria das vezes, portanto, o preço médio de maio caiu 16% do preço observado em fevereiro.

Muitos traders estão em Dubai. As conversas lá costumam ter um viés baixista por razões óbvias. Nos últimos anos, no entanto, não se sentiu nenhuma mudança na trajetória de preços após a conferência.

* Artigo originalmente publicado no portal Archer Consulting. Comentário semanal de 06/02/17 à 10/02/17.

Arnaldo Luiz Corrêa
Diretor da Archer Consulting
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