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Bioeletricidade bateu recorde de produção em 2023 e tem oportunidades para avançar - Por: Zilmar José de Souza
Publicado em 05/02/2024 às 11h28
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De janeiro a dezembro do ano passado, a geração para a rede pela fonte biomassa foi de 29.285 GWh, de acordo com levantamento inédito da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), realizado com base em dados de medição de janeiro a novembro e da medição preliminar de dezembro apresentados recentemente pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), representando um recorde de produção anual de energia elétrica à rede pela fonte biomassa, que inclui bagaço e palha de cana-de-açúcar, biogás, lixívia, resíduos de madeira, dentre outras.

Em relação à produção de 2022, houve um aumento de 3.732 GWh, um crescimento de 14,6%. Essa variação positiva foi fortemente influenciada pela safra canavieira, já que a biomassa da cana (bagaço e palha da cana) é o principal combustível na geração de bioeletricidade no país. De acordo com a Unica, no acumulado da safra 23/24, a moagem na região Centro Sul atingiu 644,14 milhões de toneladas de cana entre 1º de abril de 2023 e 1º de janeiro de 2024, ante 542,39 milhões de toneladas registradas no mesmo período no ciclo 22/23 – um avanço de 18,76%.

A bioeletricidade ofertada para a rede no ano passado foi estratégica para o setor elétrico brasileiro, sendo equivalente a atender por dois meses o consumo integral de energia elétrica da indústria brasileira em 2023 ou suprir todo o consumo de energia elétrica da região Centro-Oeste por mais de oito meses.

Do lado do ranking da geração centralizada à rede, o desempenho da bioeletricidade em 2023 garantiu a terceira posição para a fonte, atrás apenas da fonte hidrelétrica e eólica. Trata-se de uma geração não intermitente e complementar à fonte hidrelétrica, com 76,3% da geração da biomassa para a rede em 2023 ocorrendo entre os meses de maio e novembro, considerado o período seco e crítico do Sistema Interligado Nacional.

São dados que indicam quão estratégica essa fonte já é para o setor elétrico brasileiro e que tem oportunidades para avançar na matriz. Uma expansão robusta e regular da bioeletricidade, tanto no mercado regulado quanto no mercado livre (que passa a ganhar mais representatividade), proporcionará cada vez maiores volumes de uma energia renovável, sustentável, não intermitente e efetivamente complementar à fonte hidrelétrica, poupando água nos reservatórios, principalmente no submercado Sudeste/Centro-Oeste, ao mesmo tempo proporcionando uma real modicidade nas contas do consumidor, sobretudo, em momentos de escassez hídrica, por serem térmicas renováveis que representam reservatórios virtuais no sistema.

A abertura total do ambiente livre para a alta tensão, seguindo para a média e baixa tensão no futuro, o funcionamento adequado das liquidações financeiras no mercado de curto prazo, um desenho que estimule a participação da biomassa nos leilões de reserva de capacidade, a retomada dos leilões de energia nova em virtude do crescimento econômico, a valoração dos atributos ambiental e geoelétricos da bioeletricidade, a demanda por fontes não intermitentes na produção de hidrogênio renovável etc. são algumas das questões que devem abrir oportunidades para a bioeletricidade continuar expandindo na matriz elétrica brasileira e apresentando uma oferta estratégica, renovável e sustentável para o setor elétrico brasileiro nos próximos anos.

Zilmar José de Souza 
Pós-doutor em Economia, doutor em Engenharia de Produção, mestre em Economia, graduado em Economia e Gestão Ambiental. Trabalhou em empresas como Banco Itaú, CPFL, Energias do Brasil, Agência Reguladora de Saneamento e Energia - SP e foi professor doutor na UNESP – Jaboticabal. Desde novembro de 2008, é gerente em bioeletricidade da UNICA - União da Indústria de Cana de Açúcar e Bioenergia, e atua como professor convidado em cursos de pós-graduação.
Fonte: Editora Brasil Energia
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