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Tarifaço de Trump para produtos exportados do Brasil para os EUA é aguardado com preocupação
Publicado em 02/04/2025 às 10h30
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O governo e empresários brasileiros aguardam os anúncios prometidos por Donald Trump para esta quarta-feira, 2 de abril, chamada pelo presidente americano de o “Dia da Libertação”, com tarifas “recíprocas” país por país. Antes da definição das medidas, a expectativa é sobre como elas podem afetar produtos brasileiros exportados aos EUA.

O item de maior impacto nas exportações brasileiras para o parceiro comercial envolve óleo bruto de petróleo, que representa 14,3% da pauta. Os EUA ainda respondem por 12,9% do total exportado pelo Brasil dessa produção.

Um setor que pode sofrer mais com o aumento de tarifas, no entanto, são os produtos semiacabados de ferro ou aço. Apesar de representar 8,8% da pauta completa para os EUA, 76,2% das exportações desses itens pelo Brasil vão para o território americano. No dia 12 de março, tarifa de 25% sobre a exportação de aço e alumínio brasileiros para o mercado americano entrou em vigor, segundo confirmou a Casa Branca.

A lista de produtos mais importantes exportados para os EUA é dominada por commodities (matérias-primas) e outros itens com preços cotados internacionalmente em bolsas de valores. As duas exceções entre os 10 mais vendidos pelo Brasil são aeronaves, na terceira posição, e equipamentos de engenharia e para construção, em oitavo.

Há uma pressão antiga dos EUA pela redução do imposto de importação aplicado pelo Brasil sobre o etanol americano, que é de 18%, para entrar no País, enquanto o governo americano aplica tarifa de 2,5% na importação do produto brasileiro, feito à base de cana-de-açúcar.

Trump considera o porcentual muito elevado, impedindo a entrada do produto americano, produzido à base de milho, no mercado nacional. O relatório anual do escritório de representação comercial dos Estados Unidos - United States Trade Representative (USTR), em inglês - sobre barreiras comerciais divulgado na segunda-feira, 31, reforçou a relevância que o etanol tem e terá nas negociações comerciais com o Brasil.

Apesar de considerar ser difícil fazer qualquer previsão sobre os anúncios de Trump, o presidente executivo da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, acredita que os impactos tendem a cair nos produtos manufaturados.

“As commodities brutas não devem sofrer sobretaxação, por que elas têm preços definidos pelo mercado importador e pelas bolsas, e não pelo Trump. Se taxar esses produtos, ele estará elevando os custos para os EUA”, afirma. “O meu princípio, por enquanto, é esse. Mas tudo ainda está muito indefinido e imprevisível, porque os números divulgados até agora para tarifas são muito loucos. São formados por impulso, não têm base técnica.”

Os manufaturados que se encontram também entre os 20 produtos mais exportados incluem máquinas de energia elétrica, motores a pistão, manufaturas de madeira e geradores elétricos giratórios.

Dois desses segmentos seriam fortemente impactados. Os EUA responderam por 59,9% de todas as exportações brasileiras, em 2024, das máquinas de energia elétrica. Em manufaturas de madeira, a dependência é ainda maior, 81% das vendas externas brasileiras foram para o mercado americano. “Se o Brasil ficar sujeito à reciprocidade no aumento de tarifas, sairemos do mercado de manufaturados, porque não temos preço competitivo”, diz Augusto.

Em 2024, os EUA foram o destino de 12% de todas as exportações brasileiras e origem de 15,5% das importações nacionais (US$ 40,7 bilhões). A corrente de comércio alcançou 3,6% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro no ano passado.

Em um recorte temporal iniciado em 2014, dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) indicam que as importações brasileiras de produtos vindos dos Estados Unidos foram 11,85% superiores às exportações.

No relatório do USTR, de segunda-feira, 31, os EUA afirmam que o Brasil e uma série de outros países impõem numerosas barreiras e tarifas contra produtos americanos.

O relatório de 397 páginas afirma que o Brasil impõe tarifas relativamente altas sobre as importações em uma ampla gama de setores, incluindo automóveis, peças automotivas, tecnologia da informação e eletrônicos, produtos químicos, plásticos, maquinário industrial, aço, têxteis e vestuário.

“Embora o Brasil tenha tomado medidas para tornar seu mercado de compras mais transparente, as restrições e preferências domésticas permanecem”, declara o documento. Segundo o USTR, o país também exige que os contratos de aquisição, especialmente nos setores de saúde e defesa, contenham requisitos de compensação para fornecedores estrangeiros.
Carlos Eduardo Valim e Ivo Ribeiro
Fonte: Broadcast
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