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Entenda a `guerra comercial´ entre EUA e China e como ela pode afetar a economia mundial  

10/04/2018 - A temperatura entre as duas maiores economias do mundo subiu nos últimos dias, colocando China e Estados Unidos prestes a iniciar uma guerra comercial, que tem o potencial de abalar a atividade econômica global.

O combate aos produtos "made in China" é uma bandeira de campanha do presidente dos EUA, Donald Trump. Desde março, ele começou a colocar em prática sua política ´America First´ (América Primeiro, na tradução livre), que tem entre seus focos fortalecer a indústria americana em detrimento de produtos importados.


Medidas e retaliações

Acompanhado de representantes da indústria do aço e alumínio, Donald Trump assina medida que aumenta tarifas de importação para aço e alumínio (Foto: Leah Millis/Reuters) Acompanhado de representantes da indústria do aço e alumínio, Donald Trump assina medida que aumenta tarifas de importação para aço e alumínio (Foto: Leah Millis/Reuters)
Acompanhado de representantes da indústria do aço e alumínio, Donald Trump assina medida que aumenta tarifas de importação para aço e alumínio (Foto: Leah Millis/Reuters)
O estopim da tensão foi quando os EUA impuseram tarifas de 25% sobre a importação de aço e 10% sobre o alumínio de diversos países.

Para José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), os EUA miraram a China, mas se deram conta de que poderiam provocar um embate global generalizado ao disparar contra outros países, como Brasil, União Europeia, México e Canadá. Essas nações foram retiradas uma a uma temporariamente da lista.

Depois disso, os EUA calibraram a mira e direcionaram suas ações contra a China. E desde então os dois países estão queda de braço, com uma sequência de medidas de um contra o outro (veja cronologia completa no fim desta reportagem).

A última cartada foi de Trump, que disse nesta quinta-feira (5) que pretende impor mais US$ 100 bilhões em tarifas sobre produtos chineses, além dos US$ 50 bilhões já anunciados. A afirmação é uma resposta à decisão da China de retaliar o país e cobrar taxas sobre vários produtos americanos, como soja e automóveis.


É guerra comercial?

Geralmente, são denominados guerras comerciais os conflitos iniciados quando um país impõe tarifas comerciais à importação de uma nação, que corresponde sobretaxando os produtos de seu concorrente.

Entre os especialistas, ainda não há consenso sobre como caracterizar uma guerra comercial. "O que a gente está vendo é uma guerrilha entre os dois", diz Castro.

"Só EUA e China estão envolvidos. Não querem iniciar uma guerra, mas ninguém quer evitar também."
"Por enquanto, é mais um conflito retórico limitado a ameaças de menor potencial. Mas pode evoluir para algo mais sério se não surgir uma saída pela negociação", avalia o diretor da escola de investimentos internacionais do Grupo L&S, Liberta Global, Leandro Ruschel.


Disputas comerciais x OMC

As disputas comerciais entre países são frequentes e quem define as regras do comércio internacional e eventuais soluções de conflito é a Organização Mundial do Comércio (OMC), órgão criado nos anos 90.

Quando um país quer questionar as práticas comerciais de outro ele pode abrir um painel na OMC para solicitar mudanças e até mesmo o aval para retaliar o concorrente.

"Na OMC, geralmente as retaliações são consentidas caso a caso, e a entidade avalia se de fato há um dano ou uma situação injusta concorrencial e se o país [acusado] está autorizado a adotar tarifas contra outro neste mercado por determinado tempo", diz Ruschel, da L&S.

Desta vez, Trump decidiu agir contra a China sem submeter suas queixas à OMC. E a China, que se tornou membro da OMC apenas em 2001, é que recorreu à organização contra os EUA.

"A China está tentando mostrar para a comunidade internacional que ela está seguindo as regras, e os EUA, não", comenta o presidente da AEB.

Trump tem criticado recorrentemente a OMC. Nesta sexta-feira, disse que a organização é "injusta com os EUA". Já a China tem um histórico controverso na instituição. Mesmo depois de entrar na entidade em 2001, o país ignorou as exigências que deveria implantar ao longo de 15 anos para ser encarada como uma economia de mercado.

Efeitos da guerra
Guerras comerciais podem gerar efeitos negativos para os dois lados, caso não terminem em uma solução negociada. Nesse caso, no entanto, como os envolvidos são as duas maiores potências mundiais, os lances do conflito tendem a afetar a economia de outros países em nível mundial. Isto porque as cadeias de produção e consumo estão interligadas.

Os especialistas ouvidos pelo G1 são categóricos em um ponto: a guerra pode levar a uma escalada de tarifas, aumentar os custos as exportações e gerar um ciclo de diminuição do comércio internacional. Por tabela, isso freia o crescimento econômico global.

O exemplo de como a bola de neve gerada pelas sobretaxas a um produto sobre sua cadeia é o que pode ocorrer com o aço, diz Castro, da AEB.

"Se eu taxo o aço e aumenta o custo dessa matéria-prima de vários produtos, desde os automobilísticos até eletroeletrônicos, sobe o preço de todos esses itens", diz. "Como cresce o preço no mercado nacional, vou vender menos, gerar menos empregos ou até gerar desemprego. Vão sobrar commodities no mundo, o que puxa os preços delas para baixo e atinge diretamente todos os países emergentes, que são dependentes de exportação delas".

O desequilíbrio sobre o comércio internacional também exerce pressão sobre o câmbio, diz Castro. "Com isso, há uma valorização do dólar e uma desvalorização das moedas, especialmente nos países emergentes. Essa queda estimularia a exportação, mas implicaria na importação, que ficaria mais cara."

Para Ruschel, o efeito mais perverso seria a intensificação de tensões geopolíticas, que aumentaria as chances de conflitos reais e até militares.


Por que os EUA começaram a briga

Há anos, os EUA possuem com a China um considerável déficit comercial, que é a diferença do volume exportado entre os dois países.

"Os EUA nunca se preocuparam porque achavam que era contornável. Acreditavam que as empresas deles iam para a China e exportavam para os EUA. Só que as companhias americanas passaram a perder competitividade", conta Castro.
Os EUA alegam que isso tem ocorrido porque a China lança mão de práticas desleais, como usar hackers para roubar propriedade intelectual e segredos comerciais das empresas americanas.

Para equilibrar a situação, o governo Trump quer reduzir em pelo menos US$ 100 bilhões o rombo com a China. Só que há controvérsia até no cálculo do tamanho buraco: nas contas de Trump, é de US$ 500 bilhões; nas da China, é de US$ 275,8 bilhões; dados oficiais dos EUA, no entanto, apontam ser de US$ 375 bilhões ao ano.

Para reduzir essa diferença, em março, os norte-americanos pediram, sem sucesso, ao país asiático, segundo maior parceiro comercial dos EUA, um plano para comprar mais de seus produtos, como carros, soja e gás natural.


Negociação é possível?

Como as tarifas adicionais anunciadas de um país para o outro ainda não entraram em vigor (exceto as do aço de alumínio, propostas inicialmente pelos EUA), a expectativa do mercado até então era de que os dois países poderiam chegar a um consenso. E as novas taxas ficaram apenas na ameaça, sem ser aplicadas de fato.

"A China não tem o objetivo de escalar para guerra, porque seria muito afetada em termos de fluxo de balança comercial, embora os dois países têm muito a perder em uma guerra comercial", diz Ruschel, da L&S.
"O grande perdedor pode ser a China, porque ela tem nos EUA o seu grande mercado. E ela não tem no mundo outro mercado para substituir os EUA", explica Castro.


Riscos à globalização

Na história recente da economia mundial, a tendência tem sido de abertura comercial dos países, incluindo a entrada da própria China na OMC, apesar de o país asiático ainda ser uma economia considerada "semi-aberta".

Uma eventual guerra comercial, com medidas protecionistas adotadas pelas principais nações globais, seria um passo atrás nesse movimento e poderia levar o mundo à "profunda recessão", alertou em março o diretor-geral da OMC, Roberto Azevêdo.

"Uma vez que tomarmos esse caminho, será muito difícil mudar de direção. O olho por olho nos deixará todos cegos e o mundo em profunda recessão", afirmou.

No passado, o "crash" da bolsa de valores de Nova York, em 1929, levou os países fragilizados a fecharem suas economias, adotando uma política de guerra comercial, fato que antecedeu a Segunda Guerra Mundial.

"Este foi um exemplo drástico de como o acirramento de uma guerra pode se iniciar pelas relações comerciais", explica Ruschel.


Veja abaixo a cronologia da tensão comercial entre EUA e China:

2001: China entra oficialmente na OMC.

2006: Henry Paulson assume a secretária do Tesouro dos EUA com a missão de reduzir o déficit comercial do país com a China.

2007: Departamento de Comércio ameaçam sobretaxas sobre a importação de papel da China.

2012: Durante a campanha presidencial, Obama e Romney discutiram as práticas comerciais da China.

2016: Na eleição, Trump chega a ameaçar elevar para 30% a tarifa sobre todos os produtos chineses.

Dezembro de 2016: Ao fim dos 15 anos para fazer mudanças propostas pela OMC, China não altera nada e continua a ser encarada apenas como economia "semi-aberta" por EUA e UE.

8 de março de 2018: EUA impõem sobretaxas ao aço e alumínio importado de vários países.

22 de março de 2018: EUA anunciam tarifas de US$ 50 bilhões sobre 1,3 mil produtos chineses, alegando violação de propriedade intelectual.

2 de abril de 2018: em resposta a taxação, China impõe tarifas de 25% sobre 128 produtos dos EUA, como soja, carros, aviões, carne e produtos químicos.

5 de abril de 2018: China recorre à OMC contra tarifas dos EUA para o aço e alumínio.

5 de abril de 2018: Trump propõe sobretaxar mais US$ 100 bilhões em produtos chineses.

Taís Laporta e Helton Simões Gomes
Fonte: Portal G1
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