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Inflação oficial fecha 2017 em 2,95%, menor índice desde 1998  

11/01/2018 - O IBGE divulgou, nesta quarta-feira (10), os números da inflação oficial do Brasil. Em dezembro, o IPCA acelerou um pouco e ficou em 0,44%. Mas essa pequena alta não impediu que a inflação fechada de 2017 ficasse no menor nível desde 1998 e abaixo do piso da meta.

Todo mundo na casa da dona de casa Vanderleia é bom de garfo. Não é à toa que a alimentação tem peso no orçamento da casa.

"Lá em casa, se não tiver feijão ninguém come. Caiu bastante e está um bom preço", conta.

O preço do feijão caiu pela metade no ano passado.

"Cheguei a pagar feijão de R$ 8. No mês passado, a três e pouco. Comprei um monte", diz uma consumidora.

No ano passado, caiu também o preço do arroz, açúcar, frutas, leite. A super safra produzida no campo, quase 30% maior que a anterior, foi um dos motivos que fizeram a inflação ser a mais baixa em quase 20 anos.

Tão diferente do passado: em 2002, ela ficou acima de 12%. Veio reduzindo, com pequenas variações até voltar a assustar os brasileiros em 2015. Em 2016, continuou alta, mas entrou nos eixos em 2017, ficou em 2,95%. Essa queda fácil de se ver no gráfico, muitas vezes, é difícil perceber no dia a dia.

"Essa queda ela é uma queda média, então, uma média de preços no Brasil, parâmetro de diversas capitais que a gente compara com média de preços de 2016. O que a gente olha é que alimento contribuiu e ajuda para essa inflação baixinha de 2017", destaca Mirella Pricoli Amaro Hirakawa, economista do Santander.

Nessa média geral de preços, é difícil cortar alguns itens que são importantes na vida da gente e ficaram bem salgados. A maioria deles tem preço administrado com reajuste estabelecido por contrato. O gás de botijão subiu muito, gasolina, a energia elétrica, a água e o esgoto também.

O aposentado João de Oliveira Esteves reclamou do plano de saúde que ficou mais caro em todo o país:

"Eu paguei no ano passado, em julho, veio 15%. Agora veio novamente. Se ficar sem pagar eu perco, eu estou numa idade que dependo do plano de saúde".

E por causa desses aumentos, o brasileiro continuou fazendo as contas.

"Como todo brasileiro a gente reduz. A gente fala assim bem no interior também: a gente reduz a mistura.Acaba indo para um ovo, acaba indo para o frango ou mais para a salada mesmo", destaca Arley Abreu, tratador de piscinas.

Outra coisa que ajudou a segurar os preços em 2017 foi o corredor vazio sem consumidor. O desemprego alto fez muita gente segurar os gastos. E com menos gente gastando dinheiro, que comerciante vai querer subir os preços? Isso evitou muito reajuste. Não só no comércio, como na área de serviços.

"Você teve três anos de recessão. Três anos de atividade muito fraca, de economia muito fraca ajuda a desacelerar a inflação como a gente viu acontecer no ano passado. Então, a gente teve uma conjunção de três elementos importantes: deflação de alimento, queda de preço de alimento, uma recessão que aconteceu aí durante três anos e um Banco Central que tava ali na marca do pênalti, em cima pra controlar a inflação a todo momento. E sinalizando que de fato queria controlar essa inflação. Quando você junta esses três elementos juntos de uma vez só, a gente entrega essa inflação muito baixa que a gente teve", comenta Sérgio Vale, economista-chefe da MB Associados.

Veja a reportagem completa divulgada pelo Jornal Nacional, da Rede Globo, de ontem (10), clicando aqui.

10/01/18
Fonte: Jornal Nacional - Rede Globo
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