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Saiba quais produtos brasileiros serão mais afetados pelo "tarifaço" de Trump
Publicado em 03/04/2025 às 08h15
Foto Notícia
Presidentes dos EUA, Donald Trump, e do Brasil, Lula
Foto: Chip Somodevilla / POOL / AFP e Brenno Carvalho / Agência O Globo
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que o Brasil terá todos os seus produtos importados taxados em 10%. Segundo o governo americano, essa é a mesma quantidade de taxação de produtos importados dos EUA.

Ele revelou nessa quarta-feira (2) o tarifaço na qual estava prometendo desde o início do mandato. Com ele, produtos importados aos EUA de diversos países do mundo inteiro passarão a ser taxados de forma imediata ou nos próximos dias. Aliás, 10% será o valor mínimo de tarifa contra os outros países do mundo.

As taxas serão variadas e o republicano tem chamado elas de 'recíprocas'. Ou seja, os países que cobram mais de produtos importados dos Estados Unidos terão mais taxas.

Trump citou diversos países que serão taxados, como China, Taiwan, Vietnã, Japão, União Europeia, Tailândia, Coreia do Sul, entre outros. Entre os não citados que chamam atenção estão o Canadá e o México, que estavam sendo aventados por Trump (saiba mais aqui).

Quais produtos brasileiros serão mais afetados?

Como a taxação anunciada por Trump será para todos os produtos importados do Brasil, é possível dizer que todos serão afetados. Entretanto, os que o país mais exporta para os EUA devem ter uma questão maior.

A lista é liderada pela exportação de petróleo e pelo ferro. Os óleos brutos representaram R$ 5,8 bilhões de exportação para o país comandado por Trump em 2024, enquanto itens relativo ao minério de ferro também estão em alta.

O governo brasileiro defende que o superávit comercial dos americanos com o Brasil no ano passado foi de US$ 7 bilhões só em bens. Somados com os serviços, esse valor passou para US$ 28 bilhões sendo o 'terceiro maior superávit comercial daquele país em todo o mundo'.

Veja os 10 produtos mais exportados para os EUA em 2024, segundo o governo brasileiro:
  1. Óleos brutos de petróleo;
  2. Outros produtos semimanufaturados de ferro ou aço não ligados, de seção transversal retangular, que contenham, em peso, menos de 0,25% de carbono;
  3. Café não torrado, não descafeinado, em grão;
  4. Pastas químicas de madeira, à soda ou ao sulfato, exceto massas para dissolução, semibranqueadas ou branqueadas, de não coníferas;
  5. Ferro fundido bruto não ligado, que contém, em peso, 0,5% ou menos de fósforos;
  6. Outros aviões e outros veículos aéreos, de peso superior a 15.000 kg, vazios;
  7. Outras gasolinas, exceto para aviação;
  8. Aviões e outros veículos aéreos, a turbojato, 7000 kg < peso <= 15000 kg, vazios;
  9. Carnes desossadas de bovino, congeladas;
  10. Produtos semimanufaturados, de outras ligas de aço.

A maioria desses produtos não tem tarifas de importação.

Quando as taxas entrarão em vigor?

De acordo com o divulgado pela Casa Branca, as taxas anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, passarão a valer a partir da 0h01 de sábado, dia 5 de abril. Isso vale apenas para as tarifas básicas. O Brasil será afetado a partir desse momento.

Já a partir da próxima quarta-feira (9), às 0h01, as tarifas recíprocas entrarão em vigor.

Não se sabe ainda quais produtos serão abrangidos pela ordem, anunciada nesta quarta (2) por Trump. Porém, segundo a Casa Branca, as tarifas contra automóveis, aço, alumínio, cobre e madeira não estavam incluídos nessas.

Há expectativa que o governo americano anuncie em breve tarifas setoriais contra semicondutores, produtos farmacêuticos e possivelmente minerais essenciais. Esses também não estarão nesse regime recém-anunciado.

Resposta do governo brasileiro

Em nota, o governo brasileiro lamentou a decisão do governo Trump de impor tarifas de 10% a todas as exportações de produtos brasileiros. O Itamaraty escreve que, ao mesmo tempo que se mantém aberto ao diálogo, avalia 'todas as possibilidades de ação para assegurar a reciprocidade no comércio bilateral, inclusive recurso à Organização Mundial do Comércio, em defesa dos legítimos interesses nacionais'.

Segundo o governo brasileiro, a medida 'impactará todas as exportações brasileiras de bens para os EUA.

Em meio ao anúncio do 'tarifaço', o Senado e a Câmara aprovaram um projeto de lei de reciprocidade econômica, justamente em resposta ao governo americano.

Leia o texto completo:

'O governo brasileiro lamenta a decisão tomada pelo governo norte-americano no dia de hoje, 2 de abril, de impor tarifas adicionais no valor de 10% a todas as exportações brasileiras para aquele país. A nova medida, como as demais tarifas já impostas aos setores de aço, alumínio e automóveis, viola os compromissos dos EUA perante a Organização Mundial do Comércio e impactará todas as exportações brasileiras de bens para os EUA.

Segundo dados do governo norte-americano, o superávit comercial dos EUA com o Brasil em 2024 foi da ordem de US$ 7 bilhões, somente em bens. Somados bens e serviços, o superávit chegou a US$ 28,6 bilhões no ano passado. Trata-se do terceiro maior superávit comercial daquele país em todo o mundo.

Uma vez que os EUA registram recorrentes e expressivos superávits comerciais em bens e serviços com o Brasil ao longo dos últimos 15 anos, totalizando US$ 410 bilhões, a imposição unilateral de tarifa linear adicional de 10% ao Brasil com a alegação da necessidade de se restabelecer o equilíbrio e a “reciprocidade comercial” não reflete a realidade.

Em defesa dos trabalhadores e das empresas brasileiros, à luz do impacto efetivo das medidas sobre as exportações brasileiras e em linha com seu tradicional apoio ao sistema multilateral de comércio, o governo do Brasil buscará, em consulta com o setor privado, defender os interesses dos produtores nacionais junto ao governo dos Estados Unidos.

Ao mesmo tempo em que se mantém aberto ao aprofundamento do diálogo estabelecido ao longo das últimas semanas com o governo norte-americano para reverter as medidas anunciadas e contrarrestar seus efeitos nocivos o quanto antes, o governo brasileiro avalia todas as possibilidades de ação para assegurar a reciprocidade no comércio bilateral, inclusive recurso à Organização Mundial do Comércio, em defesa dos legítimos interesses nacionais.

Nesse sentido, o governo brasileiro destaca a aprovação pelo Senado Federal do Projeto de Lei da Reciprocidade Econômica, já em apreciação pela Câmara dos Deputados'.
Fonte: CBN
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